Na Varanda

Qual o impacto do acordo Mercosul-UE na pecuária brasileira?

Na

Francisco Vila é economista e consultor internacional [email protected]

Negociar um acordo desta envergadura não é nada fácil. E, como vimos, pode ser demorado. No caso, foram 20 anos. Como principal consequência, podemos constatar: haverá tanto ganhadores quanto perdedores. Os interesses e as preocupações dos irlandeses são diferentes dos alemães e o mesmo ocorre quando comparamos o Brasil com o Paraguai ou a Argentina. Pois o perfil da economia de cada país-membro dos dois blocos é peculiar no que diz respeito à relevância dos setores do agro, da indústria e dos serviços. Ao falar da carne bovina, um dos segmentos do setor do agro, estamos do lado dos vencedores.

No entanto, antes de entrar em detalhes, convém avaliar o contexto, o timing e os pormenores da implementação do acordo. Devemos lembrar que o Brasil é um dos países mais fechados ao comércio exterior! Como o leitor está envolvido no segmento que exporta alimentos, celulose e biocombustíveis, é natural que não costume olhar para o comportamento da indústria nacional. No entanto, foi ela que, durante décadas e até hoje, mostrou-se avessa a qualquer abertura comercial, bloqueando, assim, o avanço das negociações dentro do Mercosul. Ao analisar o mapa de estrada para os próximos 15 anos, prazo de implantação do acordo, podemos enxergar três zonas com cores diferentes. A indústria, que representa 25% do PIB, está no vermelho, pois grande parte do parque nacional de fábricas de têxteis, autopeças ou medicamentos terão dificuldade crescente de acompanhar o progresso tecnológico gerado nos centros de pesquisa dos concorrentes globais que, há bastante tempo, estão acostumados ao vento gélido da concorrência. Na faixa amarel...

Para ler a matéria completa faça Login
Caso não seja assinante da Revista AG, clique Aqui e Assine Agora!