Caindo na Braquiária

Criar não é para amador

Alexandre Zadra - Zootecnista [email protected] Conheça www.crossbreeding.com.br

Foram cinco lotes de 120 vacas inseminadas no mês de outubro. Outros seis lotes em novembro entre ressincronização das vacas vazias de outubro e primeira IATF. E, finalmente, fizemos a inseminação de mais lotes de paridas e de ressincronização em novembro.

A equipe de veterinários voltou para fazer o diagnóstico de gestação (DG) em dezembro, culminando com a média de prenhez de 56,2%, índice reconhecidamente bom quando se inclui primíparas zebuínas na estação.

No ano seguinte, chegando próximo à estação de nascimento, a equipe de campo já tem a planilha de parição em mãos, na qual é regra a checagem dos medicamentos próprios para tratamento dos recém-nascidos, tais como vermífugo próprio para bezerros, iodo e alguma vacina recomendada pelo veterinário para a região.

No planejamento, baseado no DG final, estimamos o nascimento de 793 bezerros oriundos da inseminação e outros 233 gerados pelo repasse de touros.

Iniciando-se as parições, primeiro, vem aquela leva de nascimento de bezerros machos. Quem não é criador acha que o sêmen dará mais macho que fêmea. Impressão essa que não se confirma ao final da estação de nascimento, pois o equilíbrio entre a quantidade de bezerros machos e fêmeas é o natural.

A equipe de campeiros é especialista em resolver problemas de parto, mas, mesmo assim, natimortos e distocias – inclusive com perdas das mães –, inevitavelmente, acontecem. Não obstante, a turma de campo, por vezes, tem que levar os bezerros guachos (normalmente, um dos gêmeos nascidos que foi deixado pela mãe) para as vacas guacheiras. Como é sabido, bezerros guachos sempre serão bezerros com menos desenvolvimento.

Não chegamos na metade da estação de monta, e a bezerrada de 20 a 30 dias é acometida por uma diar reia preta fora do comum, apesar de todo o cuidado sanitário da fazenda. Veterinário chamado, diagnóstico feito e dá-lhe gasto de antibiótico e soro para os piores bezerros. Algumas mortes ocorreram, mas, enfim, tudo controlado depois de 15 dias em cima dos bezerros mais fracos.

Entre 30 e 40 dias, os bezerros começam a comer a ração no creep, sistema de suplementação para os novinhos que tem resultado em 40 kg a mais por animal desmamado. Sabemos que, para o creep funcionar bem, devemos ter uma pessoa responsável pelo sistema e dedicado integralmente a ele. Sem essa pessoa, o melhor é não construir creep.

Concomitantemente, iniciamos a estação de monta nas vacas paridas com bezerros de 30 a 45 dias, ou seja, temos bezerros ainda nascendo e vacas em reprodução. A fazenda tem que ter a máquina azeitada para funcionar perfeitamente.

Das 1.412 vacas expostas à reprodução, ao final da estação, havíamos contabilizado 793 prenheses de IATF. Não sabemos exatamente os motivos, mas nasceram 738 bezerros dessas vacas, resultando na desmama de 712 bezerros com peso médio de 218 kg para os machos e 203 kg para as fêmeas.

Chegou a hora mais esperada da fazenda, a realização do lucro com a venda dos bezerros para os invernistas que farejam oportunidades de longe. É o momento oportuno para fazerem os melhores negócios (para eles, evidentemente).

Fechamos no curral a quantidade de bezerros próximo ao solicitado pelo comprador, de quem somos obrigados a ouvir ladainhas. No passado recente, o criador sempre levava a pior ao final da negociação.

Realmente, sabemos que isso é verdade em boa parte das fazendas que não possuem uma boa equipe de campo e não usufruem das tecnologias de reprodução disponíveis. Por isso, o criador tem que valorizar seus bezerros, pois, como vimos neste relato verídico, a cria deve ser feita com muito cuidado. Fazendeiros amadores que não têm cuidado devem ficar longe dela.