A Voz do Criador

FILÉ MIGNON

A recria sempre foi a fase mais demorada do ciclo pecuário. Por este motivo, ficou conhecida como a mais onerosa, haja vista os quase dois anos que o gado permanece parado no pasto. Com a profissionalização da atividade e as mudanças no consumo de carne – verificadas principalmente nos últimos anos –, essa etapa ganhou um novo papel. Especialmente na produção voltada à matéria-prima dos cortes premium e das exportações enviadas aos mercados mais exigentes.

Isso não quer dizer que a recria tradicional, com alimentação totalmente a pasto e com abate a partir dos 24 meses, esteja extinta. Ao contrário, ainda é recorrente na maior parte do país. Falamos de um trabalho que vem crescendo e ganhando a adeptos especialmente nas fazendas mais tecnificadas. E que está tirando a velha recria da posição de carne de pescoço da pecuária para a de filé mignon.

A situação foi até sinalizada pelo IBGE, que atestou crescimento de 5,7% no abate de novilhas no terceiro trimestre do ano passado em comparação com mesmo período de 2018. E olhando para o mercado, percebese mesmo cada vez mais criadores focando nesta fase. Seja com objetivo de obter prenhezes precoces, seja para vender um produto de valor unitário maior ao frigorífico.

Por isso, a edição de março da Revista AG mostra porque a atividade tem conquistado tantos adeptos. Realizada 100% a pasto, no cocho ou de ambas as formas, integrada ou não à lavoura, segundo especialistas, a recria tem sido uma excelente alternativa para driblar as oscilações de mercado e acelerar o giro de capital das fazendas.

No entanto, aproveitar este filão requer não só vontade e habilidade. As boas práticas de gestão e a excelência na operação do sistema produtivo devem estar minimamente dominadas e incorporadas na rotina das propriedades para se conseguir extrair o filé mignon da recria. Afinal, mesmo que a intensificação apronte os animais em menos tempo, é preciso lembrar que os investimentos – que não são poucos – começam na escolha da genética, na reprodução, na cria ou na compra bons bezerros desmamados. Seja para a recria destinada à venda de matéria-prima para a engorda ou para a indústria.

Boa leitura!