Santo Capim

A sustentabilidade da tecnologia de correção e ADUBAÇÃO DO SOLO
Parte I

Santo

Adilson de Paula Almeida Aguiar é zootecnista; professor de Forragicultura e Nutrição Animal no curso de Agronomia, de Forragicultura e Pastagens e Plantas Forrageiras no curso de Zootecnia nas Faculdades Associadas de Uberaba (Fazu); investidor nas atividades de pecuária de corte e de leite; consultor associado da Consupec – Consultoria e Planejamento Pecuário Ltda.

Cada vez se torna mais evidente a necessidade de se adotar tecnologias de alto insumo como base da intensificação dos sistemas de produção em pasto. Neste artigo, apontarei os fatores que levarão, de modo crescente, os produtores à necessária intensificação pela adoção de tecnologias de alto insumo, tal como a correção e adubação.

O maior dilema da humanidade, já nos dias de hoje e cada vez mais no futuro, é o de continuar aumentando a produção de alimentos para atender a uma demanda crescente sem que a agropecuária avance sobre áreas nativas e sem degradar o meio ambiente. A FAO estima que, até 2050, a produção de alimentos dobre em relação à de 2000 para atender à demanda mundial. Em 1990, quando a população mundial alcançou 5,2 bilhões de habitantes, a produção mundial de alimentos foi de 2 bilhões de toneladas, número que deve atingir 4 bilhões de t em 2025 para alimentar 8,3 bilhões de habitantes. Espera-se também que renda per capita dobre nos países em desenvolvimento e obtenha um acelerado crescimento econômico na Ásia, na Rússia e na Europa Oriental.

A China já consome 19% da produção de grãos do mundo, e consumirá 41% por volta do ano 2031. Os estoques mundiais de alimentos vêm caindo. A demanda por produtos de origem animal não tem sido diferente. O consumo de carne per capita entre os chineses mais do que dobrou nas últimas duas décadas e meia, enquanto o de leite praticamente quadruplicou. A demanda mundial de carne bovina tem aumentado numa média anual de 350 mil toneladas.

A produção de alimentos enfrentará cada vez mais uma competição acirrada com outras atividades de exploração da terra. A maior ameaça considerada pela FAO é o uso do solo para a produção de culturas destinadas à produção de biocombustíveis. A área ocupada com reflorestamento também crescerá devido à demanda para a produção de energia. Entretanto, a terra agricultável não passará dos atuais 1,5 bilhão de hectares até 2050, o que causará uma redução na área agricultável, per capita, de 0,23 ha/habitante para 0,16 ha/hab.

Segundo a FAO, de todo o aumento na produção de alimentos, apenas 20% virá da incorporação de áreas naturais em áreas de produção. Os 80% restantes virão das áreas já exploradas atualmente, indicando a necessidade de se incorporar mais tecnologia dentro dos sistemas de produção. Nesse contexto, a contribuição de fertilizantes para a produção agrícola deverá, obviamente, aumentar. Estudos realizados pela equipe da FAO indicaram que, no início da década dos anos 2000, a aplicação de fertilizantes contribuiu com 43% das 70 milhões de toneladas de nutrientes removidos pela produção agrícola global. No futuro, para suprir a demanda crescente por alimentos, essa contribuição deveria ser de 84%.

No Brasil, não tem sido e não será diferente, apesar de ser um dos únicos países do mundo a possuir áreas nativas com potencial agrícola disponível para a incorporação de atividades econômicas. Além da competição pela terra entre diferentes atividades econômicas, parte da área agricultável deverá ser substituída por reservas legais (20% da área total nas regiões Sul, Sudeste e Nordeste; 35% no bioma Cerrado; 80% no bioma Amazônico e 50% na transição para este último bioma) e áreas de preservação permanente para a eliminação de passivos ambientais.

Diante desse cenário, um dos reflexos esperados será o aumento significativo do valor da terra agricultável. Uma conclusão aceitável desta rápida análise é que a exploração da terra deverá ser intensificada através da adoção de tecnologia. Pergunta-se, como a pecuária brasileira (leia-se, as pastagens) estará inserida neste contexto, já que ocupa grandes extensões do solo brasileiro?

Confira a resposta e a continuação deste artigo na próxima edição.