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Certificação que vale ouro

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Angus fortalece processo de auditoria de carcaças e inova com selos que agregam valor à carne e à pecuária

Carol Jardine

O selo verde-amarelo que estampa o rótulo da Carne Angus Certificada produzida no Brasil carrega muito mais do que um atestado de qualidade e uniformidade de produção. A marca é resultado de um trabalho de mais de 100 anos de avanços genéticos do rebanho nacional e do engajamento de uma equipe de mais de 50 inspetores que operam em centenas de fazendas e em 40 unidades frigoríficas parceiras do Programa Carne Angus. Valorizar os conceitos que estão por trás dessa marca é o novo foco da Associação Brasileira de Angus, que prepara, para o segundo semestre deste ano, um projeto voltado à orientação do consumidor. O programa, que ainda está em finalização, deve reunir um conjunto de ações de ponto de venda, projetos digitais e eventos voltados à prática do assado, uma tendência cada vez mais forte entre os amantes da carne de qualidade. O start da ação será realizado já na Expointer deste ano, com a primeira edição do “Ô Churras Angus”, evento programado para o final da tarde de domingo, 25 de agosto, quando se espera reunir criadores e consumidores.

A proposta, frisa o presidente da Associação Brasileira de Angus, Nivaldo Dzyekanski, é explicar que é a chancela do Programa Carne Angus que garante qualidade. “Queremos mostrar ao consumidor que a qualidade que ele espera ao comprar um corte Angus está exatamente nos critérios que estão por trás do selo da Associação Brasileira de Angus.” O que acontece, explica ele, é que nem sempre toda a carne comercializada sob o nome Angus no varejo ou nas redes de restaurantes realmente tem a procedência auditada ou foi produzida e industrializada dentro dos rígidos padrões do Programa Carne Angus. “O que garante que um corte é realmente Angus é o Selo da Associação Brasileira de Angus estampado no rótulo”, frisou Dzyekanski.

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Segundo Nivaldo Dzyekanski, é o Selo da Associação Brasileira de Angus estampado no rótulo que garante que a carne é Angus

Devido à demanda cada vez maior do consumidor por cortes Angus, hoje, é possível observar o surgimento de marcas paralelas, o que vem preocupando, uma vez que são produtos que não passaram pelo processo de certificação. Movimento que, inclusive, está chegando a redes de food service e restaurantes. O trabalho de fiscalização desses estabelecimentos, explica o diretor do Programa Carne Angus, Milton Martins Moraes Filho, é uma atribuição do Procon, que já iniciou um controle mais incisivo sobre a rotulagem das carnes no Brasil. Em março deste ano, uma operação deflagrada no Mato Grosso do Sul apreendeu cortes indevidamente identificados como Angus. E mais está por vir. O Procon realizou ações em São Paulo e já está controlando casos similares em outros estados da Federação, um trabalho que tem apoio incondicional da Associação Brasileira de Angus. “Esse controle vai ao encontro do que a Angus entende como justiça ao consumidor, que, muitas vezes, está disposto a pagar mais por carne premium, mas precisa receber essa qualidade em troca”, salientou.

Para dirimir as dúvidas dos consumidores que, vez ou outra, questionam sobre a diferença entre a carne que tem o selo da Associação Brasileira de Angus e a que apenas diz Angus no rótulo, a médica-veterinária e gerente nacional do Carne Angus, Ana Doralina Menezes, tem sempre dezenas de argumentos na ponta da língua. Para receber a certificação, explica ela, o corte precisa ter origem em um animal com, no mínimo, 50% de sangue Angus, um processo que exige checagem diretamente na recepção dos animais no frigorífico. Vencida essa etapa, os bovinos passam por análise de idade. Só animais de até quatro dentes são aceitos no Carne Angus, e, isso se forem fêmeas. Machos, dependendo da região do País, são aceitos apenas com dente de leite. O terceiro e derradeiro critério de análise está no acabamento de carcaça, ou seja, na quantidade da gordura depositada sobre o músculo, que não pode ser escassa. “Gordura de menos na carcaça, geralmente, está associada a um menor grau de marmoreio e a uma menor proteção do músculo a toda a cadeia de frio que a carne passa, além de originar peças com sabor e maciez inferiores.”

