Sobrevoando

Expointer

Toninho Carancho [email protected]

Expointer, este nome quase mágico, representa muita coisa para quem participa dela ou a visita. Se eu fosse gaúcho, diria que é a melhor exposição do mundo. E é. Ela tem uma mágica, uma força que nos atrai, é um misto de sensações boas, de encontrar as pessoas, de ver o gado, de comer bem, de sentir aquele cheiro peculiar, de fazer negócios, de vestir uma roupa bacana, de sentir muito calor, de morrer de frio, de se molhar, de atolar o carro, de não achar mais o carro, de ver máquinas que você nem sabia que existia, de ver o Freio de Ouro, de comer um churros, de ir ver as novas picapes e ir no pavilhão internacional. De ir na reunião da Farsul, no primeiro sábado, para ficar sabendo das novidades, de passear no pavilhão das galinhas, de ir também fazer compras com o pessoal da agricultura familiar, de passear no bulevar e ver todos os amigos nos estandes das raças de bovinos. De passear entre os corredores dos ovinos vendo toda a variedade de raças, de visitar o gado leiteiro, ver a ordenha das vacas e pegar um leite de manhã cedo para fazer uma ambrosia. De participar dos julgamentos na pista central, imponente, enorme, cheia de gente bonita e arrumada para o grande evento. De visitar as centrais de inseminação para pegar os novos catálogos. De trocar uma ideia com o pessoal para ver quais os melhores touros da temporada. De comer um churrasco aqui, outro ali. Uma carninha no galpão, feita ali, no meio do gado, tomando uns schnaps. Pegar um happy hour em algum lançamento de produto das empresas de saúde animal ou comer um carreteiro da Dona Lurdes no estande das revistas A Granja e da AG. Ir no parque de diversões levar um filho ou sobrinho, talvez um neto. Conseguir uma credencial de carro num lugar melhor, com menos concorrência (não é nada fácil). Visitar o pavilhão dos equinos e ver toda a diversidade das raças, ver cavalos correrem contra motos e também provas de balizas, de tambores e outras mais.

Visitar o local do Cavalo Crioulo, com as suas pistas de provas, seu bulevar e restaurantes, participar como convidado VIP para assistir as provas, sempre lotadas e disputadas palmo a palmo, tanto nas pistas quanto por espaço nas arquibancadas. A Expointer é tudo isso e muito mais. É um mundo. Ela tem vida própria, pulsa, tem alma.

Eu que participei de todas as edições, sou um dos viúvos. Estou triste como muitos, é uma parte da nossa vida que vai ficar faltando, já que não teremos Expointer neste ano. É o gado que estava sendo preparado um ano inteiro para competir, e não vai. É o trabalho dos cabanheiros focado neste objetivo que não vai acontecer. Mas a realidade se impõe. Não temos como fazer uma Expointer, onde o principal são as pessoas e seus contatos, com a pandemia ainda atuando com força.

Porém, imaginava eu, aqui sobrevoando, olhando por cima, numa distância regulamentar, nem tão perto e nem tão longe, que o Governo do Estado do Rio Grande do Sul, promotor da Expointer junto com outras entidades, pegasse as rédeas e a conduzisse para o campo digital de uma forma única, unida, somando foi isso que aconteceu. Tivemos uma Expointer Digital de Máquinas Agrícolas, organizada e promovida pelo Simers (Sindicato de Máquinas Agrícolas do RS), o que é muito louvável. E, de outro lado, uma exposição meio virtual, meio presencial (por acontecer), com um nome tão longo que não vou conseguir escrever nesta pequena coluna. Uma pena, apequenaram uma gigante.

Na minha humilde e singela opinião, perderam a oportunidade de fazer a maior Expointer de todas, digital, de Esteio para o mundo. Reunindo as entidades, somando forças e energias. Só que não. É uma pena, estou triste. Podíamos ter transformado o limão na limonada, mas parece que só ficamos com o limão mesmo. O cavalo passou encilhado e nós não montamos.