Sala de Ordenha

Queda na produção e mercado mais ajustado

Houve queda no preço do leite pago ao produtor em maio, referente à produção de abril. Considerando a média nacional, o recuo foi de 2,0%, na comparação mensal. O preço médio ponderado dos 18 estados pesquisados pela Scot Consultoria ficou em R$ 1,256 por litro, sem o frete. Já o valor médio com bonificações por qualidade e volume ficou em R$ 1,658 por litro, queda de 0,7% em relação ao pagamento anterior. Veja a Figura 1.

Sala

A queda no preço do leite ocorre devido ao escoamento mais fraco no mercado interno desde meados de março com a pandemia de coronavírus, situação agravada em abril. Naquele momento, a relação oferta e demanda foi mais afetada devido à queda brusca no consumo. Atualmente, o mercado do leite está “um pouco mais ajustado”, com o peso maior da entressafra no Brasil Central e na Região Sudeste, além dos investimentos menores do produtor, custos de produção maiores e o clima afetando a produção no Sul do País.

Segundo o do Índice Scot Consultoria de Captação, o volume captado de leite diminuiu 3,3% em abril e caiu 1,9% em maio, segundo dados parciais (média nacional). Na comparação com maio do ano passado, a captação caiu 7,9%..

Spot e atacado

A oferta mais ajustada à demanda deu sustentação aos preços do leite e derivados na primeira quinzena de junho. Houve forte alta do leite no mercado spot, que é o leite comercializado entre as indústrias, o que corrobora com o quadro de mercado mais equilibrado.

No atacado, os preços dos produtos lácteos subiram, em junho, com os estoques menores nas indústrias diante da queda no processamento. Para o leite longa vida e o queijo muçarela, as altas foram de 5,6% e 9,3% na comparação quinzenal. As cotações dos lácteos reagiram também no varejo. No caso, 6,1% para o leite longa vida e 3,1% para a muçarela na primeira quinzena de junho.

Do lado da demanda, a expectativa é de que o consumo doméstico melhore gradualmente, conforme ocorra a abertura gradual do comércio. No entanto, este ainda é um ponto de cautela, já que a situação financeira da população prejudicada pela crise poderá afetar o consumo em médio e longo prazos, principalmente os produtos de maior valor agregado.

Expectativas

Para o pagamento a ser realizado em junho de 2020, referente à produção entregue em maio de 2020, o tom do mercado é de estabilidade, na comparação mensal, com 42% dos laticínios pesquisados apontando para manutenção dos preços pagos aos produtores, 35% falando em aumento e os 23% restantes estimando queda.

A queda mais forte na produção nas últimas quinzenas ajustou, em parte, a oferta de leite à situação atual do consumo interno, patinando. Com isso, o mercado deverá seguir com preços mais estáveis no próximo pagamento, com algumas indústrias sinalizando pequena recuperação nos preços pagos ao produtor no Sudeste em função da entressafra.

No Sul, a expectativa, segundo a maior parte das indústrias é de estabilidade no preço do leite pago ao produtor, com uma produção mais fraca neste início de safra na região. No Nordeste, a pressão de baixa é maior com o turismo afetado e o cancelamento das festas juninas.

Para o pagamento a ser realizado em julho, a maioria dos laticínios estima estabilidade nos preços do leite, com exceção da Região Nordeste, onde prevalece o viés de baixa.

Rafael Ribeiro de Lima Filho, zootecnista msc Scot Consultoria