Todos os passos de seleção listados são verificados por funcionários da Associação Brasileira de Angus, que são os únicos habilitados a avaliar e carimbar as carcaças com a letra “a”, que determina os animais que receberão bonificação e poderão ser vendidos no varejo como Carne Angus Certificada. Em 2018, 430 mil bovinos foram abatidos no escopo do Programa Carne Angus. “Isso mostra que temos um padrão rigoroso de controle sobre as carcaças que aprovamos. Aqui, não basta dizer que é Angus, é preciso provar”, reforça Ana Doralina. Para 2019, a meta é elevar em 10% os abates de animais certificados. “No primeiro semestre, os resultados não atingiram esse patamar, mas esperamos uma expansão substancial até o fim do ano em função da sazonalidade tradicional do mercado de pecuária de corte brasileiro”, acrescentou o presidente da Angus. O que se viu no primeiro semestre, pontuou ele, foi falta de animais para abate, e não de mercado para a carne Angus.

A divisão da safra e da entressafra do boi gordo é um dos temas cruciais a ser trabalhado. Conforme Ana Doralina, há necessidade de uma oferta mais regular de animais prontos para abate ao longo do ano. “Muito se ouve que o mercado quer Angus e que faltam bovinos, algo que foi bem frequente neste início de ano. Precisamos trabalhar junto aos pecuaristas para que tenhamos maior oferta de animais ao longo de todo o ano”, reforça.

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ARG é a 1ª propriedade a obter selo Sustentabilidade e, no primeiro ano, quer produzir 500 t/mês. Da esquerda para a direita: Milton, Plínio Pereira, Nivaldo, Géo, Vitoriano, Ana Doralina e Guilherme

Uma das estratégias para interagir com os usuários da raça, ou seja, aqueles pecuaristas que usam a Angus como matéria-prima para a produção de bezerros, também deve sair do papel, com a adoção de uma agenda de Giras Técnicas pelo País. Uma das metas da nova gestão da Angus, empossada em janeiro deste ano, o projeto visa, exatamente, orientar os criadores sobre as vantagens da raça dentro da propriedade. “A Angus é lucrativa dentro e fora da porteira. É uma raça que concede precocidade reprodutiva e de abate, aumentando o giro das propriedades. E ainda vale mais porque é a carne que o mercado quer”, frisou Dzyekanski.

Lucro que também tem força para quem trabalha na indústria, uma vez que a Angus segue inovando em formas de agregar qualidade e valor à carne. Operando no mercado premium, a VPJ Alimentos é uma das empresas que vêm colhendo bons resultados no mercado nacional, principalmente com a produção em nichos ainda mais seletos. A empresa foi a primeira a receber a autorização para utilização do selo Angus Gold, um projeto lançado em 2017 e que certifica cortes superiores com base em padrões internacionais de qualidade de carne. No escopo do selo Gold – que está no guarda-chuva do Programa Carne Angus Certificada –, os técnicos da Angus avaliam as carcaças com ainda maior rigor, selecionando-as, além dos tradicionais critérios, também pelo grau de marmoreio, pH e coloração da carne. “O lançamento da linha foi um sucesso e incrementa as vendas da empresa nos segmentos premium. O mercado Gold é mais definido, mas tem bastante constância, ou seja, quem experimenta não troca”, conta o proprietário da VPJ e criador Valdomiro Poliselli Júnior.

Neste ano, foi a vez de lançar o projeto Angus Sustentabilidade, focado em novas tendência do consumo, alicerçadas em sustentabilidade ambiental, responsabilidade social e biossegurança. Apresentada oficialmente no mês de junho, em Belo Horizonte/MG, a nova certificação chancela procedência de fazendas com boas práticas de produção. Estratégia que se estima resultar em valores até 10% superiores para os cortes na gôndola do supermercado. “É um diferencial para propriedades que trabalham com pecuária de excelência, atentando para sustentabilidade, responsabilidade social, sanidade, biossegurança, bem-estar animal e rastreabilidade”, frisou Ana Doralina. O que não quer dizer que propriedades que não tenham o selo do projeto não estejam adequadas aos critérios, apenas que ainda não passaram pela auditoria da certificadora alemã Tüv Rheinland, empresa responsável pelo controle in loco dos critérios definidos em protocolo. “Quem trabalha no campo sabe que é impossível operar com pecuária sem respeito ao ecossistema e à vida”, salientou o presidente da Angus, confiante da expansão do projeto nos próximos meses.

