Sala de Ordenha

Mercado do leite perde força com fraca demanda

Depois de quatro meses de alta, os preços pagos aos produtores tiveram ligeiro recuo no Sudeste e Brasil Central, e subiram (pouco) no Sul do país no pagamento realizado em abril referente a produção de março.

As dificuldades de escoamento no mercado interno, devido as medidas de controle da Covid-19, tais como o fechamento de restaurantes, bares, lanchonetes, etc., pressionam o mercado, mesmo com a produção em queda.

Considerando a média ponderada dos dezoito estados pesquisados pela Scot Consultoria, houve recuo de 0,2% no pagamento realizado em abril, que remunera o leite entregue em março deste ano. O produtor recebeu, em média, R$1,281 por litro.

Já o valor médio com bonificações por qualidade e volume ficou em R$1,670 por litro, 0,1% mais frente ao pagamento anterior.

Nem mesmo a produção de leite caindo com mais força neste início de entressafra foi suficiente para dar sustentação aos preços do leite em meio as dificuldades de escoamento na ponta final.

Segundo o do Índice Scot Consultoria de Captação, o volume captado diminuiu 3,0% em março e caiu 3,8% no parcial de abril (média nacional).

O clima adverso, especialmente no Centro Sul, os custos de produção maiores e a pressão sobre o pagamento do leite tem refletido negativamente na produção nas principais bacias leiteiras. As quedas observadas na produção de leite têm sido bem acima do registrado neste mesmo período do ano.

Em São Paulo, Minas Gerais e Goiás, os preços ao produtor caíram ligeiramente. A pressão de baixa é maior devido a destes estados atenderem os principais mercados consumidores (Sudeste), incluindo grande parte das pizzarias, restaurantes, entre outros estabelecimentos fechados.

Nos estados do Sul do país, a queda mais forte na produção deu sustentação aos preços neste último pagamento, mas o viés é de baixa para o próximo pagamento, sem melhorias esperadas no consumo interno.

Para o pagamento a ser realizado em maio/20, referente a produção entregue em abril/20, a expectativa é de queda no preço do leite pago ao produtor em 68% dos laticínios pesquisados e, nos 32% restantes, a previsão é de manutenção.

Caso a demanda não melhore, a pressão de baixa deverá seguir sobre os preços do leite e derivados nos próximos pagamentos, mesmo com um volume menor de leite (matéria -prima) no mercado interno.

Para o produtor de leite, a situação está complicada já que além da pressão de baixa sobre os preços recebidos, os custos de produção da atividade voltaram a subir em maio com a alta dos alimentos concentrados, com destaque para o milho e o farelo de soja.

Rafael Ribeiro de Lima Filho, zootecnista msc Scot Consultoria