Santo Capim

PASTAGENS IRRIGADAS PARTE 5

Dando continuidade à série de artigos sobre pastagens irrigadas, este quinto texto trata de particularidades do manejo da fertilidade de solo em sistema de pastagem irrigada.

Um programa de manejo da fertilidade de solos da pastagem, independentemente de ser ou não irrigada, deve contemplar as seguintes etapas:

a) Escolha da área;

b) Medição e mapeamento da área;

c) Amostragem de solo e de planta, e envio das amostras ao laboratório;

d) Análise laboratorial;

e) Interpretação dos resultados de análises de solo e de planta, e recomendações de correção e adubação;

f) Planejamento e execução do programa;

g) Práticas corretivas: calagem, gessagem, fosfatagem, potassagem, correção de micronutrientes, correção da matéria orgânica;

h) Práticas de adubação: com cálcio, magnésio, fósforo, potássio, enxofre, micronutrientes, nitrogênio;

i) Tipos de adubação: química, orgânica, organo-mineral;

j) Métodos de aplicação: manual, tração animal, tratorizada, aérea, foliar, fertirrigação. Esse último método de aplicação de fertilizantes via água de irrigação é o mais adotado em pastagens irrigadas;

k) Avaliação dos resultados: resposta técnica e econômica;

l) Avaliação de impacto ambiental.

Recomenda-se iniciar a intensificação pelas áreas de maior aptidão, com topografia plana a levemente ondulada; em solos profundos, bem drenados e mais férteis, protegidos com cobertura morta ou viva; em pastagens com bom stand de plantas; em áreas próximas à sede administrativa de fácil acesso às máquinas etc., principalmente para sistemas de pastagens irrigadas.

A irrigação da pastagem ainda possibilita o controle de umidade do solo, condição que potencializa a resposta às adubações, particularmente com nitrogênio (N) e, principalmente, quando a fonte de N é a ureia convencional.

A irrigação do solo da pastagem possibilitou incrementos nas respostas ao N que variou entre mais 20% para a dose de 200 kg/ha a 52% para a dose de 600 kg/ha.

O valor nutritivo é um parâmetro determinado pelas variáveis, composição química e digestibilidade da forragem, e é influenciado, principalmente, pelos fatores do meio ambiente: latitude, altitude, luz, temperatura, volume e distribuição de chuvas, mas, especialmente, o manejo da pastagem: controle de plantas infestantes e de insetos-pragas, manejo do pastejo e níveis de correção e adubação do solo. Entretanto, a irrigação da pastagem permite a manutenção de praticamente o mesmo valor nutritivo da forragem ao longo das estações do ano por possibilitar a presença de solução do solo em nível constante, de onde a planta forrageira absorve os nutrientes, condição impossível em uma pastagem intensiva, mas não irrigada durante a seca. Além desse aspecto, pela possibilidade de alcançar maiores taxas de acúmulo de forragem ao longo do ano, os níveis de correção e adubação são significativamente mais altos em uma pastagem irrigada quando comparados com os níveis aplicados em uma pastagem intensiva, mas não irrigada, o que influencia a composição química da forragem.