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Associação Angus chama a atenção à importância do selo para certificar procedência

A primeira propriedade a receber o direito de estampar o novo selo em seus rótulos foi o grupo mineiro ARG, proprietário da Fazenda Santa Mônica, em São João da Ponte/ MG. A empresa, que deu início à produção de carne Angus certificada há pouco mais de um ano, tem como meta ofertar ao mercado 500 toneladas ao mês. Para isso, o grupo ARG investiu R$ 20 milhões em linha exclusiva de desossa do Frigorífico Dimeza, em Contagem/ MG, que leva a marca Carapreta. A produção comercializada advém de duas fazendas que, juntas, têm 60 mil cabeças. “Nosso destaque são os animais Angus superprecoces abatidos entre 12 e 14 meses, resultado de uma seleção rigorosa para oferecer ao mercado a melhor carne do Brasil”, pontuou o diretor de Agronegócios do Grupo ARG, Vitoriano Dornas Neto. A ideia, informa ele, é focar no mercado de food service e boutiques. As metas são audaciosas, e, em janeiro de 2020, o grupo quer atingir a marca de 750 toneladas/mês.

Após o piloto em Minas Gerais e a validação deste protocolo, o Selo Angus Sustentabilidade deve ser incorporado por outras linhas de corte Angus no Brasil, nos próximos meses. Segundo a gerente nacional do programa Carne Angus, a tendência é que o selo Angus Sustentabilidade ganhe força nas principais empresas que operam com Angus. “Estamos atendendo a novas correntes de comportamento de consumo. As famílias buscam mais informações sobre os produtos que adquirem, querem a garantia de que a carne que consomem não agride o meio ambiente e é produzida dentro das mais rígidas normas de respeito e cuidados com os animais, entre outros quesitos”, ressaltou Ana Doralina.

Menos impacto, mais eficiência

Mas a preocupação sobre o impacto da produção não se restringe à auditoria de propriedades e sistemas de produção. A Angus também está assumindo a dianteira na seleção de animais que tragam menos impacto ao meio ambiente, consumindo menos, produzindo mais e gerando menos resíduos. Isso vem acontecendo por meio dos chamados testes de eficiência alimentar, provas que indicam quais reprodutores, dentro de uma amostra de alto desempenho, têm maior índice de eficiência alimentar com menor ingestão de alimento. Atualmente, está em curso uma prova realizada em parceria com a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), com 21 touros. Os animais estão em unidade experimental em Eldorado do Sul/RS para mensuração de dois importantes escores: o Consumo Alimentar Residual (CAR) e Consumo, Ganho e Peso Residual (CGPR). Com base no cruzamento dos dois dados, pretende-se listar os touros mais eficientes. Segundo o professor pós-doutor do departamento de Zootecnia da Ufrgs e coordenador da prova, Jaime Tarouco, é necessário avaliar os fenótipos de eficiência alimentar, tanto na seleção dos animais quanto na análise genômica. “Cerca de 60% a 70% do custo do produtor é em alimentação”, justifica.

O ganho estimado dos animais no período de prova é dois quilos por dia, um diferencial que garante touros prontos para a primavera e com um indexador a mais que promete adicional nas pistas. Na temporada de 2018, quando foi realizada a primeira edição do teste da Ufrgs, os touros que pontuaram a prova atingiram valorização destacada nos remates particulares. “Esse tipo de prova não é apenas uma questão de economia nos custos, mas uma decisão inteligente em vários aspectos, inclusive em relação à consciência ambiental”, salientou o médico-veterinário e gerente de fomento da Angus, Mateus Pivato.

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O horizonte é promissor para a raça Angus com base em seu programa de carne certificada

Outra prova similar realizada pela Angus na busca de exemplares superiores foi o teste feito em parceria com a Verdana Agropecuária, em Itatinga, interior de São Paulo. Segundo o diretor da Verdana, Bruno Grubisich, a prova contou com parceiros de todo o País em um desafio de desempenho em ambiente tropical. “Esse é um trabalho muito envolvente e importante para o desenvolvimento do cruzamento industrial do Brasil. A Angus é nossa parceira, e acreditamos que a raça é o tempero certo para o cruzamento industrial com o Nelore”, comentou.

Venda de sêmen

As vendas de sêmen Angus fecharam 2018 em total de 4.944.288 doses, alta de 28,3% em relação ao comercializado em 2017, quando a raça respondeu por 3.853.398 palhetas. Os dados foram apurados pela Associação Brasileira de Inseminação Artificial (Asbia) e divulgados pelo gerente de fomento da Associação Brasileira de Angus, Mateus Pivato, durante apresentação sobre a raça Angus na pecuária brasileira no Secretariado Mundial de Angus, em Punta del Este, Uruguai. A expansão registrada na Angus supera o desempenho do mercado nacional de sêmen para pecuária de corte, que registrou crescimento de 19,2% e atingiu a marca de 9,62 milhões de doses comercializadas entre todas as raças. Sozinha, a Angus responde por 51% de todo esse volume. “Os números confirmam que a Angus vem puxando a expansão do uso de genética de alta qualidade nos rebanhos brasileiros. E, mais que isso, vem agregando qualidade ao gado e à carne que produzimos”, pontuou.

