A Voz do Criador

“Quem chega primeiro bebe água limpa”

Assim encerrou sua entrevista à Revista AG o nosso querido professor da Esalq/USP, doutor e um dos maiores especialistas em pastagens no Brasil, Moacyr Corsi. Com a simplicidade conferida aos grandes mestres do conhecimento, ele ascendeu o sinal vermelho aos criadores que ainda não atentaram à aceleração do processo de seleção natural de mercado já tão anunciada por estudiosos do setor. Na verdade, quem chega primeiro não só bebe a água limpa como também sacia a sede mais rápido, bebe um líquido de melhor qualidade, e, se bobear, em maior quantidade que seus concorrentes. Em analogia à urgente profissionalização da atividade pecuária, tal qual ocorreu na agricultura, Corsi não só se refere à corrida pela água, mas também pela comida: “Quando houver mais pecuaristas competindo pelo mesmo prato, mais difícil ficará a sobrevivência”

Justamente água e comida tornaram-se ouro nestes tempos de pandemia e reflexão. Os insumos básicos à sobrevivência humana – garantidos a pleno pelo nosso agro – no sentido literal , ganham novos contornos na pecuária de agora em diante, pois somente sobreviverá quem produzir mais, melhor e de forma sustentável sobre o mesmo pedaço de terra.

Mas se engana quem pensa que o privilégio destina-se apenas aos grandes empresários-pecuaristas. Corsi, com poucos conselhos desmonta essa ideia. O primeiro deles é começar a intensificar a produção modestamente, em área pequena, gradativamente. O segundo é pensar grande, aceitar desafios, bater metas de produtividade sustentável, usar índices zootécnicos como ferramentas, e não como metas. E o terceiro é ser rápido, “correr para beber água limpa”, afinal os concorrentes competentes, que pensam em metas ousadas, ainda são poucos e raros.

Um desses poucos e raros é o criador Wilson Brochmann, da Agropecuária Maragogipe, que contou à Revista AG como “Quem chega primeiro bebe água limpa” conseguiu, por meio da Integração Lavoura Pecuária, recuperar mais de 8 mil hectares de pastagens degradadas em 12 anos. E porquê considera a ILP um caminho sem volta para sua propriedade.

A busca pela eficiência na produção de gado por meio da recuperação de pastagens degradadas e da intensificação também é relatada pela maior organização de conservação ambiental do mundo no Brasil, a TNC Brasil. Juntamente com a Liga do Araguaia, Grupo Roncador, e com apoio da Iniciativa para o Comércio Sustentável (IDH – sigla em holandês), o grupo idealizou o projeto Campos do Araguaia com o objetivo de fortalecer uma agenda de intensificação sustentável da produção pecuária no Vale do Araguaia, envolvendo 11 municípios no estado do Mato Grosso.

É a pecuária brasileira trabalhando para ser mais eficiente, para ampliar a integração que sempre teve com a agricultura, evidenciada com o cultivo dos pastos e de suas “lagartas de quatro patas”, como também, e tão bem, definiu nosso professor Corsi.

Boa leitura!