Irrigação

Divisor de ÁGUAS

Avanço tecnológico garante pasto verde o ano todo para o gado com gestão sustentável de recursos financeiros e naturais

Vinícius Maia Costa1 e Diego Pezzini2

Em busca de mais produtividade, agricultores e pecuaristas investem cada vez mais em sistemas de irrigação. Só no Brasil, em 2015, a área irrigada aproximava-se dos 7 milhões de hectares de acordo com a FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura), como reflexo dos bons resultados e, claro, do aumento do lucro das fazendas.

A FAO também calculou, em 2018, que o país já estava preparado para uma expansão de 65%, podendo chegar a cerca de 11,5 milhões de hectares em um prazo de até cinco anos.

Neste cenário, o pivô central desponta como a forma de irrigação que mais cresce em nível nacional. De acordo com o Levantamento da Agricultura por Pivôs Centrais no Brasil (19852017), publicado pela ANA (Agência Nacional de Águas) e Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), os pivôs ocupavam, em 2017, um total de 1.476 milhão de hectares em todo o país – uma área 47 vezes maior do que a registrada em 1985 e o triplo da calculada em 2010. Segundo o mesmo levantamento, o pivô responde por 20% de toda a área irrigada nacional, e está crescendo a um ritmo de, em média, 91 mil hectares por ano, com uma previsão da aceleração dessa expansão até 2030. Em nível mundial, o crescimento também surpreende. Entre a década de 1960 e os anos 2000, a FAO informa que a área irrigada aumentou em 138 milhões de hectares, enquanto o sequeiro cresceu apenas 36 milhões.

A tecnologia que tem se tornado cada vez mais importante nas lavouras tem atraído atenção dos pecuaristas também. É nítido o crescimento constante de áreas de pastagens irrigadas no Brasil. Em especial, com uso de pivôs centrais. Um dos pontos que aproximam a ferramenta do pecuarista é o altíssimo nível de tecnologia dos equipamentos, que lhe permitem guiar o processo com um rigoroso padrão de sustentabilidade no uso de água e energia. Com ajuda dos recursos de inteligência artificial para aplicação da água, o produtor tem não só a garantia do pasto verde o ano todo, mas o controle de todo o processo da engorda. Por exemplo, com o pasto irrigado, o pecuarista tem a noção exata de quando conseguirá vender do animal para abate muito mais rapidamente do que em áreas não irrigadas.

Em uma propriedade irrigada por pivô central, o criador de gado tem a oportunidade de segmentar as pastagens, dividindo-as em piquetes para que o rebanho – seja de corte ou leiteiro – circule a partir de uma ordem específica e alimente-se somente nas áreas já irrigadas.. Assim, os animais têm acesso a um alimento em condições otimizadas, aumentando os ganhos nutritivos em um espaço reduzido. E o criador consegue atender a um número maior de cabeças por vez em cada espaço. Ao mesmo tempo, a irrigação prepara a seção subsequente em o alimento está em crescimento. E, nas anteriores, funciona para acelerar a reposição da alimentação. Outro benefício importante diz respeito à variedade expressiva de pastagens que podem ser plantadas, o que permite o uso do pivô em diferentes sistemas produtivos, com diversas raças bovinas, oferecendo um amplo leque de opções para o produtor.

Eficiência e sustentabilidade

O avanço para o gado veio em paralelo ao avanço tecnológico nos pivôs centrais em termos de tecnologia embarcada na máquina e no projeto com finalidade de reduzir custos e melhorar a gestão. Da telemetria – tecnologia capaz de monitorar e controlar equipamentos à distância à inteligência artificial, já presente em pivôs Valley, por exemplo, é possível interligar equipamentos a sensores diversos e associá-los a ferramentas de gestão da irrigação, provendo um universo infindável de oportunidades de melhorias e economia da operação.

Certamente, uma análise econômica deve ser realizada para avaliar a viabilidade de irrigação da pastagem por pivô; o tamanho da propriedade e da área irrigada, sua interação com clima e a capacidade de lotação de animais por hectare, assim como a relação mais favorável de preço de compra e venda de animais impactam no projeto. Para o caso de pasto, o que se busca no pasto não é só volume, mas qualidade e constância, capaz de suprir da melhor maneira o rebanho, com menor sazonalidade de produção.

O avanço da tecnologia na irrigação permite que a produção de pastagem seja a mais eficiente possível, promo vendo o aproveitamento não só do espaço, mas também da água utilizada. Com isso, aumenta-se a sustentabilidade de todo o sistema produtivo, que conta com menos desperdícios e uma alimentação calculada paro gado. O uso racional dos recursos impacta também diminui os custos, já que a irrigação ocorre na medida certa, no momento ideal e no espaço definido, sem usos excessivos de recursos. O retorno também é eficiente, já que os animais se alimentam em um período mais curto de tempo e com melhores ganhos nutritivo.

Essas tecnologias destacam-se por recolherem dados automaticamente. Casos mais avançados já trazem à realidade estes dados sendo processados por um algoritmo. E, por repetição e interferências humanas cada vez menores, os pivôs passam a “aprender” com a análise. É o que chamamos de ‘learning machine’ (uma máquina que aprende). No caso do pivô, teremos equipamentos que são capazes de identificar os problemas na área irrigada por meio de sensores, câmeras térmicas, etc. Mais do que isso, ele também interage com o produtor, o informando sobre esses problemas detectados – uma praga na lavoura, por exemplo.E ssa possibilidade de autonomia, associada à capacidade que o pivô já possuía de ser adaptado com outros produtos e soluções, abre muitas portas para o produtor rural. Podemos imaginar pivôs que operam integrados numa plataforma, via telemetria, conectados a diversos outros hardwares e sensores que mensuram as condições para otimizar a irrigação.

As vantagens nesse cenário são evidentes, e não há retorno, mas sim, avanços: a tendência é de acelerar as decisões necessárias para corrigir um problema na lavoura, sem a necessidade do envolvimento do técnico com frequência, e a redução dos custos de manutenção dos equipamentos. O produtor poderá escolher melhor seu momento de manutenção, por exemplo – tudo estará acessível na mão do próprio produtor.

1 Engenheiro agrônomo, mestre em Irrigação e Drenagem, gerente técnico de vendas da América Latina da Valley 2 Engenheiro mecânico, gerente de Engenharia da Valley