Feno & Silagem

Desempenho em bovinos de corte

Feno

Antónia Alforma1, Helena Fagundes2, Luís Felipe Bellebone e Brum3, Everton Sartori4 e Júlio Barcellos

Quando pensamos no uso da silagem na bovinocultura de corte, quase como se fosse um sinônimo, pensamos em confinamento, pois é a fonte de volumoso mais empregada nesse sistema. Poucos são os momentos em que a silagem é destinada a outras categorias que não a dos animais em terminação. Isso ocorre devido ao seu elevado custo de produção e à sua utilização em animais de retorno financeiro imediato. Ainda tem alta demanda e requer grande envolvimento operacional. Por isso, o diferimento de pastagens e/ou a suplementação de baixo consumo são alternativas usadas pelo menor custo e pela facilidade de serem conduzidas.

Por outro lado, quando se utiliza silagem no gado de corte, é possível duplicar a produtividade animal por hectare, mesmo quando destinada apenas à terminação em confinamento. Outro resultado é a redução na idade de abate, habitualmente observada em sistemas extensivos a pasto, de 36 meses para 24 meses. Nos sistemas de terminação, a silagem vem associada a dietas compostas, basicamente, por farelo de soja, milho grão moído e núcleo mineral. Ou, ainda, a silagem pode ser empregada na alimentação das fêmeas de reposição durante o período de inverno para aumentar o percentual de novilhas que entram em reprodução.

Os resultados de produção animal a partir da utilização da silagem são dependentes das características inerentes ao produto utilizado (qualidade, composição bromatológica, entre outras) e ao animal (idade, nível nutricional anterior, potencial genético, entre outras). Esses fatores irão influenciar diretamente no seu consumo, na digestibilidade e no ganho de peso. O tipo de forragem usada, por exemplo, milho ou sorgo, não exerce influência sobre o desempenho, desde que os níveis nutricionais sejam semelhantes. Assim, o balanceamento adequado da dieta é imprescindível para se obter um bom desempenho animal quando incluímos silagem na dieta.

Feno

Exemplo de autoconsumo de silagem em silo tipo bag

Como já descrito em outros números desta seção, as silagens de milho e sorgo são as mais utilizadas em função da sua facilidade de mecanização, sua alta produção e seu valor nutricional quando comparadas às silagens de gramíneas tropicais ou subtropicais. Se tomarmos por base a similaridade dos custos de produção, é plausível a escolha pelo milho e pelo sorgo, pois, para obtenção de um mesmo ganho a partir de uma silagem de gramínea tropical, por exemplo, haveria a necessidade de um maior aporte de concentrado (Tabela 1).

Como o uso de silagens na pecuária está intimamente relacionado aos seu uso em sistemas de confinamento e terminação, seus resultados produtivos são associados às quantidades de volumoso (silagem) e concentrado fornecido aos animais. Os resultados comumente encontrados na literatura demonstram que os ganhos de peso médio provenientes dessa combinação variam de um quilo a dois quilos por animal/dia. Assim, ao aumentar a quantidade de concentrado, além do incremento proteico e/ou energético, há um aumento na capacidade de ingestão. Porém é importante ressaltar que deve-se ter cuidado na formulação de dietas com elevados índices de concentrado, o que pode ocasionar alterações metabólicas, como acidose ruminal.

Qualidade e quantidade

A qualidade da silagem é outro fator que interfere nos resultados produtivos, tanto do ponto de vista biológico quanto do econômico. O custo de produção de uma silagem boa e de uma ruim é semelhante, e o impacto do menor desempenho animal por conta da redução da qualidade nutricional é sentido imediatamente no bolso do criador. Silagens de menor qualidade apresentam redução no consumo quando comparadas a silagens de melhor qualidade. Dessa forma, ao invés de haver um efeito de suplementação, há um efeito de substituição, e o animal deixa de comer a silagem para comer o concentrado. Por esses motivos, é primordial que todas as etapas de confecção da silagem sejam realizadas de forma adequada para evitar perdas de qualidade ao longo do processo.

Como mencionando anteriormente, o uso da silagem para alimentação das categorias de cria e recria é pouco comum, muito em função da logística necessária para o seu fornecimento. Contudo, essa limitação pode ser minimizada com o fornecimento da silagem em sistema de autoconsumo, que consiste em dar aos animais acesso ao silo, reduzindo, assim, o tempo e os recursos gastos com a distribuição do alimento.

O controle da quantidade de silagem consumida é dado pela limitação física, ou seja, pela redução do espaço disponível por animal e pela proximidade do estrado de contenção ao silo, uma alternativa para o fornecimento do alimento a “campo”. Nesse caso, o controle do acesso dos animais é imprescindível, não para evitar o consumo exagerado, mas sim o desperdício. Além disso, o fornecimento de silagem em sistema de autoconsumo permitirá aumentar a carga animal, suplementar nos vazios forrageiros, ganhar ou manter o peso, suplementar na recria – reduzindo a idade ao abate ou ao primeiro acasalamento –, entre outros.

Resultados variáveis

As respostas produtivas do uso de silagens na pecuária de corte não se resumem ao uso de silagens de volumoso, pois há a possibilidade de utilização das silagens de grãos. Esta fornece ao pecuarista uma possibilidade de conservar, de forma eficiente, concentrado energético na propriedade. Também apresenta resultados produtivos semelhantes quando comparada ao grão seco, pois pode reduzir os custos de produção ao eliminar as etapas de limpeza e secagem da matéria-prima. Pode, ainda, otimizar o uso da terra com a antecipação da colheita em três ou quatro semanas.

Dessa forma, os resultados produtivos que podem ser obtidos através do uso da silagem são variáveis, pois dependem das características bromatológicas intrínsecas a cada tipo de material ensilado e da correta realização de todos os processos de ensilagem. Também é preciso levar em conta a quantidade fornecida e consumida pelos animais e a categoria alimentada. As silagens de milho e sorgo são as que apresentam melhor valor nutritivo e desempenho animal. Por outro lado, as silagens de capim apresentam menor custo de produção quando comparadas às silagens de milho e sorgo; entretanto, exigem maior quantidade de concentrado na dieta para alcançar o mesmo nível de desempenho. Assim, para optar por um ou por outro tipo de silagem, deve-se levar em consideração as condições de cada propriedade e a estratégia de uso. Ou seja, se a finalidade é a manutenção, a recria ou a terminação dos animais.

1 Engenheira agropecuária e mestranda no Programa de Pós-Graduação em Zootecnia, BHEARD, USAID – NESPro/UFRGS 2 Graduanda em Medicina Veterinária, bolsista de iniciação científica Pibic/CNPq – NESPro/UFRGS 3 Graduando em Agronomia, bolsista de iniciação científica Probic/Fapergs NESPro/UFRGS 4 Zootecnista e doutorando no Programa de Pós-Graduação em Zootecnia, Capes – NESPro/UFRGS 5 Médico-veterinário e doutor em Zootecnia – NESPro/UFRGS [email protected]