A expansão do uso de sêmen está lastreada exatamente no crescimento do cruzamento industrial. Pensando em potencializar a seleção de reprodutores para o uso em áreas de clima mais quente sobre vacas zebuínas, a Angus deu início a um trabalho de avaliação de gado meio-sangue. O estudo inovador vem sendo realizado em parceria com o Promebo, programa de melhoramento genético oficial da raça Angus, realizado pela Associação Nacional de Criadores Herd-Book Collares (ANC), e visa mensurar a capacidade de touros puros Angus originarem terneiros meio-sangue superiores.

Genômica

Os criadores de Angus da América Latina pretendem dar início a um trabalho pioneiro de integração dos bancos de dados genômicos da raça. A ideia surgiu durante reunião da Confederação Latinoamericana de Países Produtores de Angus (Colappa), realizada durante o Secretariado Mundial de Angus no Uruguai, em março. O projeto – que deve ter adesão de mais nações – busca criar uma população de referência maior para embasar os processos de seleção genômica. A expectativa é que os Estados Unidos – país com o maior banco de dados mundial da raça – também integrem o projeto de compartilhamento de informações, o que daria um upgrade substancial a todas as demais operações mundiais.

O país mais adiantado da América Latina no assunto é a Argentina, onde já estão iniciando as análises. O Brasil ainda trabalha com a formação de sua população de referência para, só então, começar o trabalho em si. Segundo o gerente de fomento da Angus, Mates Pivato, há cerca de 2 mil reprodutores já genotipados no País, e a meta é chegar ao fim do ano com 2,5 mil. “Queremos iniciar o projeto de genômica ainda em 2019, e acredito que conseguiremos”, reforçou.

Festivais à vista

O ato de degustar um bom assado ganha cada vez mais variáveis no mundo da gastronomia. Com o avanço de novas técnicas, o espeto perdeu lugar para a grelha e até para o varal. Seguindo a batida do carnivorismo, a Angus vem investindo em grandes festivais de degustação que deixaram a Região Sudeste e conquistaram o País. Como o que deve ocorrer no dia 25 de agosto, durante a Expointer, no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio/RS. A primeira edição de “Ô Churras Angus” reunirá quatro frigoríficos parceiros em um momento de descontração e boa mesa. A gerente do programa Carne Angus, Ana Doralina Menezes, lembra que a ideia surgiu com o objetivo de levar à maior feira de agropecuária da América Latina um grande encontro do churrasco. A ação será realizada na Pista do Gado Leiteiro e trará bancadas com preparos diferenciados.

Na agenda gastronômica da Angus ainda há muitos outros eventos à vista. Uma das novidades do ano será o Festival Angus Malbec, que ocorrerá em duas edições, em 2019, em Gramado/RS. O sucesso do menu deste inverno garantiu gás extra ao empresário Josiano Schmitt para organizar a segunda edição para o período do Natal, quando a cidade também fica repleta de visitantes. “Proporcionamos para o consumidor muito mais do que o consumo de carne Angus. Temos todo o histórico desses cortes, desde o que acontece no manejo e abate do animal até o porcionamento. E assumimos o compromisso de preparar muito bem aquilo que já é muito bom”, frisou o empresário. O projeto tem parceria do frigorífico Zimmer e vem se consolidando na agenda da serra gaúcha. “Esse evento valoriza muito os novos cortes, o que vem sendo trabalhado a cada nova edição. É uma oportunidade ímpar para o consumidor ter novas experiências gastronômicas”, frisou o diretor do Zimmer, André Zimmer. E prometeu: para a edição de 2020, o Zimmer virá para o Festival Angus Malbec com um novo corte de carne Angus para surpreender o mercado gaúcho.

