A Voz do Criador

NO VERMELHO

Enfim, a nova década chegou. Apesar de a arroba ter se acomodado em patamares mais baixos do que ao final de 2019 – o que já era anunciado e esperado – ainda sustenta bons negócios dentro da porteira. Pode baixar mais um tanto, e um pouco, mas os bons ventos do mercado continuam soberanos. Pelo menos por enquanto, ou até que algum acontecimento não esperado coloque novamente a cadeia produtiva da carne a trabalhar no vermelho.

Mas, por ora, e felizmente, os únicos vermelhos que importam são os das bandeiras da China, de Hong Kong, dos Emirados Árabes e de todos os países que têm, no Brasil, um dos seus principais fornecedores de carne bovina. Foram eles os responsáveis pelo aumento superior a 12% nas vendas externas em 2019 e que resultaram num faturamento 15% superior ao de 2018. Só a China respondeu pelo destino de quase 30% do volume embarcado nos portos brasileiros no período, saltando 53,2% em volume e 80% em receita na comparação com 2018.

Por isso, fizemos questão de abrir a primeira edição da Revista AG da década com a diretora-executiva da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Liège Vergili Nogueira. Entrevistada do mês, ela dá o pontapé inicial em 2020 falando sobre os atuais cenários internacionais para carne brasileira. Liège comenta sobre o insaciável apetite chinês, sobre o embargo norte-americano, e, dentre outros temas, sobre as possibilidades trazidas por novos mercados como o indonésio, que abriu as portas para o Brasil em novembro último.

Do mercado consumidor vamos direto ao criador e à cria, a primeira fase do ciclo produtivo e a mais importante e determinante segundo especialistas. Houve quem falasse, inclusive, que nossas matrizes são, neste cenário, um verdadeiro patrimônio no que tange à segurança alimentar mundial. Preocupamo-nos, este mês, em preparar nossos leitores para a época de desmama que já se avizinha e, em breve, baterá às porteiras brasileiras de norte a sul do Brasil.

Num momento em que a reposição do plantel brasileiro se faz urgente e necessária, destacamos como a desmama precoce pode acelerar a prenhez das fêmeas recém-paridas sem prejudicar o ganho de peso dos bezerros ao pé. Também mostramos como a técnica de desmama que põe mãe e filhos lado a lado, ao invés de separá-los abruptamente, pode ser benéfica para a produtividade, para a qualidade da carne e para o bem -estar de ambos.

A transição da alimentação do bezerro em desmama, que precisa trocar o leite da mãe – sempre disponível – pelo pasto, do qual ele precisa ir atrás e ruminar, também ganha atenção. Afinal, será o êxito deste processo que determinará o quanto o animal será saudável, irá engordar a contento e gerar uma carne de qualidade não só para o Brasil, mas, cada vez mais, para o mundo.

Boa leitura!