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Conexão total

Patricia Guidoux Leal Wolf assume a presidência da Conexão Delta G com meta de avançar na seleção para resistência ao carrapato enquanto fator limitante à produção pecuária, especialmente ao gado britânico e suas cruzas

Revista AG – Quais suas principais metas durante seu mandato na presidência da Conexão Delta G até o final de 2022? Patricia Wolf – O trabalho da Conexão Delta G é muito consistente, com um foco muito claro e objetivo. Somos um grupo de poucas empresas, cuja meta é produzir ativos na pecuária de corte. A genética é o ramo das empresas que nos une para que possamos, em bloco, trabalhar de forma mais intensiva na seleção de animais com alto potencial produtivo. As metas não são minhas, mas sim do nosso grupo, que, junto, define os rumos e as ações. Assim, o trabalho fica mais simples de ser realizado.

Revista AG – Quais são as perspectivas quanto ao trabalho a ser desenvolvido em 2020?

Patricia Wolf – Nossa perspectiva é de avançar na seleção das linhagens mais resistentes ao carrapato, que é um dos limitantes de produção no Brasil e, especialmente, no Sul, nas regiões com gado mais britânico e suas cruzas. Além disso, devemos seguir intensificando o uso de reprodutores que se destacam no Programa Touro Jovem enquanto discutimos novos parâmetros a serem selecionados.

Revista AG – O que os clientes podem esperar para o Sumário 2020/21 da Conexão Delta G?

Patricia Wolf – Segue crescendo a presença de touros originários dos rebanhos participantes da Conexão Delta G. Isso porque o processo de seleção interno é forte. O Programa de Touros Jovens e o Programa da Acasalamento Dirigido estão se confirmando como importantes ferramentas no fortalecimento da excelência genética. Além disso, estuda-se a publicação de novos índices, como o de adaptação, reunindo, em um só ranking, características de resistência ao carrapato, pelame e pigmentação ocular.

Revista AG – Quais são os resultados mais recentes dos estudos realizados entre a Conexão Gelta G, a GenSys e a Embrapa Pecuária Sul?

Patricia Wolf – Vários trabalhos científicos já foram publicados com base na parceria entre GenSys, Embrapa e Conexão Delta G. O último foi publicado em novembro de 2019 e trata da análise comparativa de métodos de predição genômica e acurácia das predições. Os resultados mostram que animais jovens podem ter valores genéticos bem acurados através da genômica, e que os métodos de predição chamados de “Passo Único” ou “Dois Passos” produzem acurácias semelhantes, sem diferenças significativas. Portanto, qualquer um deles pode ser utilizado conforme a disponibilidade, custo ou viabilidade computacional. Outro ponto importante foi a assinatura do contrato entre as três partes do grupo que desenvolveu a tecnologia de predição genômica da resistência ao carrapato, o que permite o acesso de qualquer criador à ferramenta, que, até então, era de uso exclusivo da Conexão Delta G.

Revista AG – A Conexão Delta G completou 25 anos em 2019. Como você resume o trabalho realizado neste período?

Patricia Wolf – Ainda que os resultados mais divulgados em um programa de melhoramento sejam as tendências genéticas, o impacto desse tipo de trabalho vai muito além. Para começar, com uma média anual de 15 mil animais controlados por ano, chegou-se a quase 400 mil nestes 25 anos. Somados aos existentes nos bancos de dados das empresas fundadoras, obtivemos o resultado de meio milhão de animais. Se considerarmos 20 características fenotípicas efetivamente medidas a campo, tivemos 8 milhões de medições neste período. E isso é o resultado de uma rede de pessoas envolvidas no processo, portanto, gerando emprego e trabalho. A partir desses números, chegamos a quase 100 mil Certificados Especiais de Identificação e Produção emitidos ao longo destes 25 anos. Lembrando que o CEIP é um documento regulamentado pelo Ministério da Agricultura (Mapa) e emitido a, no máximo, um terço da produção anual, aos superiores geneticamente.

Revista AG – Como você avalia o cenário em que assume a presidência do grupo?

Patricia Wolf – Vejo um cenário positivo, com o País buscando retomada da economia, que, embora lenta, aparenta ser consistente. É imperativo que tanto o mercado interno quanto o internacional sintam confiança para poder voltar a consumir. O produto pecuário não é diferente dos demais negociados mundo afora. Vivemos anos de muita euforia no Brasil, e, após, veio a recessão e a turbulência política. Parece que, agora, os caminhos serão de maior estabilidade.

Revista AG – De que forma a Conexão Delta G colabora para a sustentabilidade pecuária?

Patricia Wolf – Muito se fala da contribuição do agronegócio ao Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, o que é um fato incontestável. Mas, quando se agrega sustentabilidade ao processo, o ganho é ainda mais significativo para a sociedade. O rebanho do Delta G é pautado pela adaptação ao meio natural onde está inserido, ajudando a preservar os diferentes biomas. Além disso, alia o bom desempenho econômico a investimentos em bem-estar de seus colaboradores e na proteção ao meio ambiente por meio de uma pecuária produtiva e da adoção de boas práticas na produção.