O Confinador

Combinação de PESO

Escolha balanceada de ingredientes na formulação da ração amplia digestibilidade, conversão e eficiência alimentar no cocho

Bruno Andrade1

A nutrição no confinamento pode representar entre 20 a 35% do custo operacional total do sistema de produção. Dessa forma, toda atenção é necessária no momento de formular a dieta e escolher os insumos. Além disso, uma boa combinação entre eles pode promover resultados excepcionais no confinamento. É importante lembrar que a teoria e a prática são bem diferentes, porém igualmente importantes no momento de tratar sobre nutrição de bovinos de corte. Por exemplo, a dieta formulada é diferente da dieta ofertada aos animais, que é diferente da dieta consumida. A dieta formulada é considerada ideal, pois supre todas as exigências nutricionais dos animais. A ofertada e a consumida, normalmente, sofrem alterações, seja pelo processo de fabricação ou por fatores relacionados ao próprio animal. Assim, palatabilidade dos alimentos, tamanho de partícula, homogeneização da mistura, capacidade de consumo, lotação das baias, estado de saúde dos animais e clima, todos esses itens interferem no resultado esperado.

Uma vez definidos os alimentos que serão utilizados na composição da dieta, o produtor deverá observar critérios para montar uma ração balanceada, que permita ao animal expressar todo o seu potencial. O balanceamento é importante para evitar que ocorram deficiências nutricionais e para que a ração tenha uma boa digestibilidade, conversão e eficiência alimentar. Os principais distúrbios metabólicos que podem ocorrem em animais confinados por conta de má alimentação são timpanismo, enterotoxemia, acidose lática e laminite.

Neste cenário, a utilização de aditivos, probióticos e tamponantes nas dietas pode auxiliar o produtor na contenção dos distúrbios metabólicos, bem como melhorar os indicadores zootécnicos relacionados a nutrição. Existe uma grande quantidade de produtos que hoje são comercializados por empresas de nutrição, como os ionóforos (monensina, lasalocida e salinomicina), antibióticos não-ionóforos (virginiamicina), probióticos, inoculantes ruminais, leveduras, tamponantes e extratos naturais de plantas (tanino, saponinas e óleos essenciais).

A interação entre os ingredientes, seu processamento, qualidade, palatabilidade e adaptação para o fornecimento ao animal são fundamentais para o sucesso de uma ração. Se não for observado o rigor técnico no momento da formulação, fabricação e oferta ao animal, ainda que os ingredientes sejam de ótima qualidade, o animal não desempenhará o que foi planejado. Dessa forma, deve-se procurar sempre um profissional da área para que possa montar a dieta de seu confinamento.

Alimentos e características

Primeiramente vamos definir as duas principais classificações dos alimentos para bovinos de corte, volumoso e concentrado. Segundo a Embrapa Gado de Corte, os alimentos volumosos são aqueles que possuem teor de fibra bruta – FB superior a 18% na matéria seca – MS, como por exemplo: capins, fenos, silagens em geral e palhadas. Alimentos concentrados são aqueles com menos de 18% de fibra bruta na matéria seca e podem ser classificados como proteicos, com mais de 20% de proteína bruta na MS, ou concentrados energéticos, com menos de 20% de proteína bruta na MS. Usualmente, utilizamos o termo matéria seca – MS para comparar os alimentos quanto às suas características nutricionais e custo. A MS é a porção do alimento, excluída a sua umidade natural.

CONCENTRADOS Milho

Considerado o principal ingrediente concentrado energético do confinamento, é sempre observado pelo pecuarista de perto. Seu processamento para uso pode ser: quebrado, moído, laminado ou floculado. A inclusão média do milho nas dietas de confinamento é de 63% no subtotal da porção de concentrado da dieta. É um alimento com alto teor de energia, baixo teor de proteína e de ótima aceitação pelos animais. É rico em pró-vitamina A (betacaroteno) e possui baixos teores de alguns aminoácidos (triptofano e lisina), cálcio, riboflavina (vitamina), niacina e vitamina D. Apenas como referência, o milho moído fino possui 87% de matéria seca, 9% de proteína bruta, 4% de extrato etéreo, 85% de NDT, 15% de FDN e 4% de FDA.

