Entrevista do Mês

Um Nelore para todos

Encarar uma quarentena no arquipélago de Fernando de Noronha (PE), sem alimentação apropriada e por meses a fio, foi só o primeiro desafio dos genearcas da raça Nelore trazidos da Índia em 1962. Kavardi, Golias, Rastã, Checurupadu, Godhavari, Padu e Akasamu foram alguns dos exemplares escolhidos, um a um e pessoalmente, por José da Silva, o Dico, encarregado de confiança do maior nelorista brasileiro, Torres Homem Rodrigues da Cunha. Passados menos de 60 anos, a raça compõe 80% do rebanho nacional e levou o país à liderança na exportação mundial de carne bovina, conforme detalha o presidente da Associação dos Criadores de Nelore do Brasil (ACNB), Nabih Amin El Aouar

Thaise Teixeira [email protected]

Revista AG - Você diz que, para a Nelore, o céu é o limite. Por quê?

Nabih Amin El Aouar - Sempre utilizo essa expressão, que é totalmente verdadeira porque as as raças taurinas, quase todas, foram selecionadas, manuseadas e trabalhadas na Europa. E da Europa foram para outras terras. Então, este trabalho já vem de muitos séculos, enquanto as raças zebuínas, dentre elas o Nelore, vieram de um país com um “atraso” comercial tremendo. Tanto assim que a Índia era uma província da Inglaterra, onde os bovinos eram tidos como animais santos que percorriam as ruas em meio aos comerciantes, e eram alimentados Foto: Divulgação ACNB pelas donas de casa, que davam comida a eles. Não foram trabalhados nem selecionados como os taurinos. Não havia o intuito comercial, e as raças zebuínas eram utilizadas como animais de tração, para puxar carga ou em alguns jogos. O Nelore era utilizado na produção leiteira, mas não tinha como finalidade abastecer indústrias. Era uma espécie de produção de subsistência. Quando os brasileiros chegaram lá, não havia fazendas. Os primeiros brasileiros que lá chegaram para importar Nelore precisavam se reunir...

Para ler a matéria completa faça Login
Caso não seja assinante da Revista AG, clique Aqui e Assine Agora!