Top 100 Zebuínos

TOP 100 2020
Foco e Precisão

Busca por identidade própria e certificada é diferencial dos maiores vendedores de touros zebuínos do Brasil

Laura Berrutti
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Propriedades tecnificadas, com atuação baseada em gestão e trabalho focado em melhoramento e certificação. Este é o perfil de negócio dominante entre os 50 maiores vendedores de touros zebuínos do Brasil conforme o Top 100 2020. Realizado pela Brasil com Z e pela Revista AG, o levantamento realizado há 5 anos, traz a atual radiografia de uma produção de touros zebuínos com foco na garantia de produtividade ao comprador.

Segundo o coordenador do TOP 100 Zebuíno, William Koury Filho, além de investir em tradicionais e consolidados programas de melhoramento, os 50 maiores vendedores de touros zebuínos do país também investem nas próprias avaliações de desempenho. São essas aferições que lhes propiciam conferir aos reprodutores perfis diferenciados e segmentados no mercado. “O touro é a semente melhoradora da pecuária, e semente melhoradora necessita de certificação. São eles que tornam a pecuária brasileira, que já é gigante, mais forte. Os zebuínos são a base da atividade no Brasil. Se existe uma venda enorme de sêmen Angus é porque essa base permite”, lembra o zootecnista.

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Diretor de Pecuária da Agropecuária Grendene, Ilson Corrêa, destaca importância do trabalho em equipe na conquista da primeira colocação

Agropecuária Grendene, de Pedro Grendene, que conquistou a primeira colocação entre os 50 maiores vendedores de reprodutores zebuínos em 2020. Com sedes em Cáceres (MT) e Andradina (SP), o criatório já havia atingido outras posições entre os primeiros cinco colocados, mas, Foco e precisão desde 2018, quando ficou em terceiro lugar, subiu uma posição por ano até agora, quando a comercialização de touros atingiu 1.438 exemplares, sendo 1.338 Nelore Padrão e 100 Nelore Mocho. “O segredo do sucesso é, primeiro, você ter um produto de boa qualidade, e isso você só consegue com bastante trabalho em equipe. Mas também é importante ter um objetivo bem definido”, destaca o diretor de Pecuária da propriedade, Ilson Corrêa.

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Gerente de Pecuária da Agropecuária Jacarezinho, Rafael Zonzini, destaca fertilidade e precocidade dos touros

De acordo com Ilson Corrêa, o objetivo da Grendene é de terminar o ano de 2020 com a venda de 1,5 mil touros, meta que sobe para 2 mil em 2021. “Isso é igual a uma escada, devemos subir degrau por degrau. Não podemos nos desesperar. E pode ter certeza de que, no ano que vem, vamos ficar em primeiro novamente”, ressalta. No ano passado, a média dos touros comercializados no único leilão da propriedade foi de RS 10,8 mil ante os R$ 9,4 mil alcançados em 2018. “Neste setor, nós nunca tivemos crise porque tudo o que produzimos é vendido. Nem sempre é no valor que a gente sonha vender, mas atende aos nossos objetivos. O mercado é muito soberano, é muito leal neste aspecto” diz, acreditando que em 2020, mesmo com a pandemia, a empresa irá atingir melhores desempenhos.

Nelore CEIP

disputa entre a segunda e a terceira posição foi acirrada. Pela primeira vez participando do levantamento, a Agropecuária Jacarezinho, de Marcos Molina, com unidades nos estados da Bahia, do Mato Grosso do Sul e de São Paulo, garantiu o segundo lugar do ranking. O criatório foi líder na comercialização de touros Nelore Padrão com a venda de 1420 exemplares com Certificado Especial de Identificação e Produção (CEIP). “A gente se sente lisonjeado de estar nesta lista seleta, foi uma surpresa a gente estar em segundo lugar, pensei que ia ficar em quarto ou quinto. Se fosse resumir o nosso rebanho, eu diria duas coisas: fertilidade e precocidade. E quando falo de precocidade, é sexual, de crescimento e de acabamento”, destaca Rafael Zonzini, gerente de pecuária da AJ.

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Gerente de Pecuária da CFM, Tamires Miranda Neto, ressalta melhoramento genético realizado há mais de 40 anos pelo criatório

A propriedade tem como estratégia de venda a promoção de três leilões anuais: um no outono, e outros no inverno e na primavera. A média dos animais comercializados nos remates variou entre R$ 9,4 mil e R$ 9,7 mil em 2019. “A gente começa a vender a safra em outubro e termina de vender no ano seguinte, em maio e em julho. A venda está dividida em duas safras”, explica. Objetivo do criatório para 2020 é intensificar o trabalho e vender mais touros. “Este ano vamos fazer 1.600, vamos incomodar a Grendene”, brinca.