Sorgo

É um cereal energético com boa fonte de amido e menor custo de produção se comparado ao milho. Seu valor nutritivo é semelhante ao do milho, porém, com menor teor energético, que pode não impactar o desempenho do animal, dependendo do processamento. Para tanto, é recomendável que seja utilizado moído. Um detalhe importante é que esse cereal possui um fator antinutricional, o tanino. Esse composto diminui a degradação da proteína, podendo prejudicar o desempenho dos animais, porém já há cultivares com baixa quantidade de tanino disponível. Outro ponto importante ao utilizar o sorgo, assim como o milho, é observamos quanto a contaminação por fungos e proliferação de microtoxinas nocivas. O sorgo em grão possui 87% de matéria seca, 13% – 15% de proteína bruta, 3% de extrato etéreo e 78% de NDT.

Farelo de soja Considerado um concentrado proteico, é um dos principais produtos utilizados na pecuária de corte. Possui 88% de matéria seca, 48% – 49% de proteína bruta, 2% de extrato etéreo e 78% – 79% de NDT. Possui baixo ter de cálcio e teor moderado de fósforo.

Farelo e torta de algodão

A torta de algodão 28% é extraída a partir do esmagamento da amêndoa do caroço do algodão. Essa torta possui teores mais baixos de proteína bruta, em torno de 28% a 30% na MS e altos para extrato etéreo, normalmente acima de 9%. O farelo de algodão é obtido, também, após a extração do óleo, porém são utilizados solventes químicos para otimizar o processo. Dessa forma, obtém-se um produto com menores teores de extrato etéreo, por volta de 1% na MS. A proteína bruta pode variar de 30% a 44% na MS.

Caroço de algodão

Concentrado energético, possui grande palatabilidade, e é uma boa alternativa para aumentar a energia das dietas. O fato limitante para seu uso é o alto teor de gordura. Sua introdução na dieta dos animais deve se dar de forma gradativa, pois seu excesso pode comprometer a flora microbiana do rúmen, prejudicando a digestibilidade das fibras, ocasionando diarreia. Recomenda-se limitar seu uso para que a ração final não tenha mais de 7% de extrato etéreo. Quanto à sua composição, possui 90% – 91% de MS, 22% – 25% de PB, 17% – 23% de EE, 37% -47% de FDN e 26% – 39% de FDA.

Polpa cítrica

Produto obtido através do tratamento dos resíduos sólidos e líquidos da extração do suco de laranja, como casca, polpa e semente. Estudos indicam que o produto melhora o padrão de fermentação ruminal em dietas com até 50% de concentrado, devido a maior concentração de pectina, ao contrário de outros concentrados energéticos que possuem grande quantidade de amido. A inclusão de polpa cítrica associada a fontes de amido pode evitar o aparecimento de problemas ruminais, principalmente impedindo a queda abrupta do valor do pH ruminal. Recomenda-se o uso do produto peletizado, que contém 88% de MS, 7% de PB, 78% de NDT, 3% de EE e 24% – 25% de FDN.

VOLUMOSOS

Em geral, boa parte dos produtos que se encaixam nesse grupo de alimentos são produzidos na própria fazenda devido ao seus custo logístico de transporte e por terem grande teor de umidade, como silagens e capins. Um volumoso de alta qualidade é também um volumoso de alta digestibilidade.

Pensando na produção de silagens, é necessário observar alguns pontos, como: escolha da forrageira (seja para a produção de silagem ou uso in natura), condução agronômica adequada, momento de colheita adequado, armazenamento, tamanho de partícula e conhecimento do processo de ensilagem e desensilagem.

1 Gerente Executivo da Associação Nacional da Pecuária Intensiva (Assocon)