Caprinovicultura

Informações para auxiliar o criador

Caprinovicultura

Ferramentas abastecem produtores com dados técnicos que ajudam no aprimoramento do manejo dos rebanhos

Denise Saueressig
[email protected]

Em busca de uma ovinocultura direcionada a melhores resultados e concebida como negócio, é preciso foco nas especificidades da atividade. Entender as necessidades de cada perfil de criador é essencial para trabalhar na busca de soluções para os gargalos identificados nas propriedades. O produtor André Camozzato, coordenador da Comissão de Ovinocultura da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), relaciona cinco segmentos com suas demandas e objetivos particulares: ovinocultura comercial, de genética, familiar, de subsistência e por hobby, que também pode ser comercial ou de genética. “Além das características distintas de cada perfil, existe um ponto em comum entre todos, que é o aspecto técnico”, destaca.

Com um trabalho de mais de 20 anos voltado à gestão da produção rural, Camozzato assumiu, neste ano, as atividades da Comissão de Ovinocultura da Farsul com o propósito de ajudar de maneira efetiva os criadores gaúchos. Uma das ferramentas utilizadas para alcançar o público-alvo foi nomeada In-Ovinos, expressão que, segundo ele, tem a ver com inovação e, ao mesmo tempo, representa o sentido de estar inserido no setor.

Caprinovicultura

Produtor André Camozzato: conquista de bons índices zootécnicos e meta de 500 cordeiros/ano na fazenda Alto das Figueiras, em Encruzilhada do Sul/RS

Por meio de um grupo do WhatsApp, em torno de 50 representantes de sindicatos rurais do estado recebem e disseminam esclarecimentos sobre temas pertinentes ao ciclo anual da ovinocultura. “Criamos um workshop nas nossas reuniões, em que um técnico apresenta uma palestra sobre determinado assunto. Assim, essa apresentação é enviada ao grupo para que a informação seja levada adiante e encontre os criadores na hora certa”, descreve.

Como exemplo, Camozzato cita o detalhamento de recomendações durante o período da parição, que envolve cuidados essenciais para a sobrevivência dos cordeiros recém-nascidos, e os métodos de controle da verminose, principal problema sanitário dos ovinos. “Aproveitamos a facilidade e o alcance da rede social para chegar até os principais interessados com uma linguagem simplificada”, diz o produtor, lembrando que as ações são mensais. “Os técnicos também estão à disposição por e-mail, para uma consulta mais avançada sobre determinada questão, em um nível de esclarecimento, não propriamente uma consultoria”, acrescenta.

A comissão também irá encaminhar cartazes contendo comunicados técnicos para divulgação em sindicatos rurais e nas inspetorias veterinárias dos municípios. “O produtor vai até a inspetoria, emitir uma GTA (Guia de Trânsito Animal), por exemplo, e encontra informações sobre um assunto recorrente na propriedade dele. Queremos estabelecer essa relação mais estreita para que o criador, lá na sua região, saiba que existe um grupo que está pensando e trabalhando por ele”, salienta Camozzato. Outra iniciativa adotada é o caráter itinerante das reuniões realizadas. Assim, além dos temas gerais, são abordados assuntos que dizem respeito diretamente aos criadores de cada local.

Esforço para ampliar o rebanho

Com o apoio técnico a questões que afetam o dia a dia dos ovinocultores, as ações propostas pela Farsul pretendem, por consequência, colaborar para a melhoria dos índices produtivos e para um aumento do rebanho gaúcho. Entre a década de 1970 e agora, a redução no número de animais foi de mais de 70%, e a estimativa é de que o plantel ovino no Rio Grande do Sul seja de 2,6 milhões de cabeças. “O objetivo do trabalho da comissão é conseguir fazer parte do processo que gere um ponto de inflexão nesse declínio, que está associado à falta de eficiência nos rebanhos”, frisa Camozzato, que acredita ser possível atingir em torno de 20 mil criadores por meio das diferentes iniciativas. “É essencial gerar uma mudança de foco para uma nova ovinocultura, buscando soluções que resultem em altas taxas de desmame”, complementa.

Entre as potencialidades identificadas na cadeia, o produtor ressalta a importância do consumidor. Hoje, não há uma informação oficial, mas a projeção é de que o consumo de carne ovina no Brasil fique entre 400 e 700 gramas por pessoa ao ano. “Hoje, as importações fomentam o nosso mercado, e, se quisermos ampliar o consumo, precisamos produzir mais. O mercado é o patrão, e o da ovinocultura é generoso”, conclui.

Engenheiro civil de formação e com apreço pelos números, Camozzato aplica na propriedade da família, em Encruzilhada do Sul/RS, o que aprendeu com a vivência no campo e com as referências absorvidas ao longo dos anos em visita a diferentes países com tradição na ovinocultura. “Quando meu pai faleceu, em 1993, eu optei por parar de trabalhar como engenheiro e assumi a propriedade por dois anos, mas já estou lá há 26 anos. Estamos em processo de evolução, olhando o sistema como um todo, e não os fatores de forma isolada. Só no ano passado, coletamos mais de 10 mil dados do nosso rebanho”, conta. Além da ovinocultura, a fazenda Alto das Figueiras também tem criação de gado e lavoura de soja.

Os ajustes no manejo resultam em taxas de sobrevivência de mais de 90% entre os cordeiros. “Com uma disponibilidade adequada de pasto, é possível a engorda entre 300 e 340 gramas ao dia. E, assim, conseguimos cordeiros entre 90 e 105 dias com 32 quilos, ao pé da mãe”, relata. Camozzato também é idealizador do projeto Pensando Cordeiros, e estipulou como meta para a sua propriedade a produção de 500 cordeiros ao ano. Segundo ele, o prazo inicial era chegar a esse número em 2021. “No entanto, devido à pressão de seleção que temos feito no rebanho, o crescimento está lento, apesar dos bons índices zootécnicos. Neste caminho, passamos também a multiplicadores e estamos comercializando animais para reprodução, em especial, cordeiras dente de leite”, assinala. O produtor acredita que o montante de 500 cordeiros poderá ser atingido no ciclo 2022/2023, e considera que o mais importante é alcançar a meta com boa capacidade de carga nos pastos e com animais selecionados por desempenho e resistência à verminose.