Caindo na Braquiária

TRÊS CAMINHOS para a Rainha

O provérbio: “Quem foi rei nunca perde a majestade”, que vem a calhar quando falamos de genética bovina apenas invertendo o sexo do sujeito. Quem foi Rainha nunca perde a majestade!

Aqueles que acompanham minhas crônicas já devem saber a que me refiro quando cito “Rainha”. Novamente, me vejo a detalhar um pouco mais os motivos por ter cunhado o apelido de Rainha da pecuária à nossa F1 Angus/Nelore. A razão principal desse apelido se deve ao lucro que o criador tem com o abate dessa novilha F1, ou mesmo no abate dela com 30 meses após sua primeira desmama, e ainda podendo vendê-la a preço de boi após a segunda cria quando atingir o peso adulto.

Neste artigo, tentarei desvendar os números que cercam essa magnífica produtora de carne de qualidade, a qual é muito procurada pelos melhores restaurantes. Minha afirmação é baseada em experiências junto à indústria frigorífica, que tem procurado essa fêmea F1, bem como sua progênie tricross, remunerando seus fornecedores pela qualidade.

Era por volta das 10h da manhã e meu celular identificou a chamada vinda do meu amigo Ademar Lumertz Scheffer, veterinário gaúcho que mora em Eunápolis, cidade localizada no Extremo Sul da Bahia. Já sabia que seriam momentos preciosos de discussões aprofundadas sobre genética e seus números vindos do campo. E foi ele mesmo quem iniciou a discussão embasada em números sobre seu trabalho com as F1 Angus naquela região, que sofre com falta de capim na seca, me motivando a descrever as diversas formas de uso dessa excelente fêmea F1.

Ademar, veterinário experiente daquela região da Bahia, vem inseminando as matrizes Nelore de seus clientes com sêmen de Angus americano com provas de desempenho sempre altíssimas na busca de produzir machos e fêmeas F1 pesados, castrando todos machos cruzados no nascimento. Da desmama ao abate (24 meses na média), todos os cruzados recebem suplementação proteico-energética, sendo os machos abatidos com 16 @ a 17 @, e as novilhas F1 abatidas na mesma idade com 14 @ a 15 @. Na conta de Ademar, essa é a melhor forma de uso para a fêmea F1 na sua região, em que recebe sempre uma premiação pela qualidade da carcaça.

Outra forma de usar a Rainha da Pecuária diz respeito a fazendas com muita disponibilidade de forragem, em regiões em que chove, anualmente, acima de 2 mil mm. Esse é o caso da fazenda administrada pelo Bento Gonzaga Neto, com mais de 10 mil matrizes localizada no Nortão do MT. A mesma aproveita os recursos naturais para fazer uso da precocidade sexual de suas Fêmeas F1, emprenhando-as com 14 meses de idade. Pelos cálculos de Bento, a maximização do lucro se materializa quando emprenham suas novilhas cruzadas até os 14 meses, pois essa primípara desmama com 8 @ de peso vivo e ainda é abatida com peso acima de 16 @. De acordo com o administrador, a F1 Angus usada uma única vez como matriz deixa 24 @ em 30 meses de idade, e com o advento de receber, no abate, o valor da arroba de boi + a premiação do frigorífico.

A terceira via para o uso das novilhas F1 Angus é para aqueles que não disponibilizam de reposição de matrizes com facilidade ao mesmo tempo em que preferem aproveitar o ganho em peso dessa fantástica matriz quando está prenhe. Na Estância Anamera, localizada em Sacramento, no Triângulo Mineiro, André e Rafael El Faro administram a pequena terra da família, dispondo apenas do Ely como funcionário. Com 50 ha de terra própria e outros 150 ha arrendados dos vizinhos, tocam um rebanho de 300 fêmeas, parte comprada quando bezerras e parte já oriunda de seu rebanho.

André e Rafael El Faro se apresentam como engordadores de fêmeas; no entanto, como eles mesmos descrevem, “somos invernistas de fêmeas, mas aproveitamos o tempo que permanecem na fazenda como matrizes. Ou seja, temos o lucro com o ganho de peso delas e ainda com as 7 @ de bezerro que nos deixam”

Os jovens administradores têm como objetivo abater todas as vacas que atingem seu peso adulto, pois lembram que, a partir desse momento, elas se tornam menos lucrativas ao não ganhar mais peso. Nas suas contas, as novilhas que emprenham com 9 @ a 10 @ parem, pela primeira vez, com 14 @. Na sequência, reemprenham essas primíparas, que virão a parir, na segunda vez, com 500 kg. Nesse momento, eles definiram pesos máximos para que as matrizes Nelore e cruzadas permaneçam em reprodução, decisão tomada antes da terceira inseminação das secundíparas. Ou seja, não serão inseminadas e, posteriormente, levadas ao abate após a desmama de seus bezerros aquelas vacas Nelore com mais de 400 kg e, também, aquelas F1 Angus com, no mínimo, 450 kg de PV.

Os irmãos têm conseguido abater as vacas Nelore acima de 15 @ e as mães F1 Angus acima de 17,5 @. Dessa forma, eles afirmam que conseguem 8 @ de ganho em peso das fêmeas F1 em 28 meses (42 meses no abate – 14 meses na primeira prenhez) de permanência na fazenda com o advento de 16 @ dos dois bezerros produzidos por elas. Assim, eles produzem 24 @ em 28 meses. Na visão dos irmãos, nada produz como uma fêmea F1 jovem usada na reprodução, pois ela ganha peso e ainda deixa muitos quilos de bezerro na fazenda.

Portanto, cada dia mais nos certificamos que essa é, realmente, a “Rainha da pecuária, pois se encaixa em todo o sistema pecuário, se moldando a cada mercado”.

Alexandre Zadra - Zootecnista [email protected] Conheça www.crossbreeding.com.br