Genômica

Nem bem desvendamos a genômica, surge novo desafio: a epigenômica

Genômica

José Fernando Garcia Médico-veterinário, professor, pesquisador e consultor (UNESP e AgroPartners) [email protected]

Num dia desses, durante um workshop de melhoramento genético, na hora do debate com os palestrantes, um membro da audiência fez a seguinte pergunta: “Será, então, que, com a seleção baseada pela informação genômica (aquela que vem diretamente da análise do DNA), chegaremos, um dia, à vaca ideal?”. Naquele momento, fiquei exultante para responder com um um sonoro SIM! Entretanto, um dos palestrantes nos lembrou que todas as características determinadas pelos genes contidos nos cromossomos (portanto, no campo da genômica) podem ser mascarados por fatores epigenômicos(?).

Levamos décadas de estudo para desvendarmos alguns mistérios da genômica e já inventaram mais complicações... Mas o que são esses fatores?

O prefixo “epi” significa “acima de”. Epigenômica se refere a mudanças de padrões químicos das longas cadeias de DNA, mas que, entretanto, não são capazes de alterar a sequência de letras do código genético. Eles explicam porque um par de gêmeos idênticos (mesmo DNA) não são completamente iguais na realidade, apesar de muito parecidos. Um dos principais mecanismos epigenômicos é denominado metilação. Moléculas de metila (compostas por um carbono e três hidrogênios) recobrem as fitas de DNA bloqueando ou desbloqueando o acesso da maquinaria celular aos genes codificados nos cromossomos. Até muito recentemente, isso era totalmente desconhecido pela comunidade científica, não sendo nem mesmo considerado nos estudos genéticos convencionais. A principal consequência das alterações dos perfis epigenéticos – em especial, o da metilação – é que todos o...

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