Caindo na Braquiária

Touros compostos

Caindo

Logo que termino a apresentação dos grupamentos raciais, detalhando cada raça referente à sua origem, às suas características e aos seus resultados, quando usadas no cruzamento, apresento um quadro da evolução histórica dos bovinos criados pelo pesquisador australiano John E. Frisch.

Esse esclarecedor quadro evolutivo demonstra a distância genética entre os diversos grupamentos raciais existentes na pecuária de corte, possibilitando a exploração máxima da heterose quando realizamos cruzamento entre as diversas raças existentes.

Por fazer parte do universo da inseminação artificial há 30 anos, trato com muita naturalidade o assunto cruzamento ao fazer uso da genética de touros europeus por meio dessa revolucionária tecnologia, que vem se alastrando com o advento da IATF(inseminação artificial em tempo fixo).

Sabemos das dificuldades de se implementar a inseminação em alguns rincões localizados no Centro-Norte do Brasil tropical, que não dispõem de mão de obra. É justamente dos produtores dessas regiões de clima quente que, não raro, recebo mensagens me questionando a respeito da possibilidade de se fazer cruzamento sem o uso da inseminação.

Devemos ser realistas e assertivos na resposta a tais criadores, confirmando a possibilidade de se realizar cruzamento nessas regiões, deixando claro que é imperioso o uso de touros resistentes ao calor para esse intento. Dessa forma, pela nossa experiência, recomendamos que todo e qualquer reprodutor a ser usado no clima quente deve ter uma porção de raças tropicais (zebuínos ou taurinos adaptados) em sua composição genética.

A grande maioria dos produtores localizados no Centro-Norte do País possuem vacas zebuínas. Mesmo sabendo que geraremos pouca heterose, podemos recomendar o uso de touros de outras raças também zebuínas. Já quando buscamos gerar maior vigor híbrido, recomendamos raças taurinas adaptadas, como Senepol, Caracu ou Bonsmara, os quais cobrem bem no calor.

Outro importante grupamento são as raças bimestiças, como Brangus, Braford, Simbrasil, que possuem, em sua composição, 62,5% de sangue europeu e 37,5% de sangue zebuíno. Tais compostos, por apresentarem maior grau de sangue europeu, devem receber alguma suplementação na dieta, visto que, pelo alto metabolismo, o apetite diminuirá no calor.

Uma nova onda de raças compostas entre taurinos vem se alastrando após o desenvolvimento do programa Montana, o qual preconiza o cruzamento dirigido entre os diversos grupamentos raciais. Portanto, touros que têm, em sua composição genética, 100% de raças taurinas vêm surgindo.

Aí vem a segunda fase das perguntas que me chegam quando abordamos o assunto. Veja uma delas: “Zadra, você não falou que europeu não cobre no calor? Portanto, como vou fazer um composto europeu?”.

Tento esclarecer respondendo que sua colocação está correta e continuo a explanação. Europeus sofrem com o calor dos trópicos, no entanto, quando falamos em formação de touros compostos taurinos, devemos cruzar um taurino europeu com um taurino adaptado para que ao menos 50% de seus genes sejam de raça tropical resistentes ao calor.

A produção de compostos entre taurinos tropicais e taurinos europeus visa aumentar o potencial de ganho em peso dos produtos filhos desses touros, inserindo genes de raças europeias selecionadas a séculos para produção de carne.

Já temos bons exemplos desses compostos, com base de Senepol, cobrindo muito bem no calor. São elas: Senangus, raça formada com 50% Senepol e 50% de Angus; ou Senesim, sendo esta 50% Senepol e 50% Simental.

Outra raça taurina tropical que pode ser usada como base para esse intento é o Caracu, podendo utilizar as matrizes puras dessa raça e inseminá-las com Angus a fim de se produzir o Carangus, possuindo, em sua formação, 50% de sangue Caracu e 50% de sangue Angus.

Entre os criadores de Caracu e Senepol PO que vêm produzindo esses compostos, é dúvida frequente qual cruzamento deve ser feito sobre as matrizes F1 (taurino adaptado/taurino europeu). Ou seja, devem usar o europeu ou um taurino adaptado nessas meios-sangues? A meu ver, devemos manter uma linhagem materna e outra paterna de animais meio-sangue e, futuramente, selecionaremos os melhores touros meio- -sangue para usar nas matrizes meio-sangue, fixando, dessa maneira, o grau de sangue ideal para que os animais sejam adaptados e produtivos. Outra opção seria termos nossas matrizes adaptadas (100% taurino adaptado), inseminando 70% delas com sêmen sexado macho de europeu e 30% com sêmen sexado fêmea da mesma raça adaptada. Dessa forma, poderemos produzir touros compostos para o mercado e selecionar ainda melhor nosso rebanho adaptado.

Alexandre Zadra - Zootecnista [email protected] Conheça www.crossbreeding.com.br