Pastagem

Lavoura de capim RENOVADA

Reposição de nutrientes melhora qualidade do pasto e mantém produção sustentável

Ulysses Cecato 1 Cecílio Viega Soares Filho 2 Sandra Galbeiro 3

Baixa produtividade de animais criados a pasto é resultado do processo de degradação das pastagens, que tem origem na acidez e baixa fertilidade do solo, na falta de adubação corretiva e de manutenção de nutrientes e em práticas inadequadas de formação e manejo do pasto. A degradação pode ser solucionada com a recuperação por meio de renovação e reforma das pastagens, com uso de leguminosas, com Integração Lavoura- Pecuária-Floresta (ILPF), além do monitoramento e manejo correto da fertilidade do solo e do pasto. Embora o produtor até entenda sobre a necessidade da reposição dos nutrientes para a melhoria da produtividade dos pastos e da produção animal, continua usando tecnologias, cujos resultados lhe proporcionam baixa produtividade e rentabilidade.

Para apresentar a produtividade desejada, o pasto depende da presença de todos os nutrientes no solo. Entretanto, o Nitrogênio (N) destaca- -se pela relevância na produção e na qualidade da forragem, além de ser o elemento de maior custo de adubação e intensificação de produção a pasto.

Assim, devido a seu preço e sua rápida resposta obtida na produtividade, exige melhoria na tecnificação da propriedade.

É muito importante a execução de duas práticas do manejo da fertilização das pastagens. A prática corretiva é essencial para tornar o ambiente (solo) adequado para os elementos(- minerais) ficarem disponíveis para a captura das raízes. Nas pastagens bem formadas, as plantas apresentam o sistema radicular bem desenvolvido, o que facilitará a exploração do solo e, consequentemente, melhor utilização dos nutrientes provenientes da adubação e do solo. Os nutrientes de mais importância neste momento são principalmente o fósforo e o cálcio.

Nas práticas de correção do solo que devem ser realizadas em função da análise de solo, onde podem ser utilizadas as práticas de calagem, gessagem e fosfatagem. A calagem é a forma capaz de neutralizar a acidez dos solos e ainda fornecer nutrientes às plantas, principalmente cálcio e magnésio. O método contribui para aumentar a eficiência de adubos e consequentemente, da produtividade das plantas e dos animais. Geralmente, no campo, a nível de manutenção da adubação da pastagem, não é dada a devida importância à gessagem. Todavia, esta é fundamental, quando se quer melhorar a correção e os nutrientes no perfil do solo, já que o calcário é bem lento para atingir as camadas mais profundas.

A fosfatagem é uma prática corretiva do teor de fósforo solúvel no solo e é muito importante a sua realização no momento do plantio, pois tem ação direta, além da formação do sistema radicular, promove melhor perfilhamento das pastagens (estruturação do pasto). A quantidade de fósforo disponível geralmente é muito menor do que se tem no solo, pois no solo o fósforo aparece na forma orgânica e mineral. A recomendação da fosfatagem, apesar da elevada importância do ponto de vista de estabelecimento e produção do pasto, deve ser muito bem estudada, pois as espécies forrageiras subtropicais e tropicais respondem de forma diferente, devido ao seu custo de operação e ao longo tempo que este fósforo levará para ser aproveitado pela cultura. A fosfatagem também pode ser feita para adubação de manutenção da pastagem a lanço, desde que estas sejam bem manejadas e que apresentem boa cobertura do solo, em matéria orgânica e/ou restos dos componentes das plantas (colmos, folhas, etc).

O potássio é de grande importância para a manutenção e a recuperação da produtividade da pastagem, pois tem como ação principal a participação do metabolismo da planta e atua em diferentes ações na planta, especialmente em se tratando do seu desenvolvimento. A utilização da adubação potássica em pastagem depende da disponibilidade desse elemento no solo e do sistema de produção empregado, pois em sistemas intensivos de produção, sua extração pelas plantas é muito elevada. Em geral, o potássio deve ser aplicado em pequena quantidade no estabelecimento da pastagem, e sua maior quantidade (em torno de 2/3) aplica-se de forma parcelada, a lanço, nas pastagens estabelecidas e como adubação de manutenção. Preferencialmente este deve ser aplicado juntamente com o nitrogênio para maximizar o aproveitamento dos dois elementos e diminuir o custo de adubação.

Aplicação de Nitrogênio

O N é um elemento importante para o crescimento das gramíneas forrageiras, pois acelera a formação e o crescimento de novas folhas, melhora o vigor de rebrota, acelerando sua recuperação após pastejo, resultando em maior produção e capacidade de suporte das pastagens. As plantas podem absorver N por meio da fixação do ar (menor quantidade) ou da solução do solo, sendo incorporado na forma de aminoácidos. À medida que aumenta o fornecimento de N, as plantas podem melhorar o perfilhamento e o aumento no número e tamanho de folhas. Também as proteínas sintetizadas a partir dos aminoácidos promovem o crescimento das folhas e como consequência aumenta a superfície fotossintética do pasto, isso tudo promovem o incremento no acúmulo e na massa de forragem.

