Santo Capim

CORREÇÃO E ADUBAÇÃO DO SOLO DA PASTAGEM (Parte 5)
Adubar ou não adubar?

Santo

Adilson de Paula Almeida Aguiar é zootecnista, investidor nas atividades de pecuária de corte e leite, professor de Forragicultura e Nutrição Animal e Consultor Associado da Consupec - Consultoria e Planejamento Pecuário Ltda.

Na Parte IV da abordagem deste tema, concluí abrindo um parêntesis: “Na minha experiência como professor (desde 1991), pesquisador (desde 1992), gerente de fazenda (entre 1991 e 1994) e consultor (desde 1994), não me lembro de ter feito uma análise de viabilidade técnica e econômica (VTE) da intensificação da produção por meio de correção e adubação do solo da pastagem cujo resultado tenha sido negativo”.

Sendo viável, vamos para a etapa do planejamento em cenários de curto, médio e longo prazos, apresentação desse planejamento para a equipe da propriedade e, a partir daí, um programa de treinamentos frequentes para que a equipe execute cada etapa com procedimentos padronizados e controle os resultados.

Na etapa de execução, recomendase iniciar o manejo da fertilidade do solo (correção e adubação) por uma pequena área da propriedade. Na maioria das propriedades onde implantei e acompanhei, as áreas intensificadas representaram entre 1% e 3% da área útil da pastagem. E, nas melhores áreas, em piquetes com o melhor estande da planta forrageira, com pressão de pastejo ajustada, sem plantas infestantes e pragas de solo ou com baixos níveis de infestação; com adequada infraestrutura de piquetes, cochos, fontes de água, sombreamento e área de lazer.

Após a escolha das áreas cujos solos serão corrigidos e adubados, o programa de manejo da fertilidade de solos deverá contemplar as seguintes etapas: a) escolha da área cujo solo terá sua fertilidade corrigida e adubada; b) medição e mapeamento dessa área; c) amostragem de solo e de planta e envio ao laboratório; d) análise laboratorial; e) interpretação dos resultados e recomendações de correção e adubação; f) planejamento e execução do programa; g) práticas corretivas: calagem, gessagem, fosfatagem, potassagem, correção de micronutrientes e de matéria orgânica; h) práticas de adubação com cálcio, magnésio, fósforo, potássio, enxofre, micronutrientes, nitrogênio; i) tipos de adubação: química, orgânica, organomineral; j) métodos de aplicação: manual, tração animal, tratorizado, aéreo, foliar, fertirrigação; k) avaliação dos resultados: resposta técnica e econômica; e l) avaliação de impacto ambiental.

Por fim, é fundamental proceder uma avaliação de VTE para a tomada de decisão entre “adubar x não adubar”, e, se for adubar, qual nível de correção e adubação.

A avaliação de resultados de VTE de nove propriedades – uma no Mato Grosso do Sul, três em Goiás, duas no Tocantins e três em Minas Gerais – permitiu a conclusão de que, para passar do nível de exploração que os pecuaristas alcançavam no período chuvoso, de 1,5 UA/ha e 5,4 @/ ha para o primeiro nível de intensificação, de 3,25 UA/ha e 17,9 @/ha, o custo da arroba produzida aumentou de R$ 53,00 para R$ 80,00/@, enquanto a lucratividade reduziu de 14% para 10,2%, apesar do lucro por hectare ter aumentado de R$ 399,00 para R$ 981,00, e a relação de benefício:custo da correção e adubação tersi-do positiva, de R$ 1,49 para cada R$ 1,00 gasto.

A partir do primeiro nível de intensificação, de 3,25 UA/ha e 17,9 @/ha, concluiu-se que, quanto maior foi o nível de intensificação – até 8,75 UA/ha e 53,4 @/ha –, maiores foram os ganhos em: 1) redução no custo médio da arroba produzida (de R$ 80,00 para R$ 66,00); 2) aumento no lucro por hectare (de R$ 981,00 para R$ 3.581,00); 3) aumento da relação benefício:custo da correção e adubação (de R$ 1,49 para R$ 2,15 para cada R$ 1,00 gasto); e 4) aumento da lucratividade (de 10,2% para 14%).

Detalhe: desde antes da adoção de um programa de correção e adubação dos solos de suas pastagens, os índices técnicos e econômicos alcançados por aqueles pecuaristas já estavam acima dos alcançados pela média dos pecuaristas brasileiros.

Então fica a pergunta: se, quanto mais intensivo, menor é o custo da arroba produzida e maiores são a lucratividade e a relação de benefício:custo, por que aqueles pecuaristas preferiram intensificar o sistema em níveis mais baixos? A resposta: para ir para o primeiro nível de intensificação, o pecuarista gastou R$ 5,1 com a compra de animais para cada R$ 1,00 gasto na correção e adubação, enquanto, no nível máximo avaliado, para cada R$ 1,00 investido, o pecuarista teria de gastar mais R$ 7,6 na compra de animais.