A Voz do Criador

PATRIMÔNIOS NACIONAIS

Um bom arroz com feijão tem o seu valor. Prato tipicamente brasileiro, está presente em todos os cantos do País. Alimenta e nutre a população brilhantemente. Seu preparo é simples e a combinação entre ambos é um casamento perfeito. Porém, para que fique saboroso, seu preparo requer tempo e técnica, temperos e cozimento na medida certa. Caso contrário, nem o arroz, nem o feijão, juntos ou separados, ficarão bons.

A mesma comparação pode, tranquilamente, ser levada aos criadores das regiões Centro-Oeste e Norte do Brasil, que descobriram, no cruzamento industrial terminal entre a matriz zebu e o touro taurino britânico, uma eficiente fórmula para driblar os custos de produção, ampliar a produtividade e agregar valor à carne. A mistura gera um animal resistente ao calor e a ambientes desafiadores com alta conversão alimentar, como a F1 Angus, fêmea altamente precoce e capaz de acelerar o ciclo em até um ano, ampliar a produção por hectare e, quando inseminada, gerar um bezerro tão ou mais eficiente que ela, desmamado com, em média, 1,[email protected] mais do que o das raças puras.

Cruzar Nelore com Angus, hoje, atende também muito bem à questão mercadológica dos programas de bonificação de carcaça, principalmente pelo diferencial do marmoreio e seu acabamento de gordura. E, mesmo com a pedra do carrapato no caminho, é um coringa no bolso dos produtores de carne in natura made in Brazil, principalmente dos que vislumbram vender à China.

Nesse casamento de interesses, a noiva está numa cômoda situação à espera do seu príncipe encantado de sangue britânico. Afinal, estar presente em 90% de toda a carne produzida no Brasil e responder por 80% das 213,5 milhões de cabeças do rebanho bovino brasileiro em apenas quatro décadas de seleção genética não é para qualquer uma! Se a F1 Angus pode ser considerada uma rainha, a Nelore é um patrimônio brasileiro, faltando-lhe apenas o “tombamento” histórico. Se depender do presidente da Associação dos Criadores de Nelore do Brasil (ACNB), Nabih Amin El Aouar, não vai ser por falta de esforço!

Boa leitura!