Santo Capim

PASTAGENS IRRIGADAS (Parte 1)

Santo

Nos últimos 119 anos, os objetivos da irrigação da pastagem têm sido solucionar o problema da estacionalidade de produção de forragem; reduzir custos de produção e tempo de trabalho para alimentar o rebanho; obter maior retorno líquido na produção animal, quando comparado aos sistemas que precisam usar forragens conservadas (silagens, pré-secados, fenos) e grãos; usar menor área para a produção animal (intensificação do uso da terra); e usar águas residuárias e dejetos líquidos de animais.

As bases técnicas e econômicas para a produção animal em pastagem irrigada serão aqui descritas adotando a metodologia de perguntas e respostas baseadas nas principais dúvidas que têm sido manifestadas nos últimos 23 anos por aqueles que têm interesse nessa tecnologia.

Como decidir por irrigar ou não a pastagem? A primeira e a mais importante medida que deve ser tomada por parte do pecuarista é a contratação de uma consultoria especializada em pastagens irrigadas. Esta consultoria deverá: conhecer as coordenadas geográficas da propriedade (latitude e longitude) e a altitude; e estudar as condições climáticas da região onde a propriedade se localiza (índice pluviométrico, evapotranspiração real e potencial, ba lanço hídrico, temperaturas média, máxima e mínima, incidência de geadas etc.).

O técnico tem como fonte de informação sobre o clima a publicação do Departamento Nacional de Meteorologia (DNMET) que apresenta valores das normais climatológicas referentes ao período de 1961 a 1990 de 209 estações meteorológicas (atualmente, são 394 estações), com médias históricas para nove parâmetros (29, hoje).

Deverá estudar os solos da região onde a propriedade se localiza (a classe dos solos, seu relevo, sua profundidade e drenagem, sua fertilidade, capacidade de retenção de água etc.). O técnico tem como fonte de informação o mapa de solos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), que traz 42 classes de solos e suas associações. Identificada a classe de solo que predomina na região onde se encontra a propriedade, basta ao técnico recorrer aos livros de solos e estudar as características daquela classe em questão. Para uma classificação criteriosa, deverá abrir uma trincheira e ainda verificar se não há impedimentos para o crescimento do sistema radicular da planta forrageira. Depois, deverá amostrar o solo na área em questão para a análise laboratorial.

Deverá medir as vazões dos cursos de água da propriedade (córregos, rios, lagos, represas etc.) no final da seca; ver nos órgãos estaduais ou federais de gestão de recursos hídricos se há outorga para uso da água naqueles cursos de água existentes na propriedade; saber se a energia é monofásica ou se é trifásica e os programas de tarifa verde; definir o sistema de irrigação; conhecer o mercado regional (preços de terras, alternativas de uso da terra, preços de venda dos produtos produzidos pelo pecuarista, linhas de financiamento com período de carência e prazo para pagamento, taxas de juros etc.); e conhecer o perfil da equipe da propriedade (o produtor e seus colaboradores).

Enfim, com todas essas informações e esses dados, a consultoria irá elaborar um diagnóstico e um projeto com viabilidades técnica e econômicas da irrigação de pastagens naquela propriedade para apresentar para o pecuarista.

Pode parecer complexo, e é mesmo, entretanto, quanto mais tempo for dedicado à fase do planejamento, mais eficaz será a execução do projeto, e a probabilidade de cometer erros e de perder dinheiro será significativamente minimizada.