Em determinadas regiões do Brasil, a adubação nitrogenada tem sido utilizada para prolongar o período de produção de pastagem, ou seja, a distribuição do N é feita no final das chuvas (março/abril) provocando incremento na produção de massa de forragem durante o período seco (muito interessante para o diferimento da pastagem) e também prolongando o período de pastejo. Embora essa estratégia seja interessante, deve-se tomar cuidados onde e quando utilizá-la, pois os custos do adubo e sua aplicação podem não serem compensadores. O adubo n itrogenado, além de proporcionar condições à elevação na produção de folhas e redução na senescência das mesmas, melhora a relação folha/colmo e, como consequência, o teor de proteína bruta, e em algumas situações, a digestibilidade in vitro, favorecendo a elevação do valor nutritivo da forragem.

Uso de micronutrientes

O uso de micronutrientes em pastagens, especialmente em gramíneas forrageiras, não tem apresentado grandes respostas às produções de massa de forragem. Alguns resultados positivos têm ocorrido em regiões de cerrado, especialmente com o micronutriente zinco. Devido à variabilidade dos solos brasileiros, existem citações do uso de cobalto, molibdênio, boro, dentre outros, mas essas evidências são mais expressivas quando se usam leguminosas em consórcio. Também o enxofre é um nutriente muito importante, embora seja um tanto negligenciado nas recomendações de adubação, pois está associado a formação das proteínas do pasto. Sua deficiência é marcante, principalmente nos solos arenosos face a sua fonte principal ser a matéria orgânica do solo. Seu fornecimento pode ser feito nos pastos, por meio de adubos que possuem na sua composição o elemento enxofre, tais como superfosfato simples, sulfato de amônio, dentre outros.

Fontes de adubos

Em pastagens, as principais fontes de adubos utilizadas, praticamente são as mesmas utilizadas na agricultura, em culturas de cereais. Como fontes principais de nitrogênio são utilizadas: a ureia (42% N), o nitrato de amônio (32% N) e o sulfato de amônio (20% N + 16% S); fontes de fósforo: o superfosfato simples (18% de P2O5 e 20% Ca), superfosfato triplo (41% de P2O5 e 7 a 12% de Ca% de P2O5), o DAP e o MAP. As fontes de potássio são: cloreto de potássio (60% k2O) e sulfato de potássio (50% k2O e 18% S). Na correção do solo utiliza-se o calcário dolomítico (fonte de cálcio e magnésio) e o gesso agrícola (20% de cálcio, 15% de enxofre). Em regiões próximas a criadouros de frangos de corte, aves de postura, dentre outros, devido a quantidade do subprodutos produzidos, como exemplo a cama de frango (elevada composição de macro e micronutrientes) e a proximidades de transporte, vale a pena estudar a viabilidade do uso deste produto em pastagens (desde que observadas as resoluções do Mapa).

As recomendações de quantidades, tipo, como e quando usar cada adubo ou fonte de adubo depende do sistema de produção a utilizar: extensivo, semi-intensivo ou intensivo, das metas desejadas na produção animal, do tipo de solo, das espécies forrageiras subtropicais e tropicais e da gestão feita na propriedade. Dados de pesquisas revelam que a adubação pode proporcionar elevada produção de massa de forragem e ganhos de peso expressivo e com economicidade.

Com a reposição dos nutrientes para melhoria na produção do pasto e a manutenção anual da produtividade animal, em busca da sustentabilidade do sistema, independentemente da espécie forrageira e do manejo no sistema, há necessidade de se fazer um planejamento forrageiro, ou seja, ter forragem que atenda às necessidades do animal, independentemente de peso e idade. Nas condições subtropicais e tropicais, mesmo com o manejo correto e o uso da adubação, os capins em condições normais, em geral, apresentam suas maiores produções de massa de forragem na estação chuvosa (primavera/verão e parte do outono).


Cuidados para aplicação de Nitrogênio

A aplicação de N na pastagem deve ser feita de forma racional, maximizando as perdas e melhorando a produtividade da pastagem, pois o nitrogênio apresenta elevada capacidade de lixiviação e, dependendo da fonte, de volatilização, por isso alguns cuidados devem ser tomados:

Fracionar a quantidade de adubo aplicado (2 a 4 aplicações), no período mais propício para o desenvolvimento da pastagem (outubro a março).

Nos pastos em formação e já formados, a primeira aplicação do N, além de ser no período das águas, deve ocorrer quando os pastos já apresentarem uma boa rebrotação para melhorar o aproveitamento dos mesmos.

Quantidades de até 50 kg/ha de N são recomendáveis, no parcelamento. Este fracionamento possibilita melhor distribuição da produção de forragem e do valor nutritivo, melhor eficiência do adubo aplicado e preveni perdas no momento da aplicação.

Zootecnista. professor do Programa de Pós-Graduação em Zootecnia da Universidade Estadual de Maringá (UEM) 2 Engenheiro agrônomo. professor associado da Faculdade de Medicina Veterinária UNESP/ Araçatuba. 3 Zootecnista. Professora Adjunta da Universidade Estadual de Londrina (UEL)