Santo Capim

ADUBAÇÃO DE PASTAGENS: eficiência econômica na produtividade animal

Adilson de Paula Almeida Aguiar é zootecnista, investidor nas atividades de pecuária de corte e leite, professor de Forragicultura e Nutrição Animal da Fazu e Consultor Associado da Consupec – Consultoria e Planejamento Pecuário Ltda

Nos dias 21 e 22 de novembro, será realizado, em Maringá (PR), o V Simpapasto – Simpósio de Produção Animal a Pasto, coordenado pelo professor Dr. Ulysses Cecato, do Departamento de Zootecnia da Universidade Estadual de Maringá (UEM). Ao todo, serão 14 palestras, e a mim caberá abordar a eficiência econômica da adubação de pastagens na produtividade animal.

Começarei falando que, apesar de pesquisas creditarem o aumento da produtividade pecuária ao uso da tecnologia, poucos trabalhos têm avaliado seu retorno econômico direto e seus benefícios no sistema de produção global. Sabe-se que os resultados econômicos dos pecuaristas brasileiros com a produção de bovinos em pasto podem ser considerados muito modestos, tendo em vista o grande potencial existente.

Por outro lado, desde a década de 1970, trabalhos mostram o alto potencial produtivo das forrageiras tropicais. Muitos técnicos e produtores rurais assimilaram bem os sistemas intensivos de produção animal em pasto. No entanto, ainda há muita resistência e questionamentos sobre a viabilidade técnica e econômica da intensificação desse sistema de produção pecuário.

A baixa produtividade animal em pasto é resultado de uma série de fatores que, combinados, levam à degradação das pastagens. Entre eles, escolha de cultivares não adaptadas às condições edafoclimáticas locais, práticas inadequadas de plantio, falta de correção e/ou adubação dos solos, manejo do pastejo incorreto, infestação de plantas, ataque de pragas, dentre outros. De todos, a baixa fertilidade dos solos associada à não correção e adubação configura-se como um dos principais causadores da degradação, como já mostrado desde a década de 1980.

A intensificação dos sistemas de produção animal já é uma realidade em todas as atividades de uso da terra. E não é diferente para os sistemas em pasto. Mas esse processo pode ser dificultado por interferências, como desinformação sobre os sistemas intensivos, paradigmas de que a intensificação da produção de carne em pasto é economicamente inviável, leis ambientais que restringem o uso de insumos, processo de desintensificação dos sistemas de produção nos países desenvolvidos, crescimento da consciência ecológica, entre outras.

Com base em resultados de pesquisas e de fazendas comerciais, levantados desde meados da década de 1990, foi possível concluir que, nos sistemas intensivos em pasto, a taxa de lotação animal (UA/ha) foi sete vezes maior; o ganho médio diário, duas vezes maior; a produtividade da terra (@/ha/ano, 13,75 vezes maior; e o lucro/ha/ano, dez vezes maior do que os indicadores médios da pecuária brasileira. Concluiu-se, ainda, que, quanto maior foi o nível de intensificação, maiores foram os ganhos em redução no custo médio da arroba produzida, no aumento no lucro por hectare, no aumento da relação custo-benefício da correção, da adubação e do aumento da lucratividade.

A intensificação dos sistemas pastoris, além de implicar maior aporte de recursos físicos, financeiros e tecnológicos, demanda, também, ajustes mais precisos e frequentes nas taxas de lotação, ou no fornecimento de suplementos para os animais. Instrumentos mais eficientes de gestão, tais como a orçamentação forrageira, deverão, portanto, ser cada vez mais adotados e aprimorados.

Diversas estratégias de intensificação convivem com sistemas extensivos de produção pecuária. E é natural que, num ambiente de ampla diversidade ambiental e mercadológica, surjam dúvidas quanto ao retorno e aos riscos associados a cada nível da atividade. Por isso, antes de escolher o melhor sistema de produção ou tecnologia, deve-se realizar um diagnóstico dos recursos e do potencial produtivo da propriedade.

Importante ressaltar que a viabilidade da intensificação de sistemas produtivos sofre grande influência dos custos relativos aos fatores de produção e aos valores de venda dos produtos. Sendo assim, uma tecnologia pode gerar resultados diferentes conforme a localidade onde será implantada. A decisão também gera aumento dos custos diretos e dos riscos, e, portanto, exige avaliação do impacto financeiro no sistema.

A intensificação dos sistemas de produção animal em pastos intensificados por meio de correção e adubação do solo da pastagem pode contribuir para alcançar altas produtividades e lucratividade. Nesse sentido, o manejo do pastejo é o elemento-chave para o sucesso de sistemas intensivos, pois garantirá a pressão de pastejo adequada, proporcionando, assim, maior desempenho animal com maior retorno do capital. Nada adianta corrigir e adubar os solos sob pastagem se o processo de colheita da forragem produzida não for eficiente.

Além de comprovada a viabilidade técnica e econômica dos sistemas intensivos de produção animal em pasto, considera-se também que a intensificação pode, pelo menos em parte, minimizar o dilema “aumento da produção de alimentos com preservação do meio ambiente e sustentabilidade”.