Caindo na Braquiária

Algo sobre combustíveis fósseis, gado e MUDANÇA CLIMÁTICA

Caindo

Alastraram-se em nosso meio – como uma nuvem de gafanhotos – dois vídeos gravados por uma cantora e um artista muito admirados pelo povo, com suas ignóbeis opiniões a respeito do “mal que o boi faz à humanidade”. Como de costume, fui pesquisar um pouco a respeito, tentando entender todo esse dito “mal” que nosso boi faz ao planeta.

Por coincidência, recebi do site beefmagazine uma esclarecedora conversa com Frank Mitloeher, um dos maiores especialistas de qualidade do ar, professor e pesquisador do Departamento de Zootecnia da Universidade da Califórnia (EUA), considerado pelos seus pares da área como o guru no assunto efeito estufa. Quero, então, pedir permissão aos leitores para traduzir aqui alguns pontos que desmistificam o assunto.

O site faz a seguinte introdução: “Durante esta pandemia, o que se observou foi uma melhora significativa na qualidade do ar nas áreas urbanas, oferecendo uma oportunidade de reflexão sobre o conceito equivocado da população a respeito dos causadores do efeito estufa”. E continua citando os pontos a seguir, sobre os quais faço um breve resumo:

• Qual a vida média de um arroto bovino no ar?

“A vida média do dióxido de carbono (gás produzido pela queima dos combustíveis fósseis) no ar é em torno de mil anos, enquanto a do metano (gás produzido pelo arroto bovino) é cerca de dez anos.” A informação esclarece que o metano é produzido e destruído continuamente, detalhe que, muitas vezes, não é considerado pelos ambientalistas.

• Pode nos explicar o ciclo biogê- nico do carbono?

“Você já se perguntou onde o metano (do gado) se origina e como acaba? Os gases de efeito estufa relacionados aos bovinos são muito diferentes dos gases produzidos pelos combustíveis fósseis. Para começar a entender essa diferença, devemos ter ciência de que o ciclo biogênico do carbono começa quando o gado ingere forragem. Sendo o início de tudo a formação do pasto, o qual precisa de luz do sol, água e carbono em forma de CO2 (do ar) para se desenvolver. Então temos um carbono que vai da atmosfera para as plantas, depois para o rúmen, sendo parte convertido e lançado no ar como metano”. E continua: “Depois de uma década, é convertido de volta a CO2 (via oxidação hidroxílica)”. Em outras palavras, o carbono do nosso metano se origina da atmosfera e volta para a atmosfera. E segue: “Esse é um ciclo virtuoso, no qual produzimos com pegada zero de carbono se tivermos um rebanho constante por dez anos, pois, dessa forma, não estaremos adicionando novas moléculas de carbono à atmosfera”.

Quando as pessoas comuns tomarem ciência de que o metano é parte da atmosfera, ficará mais fácil entender por que comparar emissões de carbono geradas de bovinos e de combustíveis fósseis é totalmente ridículo.

• O que tem a dizer sobre os com- bustíveis fósseis?

“O carbono fóssil realmente é originado na forma de combustível fóssil, o qual se formou há 200 milhões de anos por meio de florestas e animais fossilizados. Esses combustíveis estão armazenados no solo do qual os extraímos, os queimamos na forma de combustível e, dessa maneira, jogamos na atmosfera algo que não estava mais à disposição.” E continua: “Isso não é um ciclo. Na verdade, é uma via de mão única, sendo, então, o principal culpado dos gases de efeito estufa”.

Dessa forma, Dr. Mitloeher nos dá mais fundamentos para podermos nos posicionar corretamente sempre que alguns urbanoides alienados falarem besteira nas redes sociais. Lembro que boa parte dos moradores das grandes cidades procura informações seguras a respeito de assuntos controversos como esse, para os quais tiro meu chapéu.

Alexandre Zadra - Zootecnista
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