Em 2019, a intenção da Angus também é expandir ação ao lado das Churrascadas. Desembarcando no Rio Grande do Sul, o projeto ocorreu no clube de polo El Paraíso, em Viamão, Região Metropolitana de Porto Alegre, e, mesmo com chuva, reuniu cerca de mil pessoas. A Angus participou com três bancadas que prepararam short rib defumado, do Frigorífico Estrela; vazio grelhado, do Frigorífico Silva; e brisket defumado, da VPJ. “Hoje, sabemos que a Angus é protagonista no cenário nacional de carne de qualidade com um programa estruturado e que funciona muito bem”, pontuou o diretor de Marketing da Angus, Ignácio Tellechea. Na agenda de assados da Angus, também consta o evento realizado em Belo Horizonte, em junho, e a Churrascada São Paulo, que ocorre no início de agosto e deve contar com mais de 4 mil pessoas.

A raça também marcou presença de peso na 8ª edição do Mr. Moo, em São José dos Campos/SP. Com mais de 6 mil pessoas, o festival só trabalhou com cortes bovinos Angus certificados. Segundo Bruno Alvarenga, proprietário da Mr. Moo Boutique de Carnes, foram comercializadas quase sete toneladas de carne, entre ovino, suíno e bovino.


O que fazer para receber o Selo Angus Sustentabilidade

•A propriedade precisa utilizar genética Angus e trabalhar com animais com, no mínimo, 50% de sangue Angus

•Podem participar propriedades rurais independentemente do sistema de criação (a pasto ou confinados)

•Para pleitear a certificação, o pecuarista deve encaminhar solicitação à Associação Brasileira de Angus e seguir as orientações de protocolo específico

•A Angus destinará técnicos para acompanhar os processos produtivos da fazenda e orientar sobre boas práticas de produção e correções que, por ventura, sejam necessárias

•Transcorridos os trâmites junto à Angus, é preciso submeter a propriedade ao processo de auditoria da certificadora alemã Tüv Rheinland, que fará um check-list da fazenda sobre temas técnicos

Alguns itens do check-list:

•Preservação de vegetações nas nas centes e em área de reserva natural

•Descarte adequado de embalagens vazias de defensivos agrícolas e de medicamentos

•Não fazer uso de queimadas

•Plano de recuperação de áreas degradadas

•Não usar mão de obra infantil ou escrava

•Funcionários devidamente registrados

•Fornecer Equipamento de Proteção Individual (EPI)

•Filhos de funcionários devem estar matriculados na escola

•Uso correto e controlado de antibióticos dentro dos prazos definidos por lei

•Registro de aplicação de medicamentos por animal

•Medidas antiestresse animal

•Respeito ao limite de área mínima por animal conforme o sistema produtivo


Carne Angus em novas mãos

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Natural de Pelotas, Região Sul do Rio Grande do Sul, o pecuarista Milton Martins Moraes Filho é o novo diretor do maior projeto de carnes premium do País: o Programa Carne Angus Certificada. Com propriedade em Santa Vitória do Palmar/ RS, onde trabalha com engorda de animais Angus e agricultura, ele dirige o projeto com o olhar de quem conhece o programa por dentro. Aqui, ele conta, em entrevista especial à Revista AG, quais desafios tem pela frente.

AG – Quais as expectativas do Carne Angus para 2019?

Milton Martins Moraes Filho – O mercado de carne premium está em expansão, e, apesar da crise financeira pela qual o País atravessa, achamos que há condições para crescer. No início do ano, projetamos expansão de 10% nos abates, uma meta bem audaciosa. O mercado vem reagindo de forma mais acanhada do que esperávamos, mas estamos confiantes que o desempenho do segundo semestre vai favorecer os abates do Programa Carne Angus.

AG – Quais seus principais desafios à frente do projeto?

Moraes Filho – Acredito ser essencial estar perto do produtor, das pessoas que realmente produzem a carne Angus em seus campos. Claro que a Associação Brasileira de Angus é uma entidade voltada aos criadores, e eles são realmente a força genética que movimenta essa roda. Contudo, a atual diretoria acredita muito na força que vem dos usuários dessa genética. É importante mostrar aos pecuaristas por que vale muito a pena criar Angus. Angus é sinônimo de produtividade, rentabilidade, eleva muito o giro econômico das fazendas, é uma raça lucrativa de todas as formas.

AG – O que se pode esperar de novidade nos próximos anos?

Moraes Filho – Estamos sempre pensando em novos projetos, em formas de promover e valorizar nosso produto no mercado. Porque não resta dúvida que temos um produto de excelência em mãos para trabalhar. Para o futuro, nossa meta é que mais gente invista na raça, mais gente queira produzir com Angus e mais gente queira consumir Angus. E estamos trabalhando duro e de portas abertas para que isso aconteça.