Caindo na Braquiária

Pecuária sobre rodas

Estava ansioso para conhecer um Bud Box, estrutura de curral móvel desenvolvida para ser levada até o gado, muito útil para áreas arrendadas que não possuam curral, em remotas áreas do Pantanal ou em campos de ILP (Integração Lavoura Pecuária). Foi Neto, administrador responsável pelo setor pecuário de um grande grupo agrícola do Sul do Mato Grosso, quem me apresentou esse prático e eficiente modelo montado sobre rodas. Para montar seu Bud Box, Neto usou canos metálicos. A estrutura possui um funil para entrada do gado, seringa e tronco-balança. Dessa maneira, os produtores que precisam manejar o gado em áreas remotas, têm, agora, a chance de fazê-lo através desse moderno curral.

Seguindo o conceito de “Trucks”, recebi um artigo do site Beef Magazine, o qual descreve outra estrutura sobre rodas desenvolvida por uma empresa australiana: um abatedouro móvel, o qual peço licença para transcrevê- lo com minha versão e opinião final. Segue abaixo:

Mês passado, tivemos um marco histórico da indústria frigorifica australiana e mundial com o licenciamento do 1º abatedouro comercial móvel. As autoridades de saúde de New South Wales (NSW), na Austrália, concederam a licença para seu funcionamento naquela região, de onde seu proprietário tem possibilidade de expandir seu projeto para o restante do país. Tal licença significa que produtores, plantas de desossa e restaurantes poderão fornecer aos consumidores carne bovina vinda de uma única fazenda que criou, recriou e engordou seus próprios animais, vendendo dessa maneira um produto com características próprias. Cofundador e CEO da Provenir, empresa que desenvolveu o abatedouro móvel, Chris Balazs afirma “Devemos ter os mesmos padrões que qualquer outro abatedouro”

A licença significa também que a Provenir pode apenas operar como abatedouro móvel em NSW, mas a carne processada pode ser vendida em toda Austrália. Neste momento, a Provenir já iniciou o processo de obtenção de licença de abate em outros estados do país. Na pratica, o abatedouro é montado sobre um caminhão com uma câmara fria portátil, estrutura para contenção, locais para destinação de resíduos e subprodutos.

Do abatedouro, as carcaças estarão prontas para serem desossadas e embaladas pelos clientes com suas devidas marcas. E a planta móvel pode ser levada para qualquer região dos país, sendo utilizada por sindicatos e associações que pretendem criar suas próprias marcas de carne. Balacz, presidente da Provenir, afirma: “nossa empresa adere a um conceito simples, ao invés do animal ir ao frigorífico, o abatedouro vai ate ele. No nosso entender, esse processo é menos estressante para os animais, havendo grande chance de se produzir carne mais macia, além de haver economia para aqueles que pretendem abater seu próprio animal”. Outro beneficio vislumbrado pela empresa é a rastreabilidade oferecida aos clientes, característica essa já procurada pelos consumidores, os quais terão a certeza que estão comendo a carne daquele animal especifico, sendo abatido dentro dos princípios de bem- estar animal.

Um dos primeiros criadores que alugaram o “caminhão-abatedouro” foi a Cabanha Claredale, de propriedade de John Doyle, usando- o na própria fazenda para seu próprio consumo. Ele destaca que a carne produzida em casa tem origem conhecida, inclusive com a nutrição adequada para se obter o sabor procurado pela família.

Mesmo ciente que esse tipo de abatedouro e curral limita-se pelo baixo volume possível de abate ou manejo diário, tornam-se boas soluções para algumas condições particulares. E abrem uma porta para que nichos sejam atendidos, como, no caso do abatedouro móvel, algumas associações, cooperativas ou sindicatos, que podem se organizar e programar abates de uma série de pequenos e médios criadores a fim de atender estabelecimentos varejistas específicos e mesmo alguns pequenos restaurantes locais.

Alexandre Zadra - Zootecnista [email protected] Conheça www.crossbreeding.com.br