Sala de Ordenha

Mercado firme e em alta

A maior concorrência entre os laticínios pela matéria-prima (leite cru) no campo fez o preço do leite pago ao produtor subir no pagamento realizado em janeiro. Considerando a média nacional dos 18 estados pesquisados pela Scot Consultoria, a alta para o produtor de leite foi de 2,5% – o segundo aumento consecutivo. O produtor recebeu, em média, R$ 1,236 por litro, sem o frete, considerando o leite padrão. Já o preço médio com bonificações por qualidade ficou em R$ 1,621 por litro (Figura 1).

O ritmo menor no crescimento da produção nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, e o recuo mais forte na captação no Sul do País têm reduzido os estoques nos laticínios e dado sustentação aos preços pagos aos produtores.

Em dezembro, o Índice Scot Consultoria de Captação registrou queda de 0,6% na produção (média nacional) em relação ao mês anterior, e os dados de janeiro de 2020 indicam uma queda de 1,2% na comparação mensal.

Para o pagamento a ser realizado em fevereiro de 2020, referente à produção entregue em janeiro de 2020, o viés é de manutenção no preço do leite ao produtor, sendo que 80% dos laticínios pesquisados pela Scot Consultoria acreditam em estabilidade das cotações, 15% falam em alta e os 5% restantes estimam queda.

Para o pagamento de março, a expectativa é de que o viés de alta ganhe força nas bacias leiteiras no Brasil Central e Centro-Sul, ao passo que a pressão de baixa deverá aumentar nos estados do Nordeste, em função das chuvas e do aumento da oferta de leite. No mercado spot, ou seja, o leite comercializado entre as indústrias, os preços estão em alta, o que corrobora com o cenário de maior concorrência entre os laticínios.

Em SP e MG, o preço médio em fevereiro subiu, respectivamente, 3,4% e 2,8%, frente ao fechamento de janeiro último. Os negócios ocorreram entre R$ 1,51 e R$ 1,53 por litro, posto na plataforma. No RS e no PR, as variações foram de 0,7% e 0,5%, no mesmo período, respectivamente, com os preços médios ao redor de R$ 1,53 por litro.

Para o curto e médio prazos, a expectativa é de preços firmes no mercado spot. Do lado da demanda, o final das férias escolares é um fator positivo para o consumo de lácteos no mercado interno.

Resultados

Os números mostram que 2019 foi um ano melhor que 2018, no entanto, ainda difícil para a atividade leiteira. No caso da pecuária leiteira de alta tecnologia (25 mil litros/hectare/ano) houve uma pequena melhora frente ao ano anterior, passando de 0,15%, em 2018, para 0,91% em 2019 (Tabela 1). Para os sistemas de baixa tecnologia, com produtividade média de 4,5 mil litros por hectare por ano, a rentabilidade média foi negativa em 7,9%. Foi o oitavo ano consecutivo de rentabilidade negativa, sendo o pior resultado entre as atividades analisadas.

Para este ano, as expectativas são positivas com relação à melhoria da demanda interna, com a retomada, ainda que ligeira, da economia nacional, que deverá favorecer, principalmente, a procura por produtos lácteos de maior valor agregado. São esperadas valorizações no preço do leite ao produtor no primeiro semestre de 2020 (entressafra), em relação ao mesmo período do ano passado, em função do mercado mais ajustado em termos de oferta e demanda, que, inclusive, deu sustentação ao mercado no final de 2019 e início deste ano.

No mercado externo, o cenário também é animador do lado das exportações. A abertura dos mercados chinês e egípcio, e o acordo comercial com a União Europeia representam possibilidade de escoamento da produção de lácteos. A atenção fica por conta dos custos de produção, que deverão ser maiores em 2020 com relação a 2019, o que pode pesar sobre as margens do produtor. De modo geral, a rentabilidade da atividade leiteira deve melhorar neste ano.

Rafael Ribeiro de Lima Filho, zootecnista Scot Consultoria