Brasil de A a Z

Nelore, a Carne do Brasil... ...e com muitas qualidades!

Brasil

William Koury Filho é zootecnista, mestre e doutor em Produção Animal, jurado de pista de Angus a Zebu e proprietário da Brasil com Z® – Zootecnia Tropical

Olá, amigos pecuaristas! Escrevo esta coluna no final de julho. Esfriou muito no Sul e Sudeste, ventou bastante, e, assim, as pastagens continuam secando por todo o Brasil – época que diminui a oferta do boi gordo de pasto, que, em parte, vai sendo substituído pelos animais de confinamento.

Na política, aguardamos, com ansiedade, a aprovação das reformas, prioritariamente a da Previdência (aprovada em primeiro turno) e do pacote anticrime (contra o câncer da corrupção), ambos de suma importância para resgatarmos a confiança do mercado e retomarmos o crescimento econômico que o povo brasileiro merece. O impressionante é que todos os mais esclarecidos sabem que ou aprovam, ou o País quebra, e a queda de braço entre os Poderes Legislativo e Executivo continua deixando claro que interesses particulares e obscuros sobrepõem o amor ao desenvolvimento da pátria. De qualquer maneira, esperamos que o governo, com suas qualidades e limitações, siga firme na política da meritocracia e da decência, e não se renda aos velhos conchavos políticos – o que seria um enorme retrocesso na ética e moral.

De volta ao título da coluna, o que me inspirou foi ter acompanhado o abate do circuito Nelore de Qualidade de dois lotes da Grendene, em Araputanga/MT, um projeto que envolve a Associação de Criadores de Nelore do Brasil (ACNB) e a empresa JBS.

Pois bem, que o Nelore é a carne do Brasil não se discute, já que corresponde a uma proporção muito grande do rebanho brasileiro. E quando falamos de carne de Angus, Hereford, Senepol, Brangus, Braford, Guzerá, Brahman, Sindi e todas as outras possibilidades (raças), a grande quantidade é resultado do cruzamento em cima de vacada nelore ou anelorada. Tal fato se deve à grande adaptabilidade do Nelore, traduzida em fertilidade, vigor do bezerro, habilidade materna e muito potencial de desempenho com nutrição adequada, e o que é muito importante, plasticidade em aguentar hostilidade quando o ambiente não é dos melhores.

Um ponto que gostaria de abordar é que não existe uma raça considerada melhor para tudo. Tampouco existe uma raça com desempenho melhor em qualquer ambiente. Vou além, temos é uma grande variabilidade dentro de cada raça. Assim sendo, animais de uma mesma raça podem ter desempenhos muito distintos em diferentes sistemas de produção. Tais variáveis traduzem o grande desafio da Zootecnia em definir a melhor genética para uma determinada situação de ambiente, sem fanatismo, mas usando a razão e visando à maior lucratividade.

O rumo da prosa conduz para a reflexão do que chamamos de Nelore é algo muito grande e com muitas diferenças. Existe Nelore muito bom e Nelore ruim, natural de uma raça de história muito recente e tão volumosa em nosso País, e que não teve objetivo de seleção padronizado no Brasil e muito menos na Índia – o seu país de origem.

Pois bem, para falar do potencial do Nelore de ponta, no dia 19 de julho, acompanhei o abate de 120 machos inteiros com menos de 24 meses de idade, zero dente, que, por algum motivo de morfologia ou andrologia, não passaram no crivo de seleção da tourada que vai a leilão da Nelore Grendene. Nesse mesmo dia, foram abatidas 120 novilhas Grendene que não emprenharam na última estação de monta – a maioria dois dentes.

Os lotes nos currais chamaram a atenção dos mais experientes profissionais da indústria frigorífica, assim como de criadores e técnicos de renome. Depois de tirada a roupa (couro) dos animais, as carcaças continuaram a impressionar todos os presentes, entusiasmados com tamanha qualidade. As carcaças de conformação muito forte e bem terminadas (cobertas de gordura subcutânea) pesaram, em média, 353,42 kg, ou 23,[email protected], com 58% de rendimento para os machos, e 319,15 kg, ou 21,[email protected], com 54% de rendimento para as fêmeas.

Tais resultados evidenciam que o Nelore pode superar muitos limites quando a qualidade genética é realmente diferenciada. À medida que o rebanho comercial for mais próximo do rebanho produtor de genética de qualidade, imaginem onde nossa pecuária pode chegar.

Pois é, o Nelore, indiscutivelmente, é a carne do Brasil em quantidade, e, quando abatemos genética de ponta, também se prova uma raça muito forte em qualidade e lucro para toda a cadeia produtiva. É isso aí, vamos que vamos!