A Agro-pecuária CFM, de São José do Rio Preto (SP) contabilizou 1.387 touros Nelore Padrão vendidos no ano passado, todos também portadores do CEIP. “A agropecuária seleciona reprodutores Nelore há mais de quatro décadas. Esse é um diferencial importante porque o melhoramento genético exige tempo e muito trabalho. Com isso, investimos numa safra após a outra para colocar à disposição dos nossos clientes reprodutores rigidamente avaliados para as mais importantes características econômicas, como precocidade sexual, ganho de peso a pasto e qualidade de carcaça”, destaca o gerente de pecuária da empresa, Tamires Miranda Neto

Em 2019, o criatório promoveu três eventos para ofertar os seus exemplares, o Megaleilão, o BullTrade e o Virtuale. Neles, foram comercializados 1.195 touros, com preço médio de R$ 8,5 mil por exemplar, para 116 criadores de 15 estados diferentes- sendo Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás os que mais adquiriram. O restante das vendas ocorreu diretamente nas fazendas do grupo em Magda (SP) e Aquidauana (MS). “Foi um ano muito positivo, com crescimento de 9% no volume de touros vendidos. E, como já é de praxe, cerca de 60% dos reprodutores foram destinados a clientes antigos, que se mantêm fiéis à genética CFM. Esse é o retorno mais importante que podemos ter”, ressalta Miranda, que se mostra otimista com os novos projetos do criatório em 2020. As principais inovações são o uso de informações genômicas na seleção do rebanho e a inclusão da DEP de prenhez precoce (PP14) no Índice CFM.

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Diretor Comercial da Agropecuária Terra Grande, Antônio Lemes, atribui sucesso à dedicação da equipe envolvida na produção dos touros

Pós-venda

Atenção especial à assessoria técnica e à garantia ofertada aos clientes é um dos pilares que levou a Agropecuária Terra Grande, localizada em Bernardo Sayão (TO), a ocupar a quarta posição entre os maiores vendedores de touros no Brasil. “Nós enxergamos em nossos clientes bem mais que um simples negócio, eles são o bem de maior valor dentro da nossa empresa”, destaca o diretor comercial da propriedade, Antônio Lemes. De acordo com ele, a dedicação da equipe envolvida no melhoramento genético de animais capazes de atender a diferentes modelos pecuários também contribuiu para a propriedade atingir a marca de 1.325 touros Nelore comercializados em 2019.

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Maurício Filho, diretor de Pecuária da EAO Agropecuária, diz que empresa prioriza qualidade à quantidade de animais

Em 2019, a propriedade comercializou 972 reprodutores em leilões para 233 clientes pela media de R$ 10,9 mil, o que significa um crescimento de 14,59% frente ao ano anterior. Antônio Lemes é mais otimista para 2020, e diz ter o objetivo de vender 1.500 touros. “Nos primeiros meses do ano, tivemos um fenômeno que jamais tínhamos vivenciado, uma grande procura por touros melhoradores, o que, normalmente, só iniciava em meados do mês de maio. Mesmo com todas as dificuldades que o mundo atravessa, não podemos parar e devemos continuar a produzir alimentos para a humanidade”, pontua.

Qualidade antes da quantidade

A EAO Agropecuária, sediada em Itagibá (BA), ficou na quarta posição do levantamento com 1.010 touros zebuínos comercializados, sendo 970 eram Nelore Padrão e 40 Brahman. Para Para o diretor de Pecuária do empreendimento, Maurício Filho, o grande segredo do criatório é buscar a “qualidade genética antes de produzir quantidade. A quantidade vem como plano de fundo”, ressalta. Para chegar ao padrão de qualidade superior, a EAO utiliza-se de ferramentas, como acasalamento dirigido, participação de dois programas de melhoramento genético e ultrassonografia de carcaça em todo o rebanho.

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CV Nelore Mocho, de Carlos Viacava (E) e do filho Ricardo Viacava (D), lidera a venda de touros Nelore Mocho no Brasil

Em 2019, a EOA organizou três leilões: um em março, um mega leilão em julho e outro em setembro. A média dos touros ficou em R$ 12,8 mil. A grande novidade da propriedade para o ano de 2020 é trabalhar com eficiência alimentar através da tecnologia da Intergado. O aparelho registra diariamente o consumo de alimento, ganho de peso e demais parâmetros associados ao comportamento ingestivo dos animais. “São chocos que permitem que testar os animais para saber os que comem menos, mas ganham mais”, explica.

A CV Nelore Mocho é o criatório líder em vendas em Nelore Mocho, com a comercialização de 670 exemplares. Ao todo, a propriedade, que é localizada em Caiuá (SP) e capitaneada por Carlos Viacava, negociou 723 animais, sendo os 53 restantes Nelore Padrão. A preferência pela raça é devido à maior segurança que estes animais proporcionam. “É bom porque o animal é Nelore, mas é melhor porque é mocho. Isso porque ele tem todas as características de adaptação, melhor gado para região tropical e subtropical, mas o mocho não tem chifre, não machuca as pessoas, nem os outros animais”, explica Carlos Viacava.

Em 2019, os animais foram comercializados em três leilões, com a média de R$ 8,5 mil. Porém este ano, a CV Nelore Mocho irá ofertas os seus animais em uma venda única, no programa “De olho na Fazenda” do Canal do Boi, entre os dias 18 e 28 de setembro. Serão colocados 600 touros em pista, além de 400 fêmeas: 200 vacas e 200 novilhas. Depois de dois anos com a comercialização fraca, Carlos Viacava acredita que, neste ano, as vendas e a valorização dos animais irão aumentar. “A pandemia não atrapalhou a pecuária. Graças à China, o boi está firme e tem muita gente querendo touro. Tem a inflação, a taxa de juros está baixa e os caras preferem investir em pecuária”, analisa.