Caindo na Braquiária

Moderna cria

Caindo

Quando Maria do Rosário Filinto decidiu ir ao sótão da antiga casa da fazenda Monte-Mor, propriedade secular de sua família, localizada na rica Região do Prata, em Minas Gerais, tinha a certeza que ali encontraria os tradicionais tachos de cobre que sua avó usava quando fazia doces de leite ou a goiabada que deixava todos que passavam próximo do fogão a lenha com água na boca. Dona Nena, assim como era chamada, tinha a capacidade de fazer ao mesmo tempo doces suaves no adoçar, mas saborosos como poucas sobremesas da região.

Foi fuçando entre teias de aranha que, inusitadamente, encontrou um pequeno baú de couro empoeirado contendo alguns manuscritos malconservados. A curiosidade fez a criadora Maria do Rosário descobrir que, atrás daquela caligrafia impecável, tinha o pulso de seu avô, Zé Theodoro Filinto, pecuarista que, por vezes, deixava a paixão pelas vacas obnubilar a razão que deveria ter com as contas da fazenda.

Entre tantos documentos, alguns surpreenderam Maria do Rosário, como alguns contratos de arrendamento escritos à mão e assinados sem qualquer desconfiança de trapaça entre as partes, bem como simples pedaços de papéis assinados por funcionários concordando em trabalhar em outra fazenda da família. Tudo muito simples, famosos acordos feitos, como diz a gíria, “no fio do bigode”.

Uma carta, em especial, foi aberta pela generosa pecuarista. Carta escrita pelo seu avô a seu pai, Gileno Filinto, quando esse havia recém-casado com sua mãe e iniciava trajetória como pecuarista na fazenda herdada pelo pai. Nesse papel, havia conselhos de todo o tipo para um novo pai de família do campo, mas, entre eles, um ditado sublinhado, que chamava a atenção, dizia: “Quem faz o homem ir pra frente é o animal que mija pra trás”.

...

Para ler a matéria completa faça Login
Caso não seja assinante da Revista AG, clique Aqui e Assine Agora!