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FIM DA VACINAÇÃO CONTRA A AFTOSA:

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todos ganham ou todos perdem

Entre atrasos e conquistas, setor questiona a sustentabilidade do Programa Nacional de Erradicação da Febre Aftosa (PNEFA) para suportar os riscos sanitários e comerciais inerentes à retirada da imunização

Adilson Rodrigues

Uma decisão ousada, desenhada na longínqua década de 1990 – época em que era utópico falar de pecuária sem febre aftosa. Centenas de focos eram registrados por ano até o Ministério de Agricultura e Abastecimento (à época, sem referência à Pecuária na nomenclatura), com apoio da iniciativa privada e de algumas entidades, planejar um País livre da doença por meio do Plano Nacional de Erradicação da Febre Aftosa (PNEFA). “Quando optamos pelo PNEFA, foi dito que a erradicação da febre aftosa era um desejo da sociedade brasileira”, relata Geraldo Marcos de Moraes, diretor do Departamento de Saúde Animal do, agora, Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

Assim, iniciaram-se as campanhas oficiais de vacinação obrigatória. Muito esforço foi despendido, principalmente para o medicamento chegar intacto e na temperatura entre 2 °C e 8 °C aos mais remotos rincões, a exemplo dos povos quilombolas na Amazônia.

Pouca gente se atentou ao fato de o plano de erradicação da doença pressupor, em sua fase final, a retirada da vacinação – anunciada em 2017, ano em que se estipulou um criticado calendário, no qual os estados, divididos em blocos, teriam de cessar a imunização no período compreendido entre as etapas de vacinação de maio de 2019 e maio de 2021. Tudo para que o Brasil pudesse solicitar junto à Organização Internacional de Epizootias (OIE), em 2026, o tão sonhado reconhecimento do País como área livre de aftosa se...

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