Leite

Muito além da qualidade

As intruções normativas do Ministério da Agricultura implicam centenas de novos desafios a toda cadeia produtiva do setor lácteo no Brasil

Alexandre Guerra*

As pessoas que acompanham, pelos jornais e revistas, os debates sobre os novos padrões de qualidade do leite implementados no Brasil podem pensar que essa é uma conquista recente e fruto de um “aperto de cinto” do governo federal. E, realmente, quem vê o tema com superficialidade pode pensar isso. Enganam-se, contudo, por não carregar nas costas o peso da história do setor lácteo brasileiro.

Para falar em qualidade e sobre um novo tempo de revolução dos processos, precisamos voltar ao ano de 1996, quando se iniciaram as discussões entre o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e as entidades. Como primeiro fruto desse debate, em 2001, publicou-se a Instru ção Normativa nº 51 (IN 51), base da IN 62 e bisavó das atuais INs 76 e 77, que entraram em vigor no dia 30 de maio deste ano.

Era o final da década de 1990. Os tambos eram bem menores do que hoje, a tecnificação de processos era quase um sonho digno dos filmes de ficção científica e a ordenha mecanizada dava os primeiros sinais de que revolucionaria a produção. Na época, o leite coletado em tarros ainda era a forma de trabalho de algumas propriedades, e a legislação nacional refletia isso.

De lá para cá, agora no advento das INs 76 e 77, o que temos são novos agentes somando--se a esse processo. As propriedades modernizaram sua produção, os resfriadores ganharam espaço, e os laticinistas uniram-se aos produtores para elevar o padrão de gestão e profissionalismo no setor. As indústrias, inclusive com o suporte de projetos como o Mais Leite Saudável, criaram programas voltados aos produtores a fim de garantir a sanidade e o bem--estar animal, e enfrentar com vigor históricos problemas, como a bruc...

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