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Oportunidades com a crise chinesa

O produtor deve estar sempre preparado para as oportunidades que surgem de tempos em tempos. A crise na China, devido à peste suína, que lá se instalou, é uma destas oportunidades que aparecem e devem ser aproveitadas. Um pequeno aumento no consumo de carne vermelha naquele país irá representar um grande aumento nas exportações de carne no mundo e o Brasil sempre se candidata a protagonista nestas ocasiões. Exagerando um pouco, se os chineses resolverem comer carne bovina por lá com vontade, nós vamos ficar sem ela por aqui... Ainda se come carne barata por aqui, pois mais de 80% da carne produzida é comercializada no mercado interno. Mas, isto pode mudar, para deleite dos pecuaristas e tristeza dos churrasqueiros de final de semana.

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Devemos aproveitar estes momentos também para repensar a forma como se conduz a pecuária de corte no Brasil. Muitas propriedades já se modernizaram e tratam a questão da bovinocultura de corte como um negócio e a fazenda como uma empresa. Infelizmente, a maioria não age assim, muitos por desconhecimento, outros por negligência e outros ainda por absoluta incapacidade de investimento (leia-se alocação de recursos, sejam eles financeiros, humanos ou tecnológicos).

Como comentado na coluna anterior, a situação política do país continua instável e isto afeta diretamente o setor agropecuário, que depende de investimentos para continuar na liderança dos setores produtivos. As reformas ainda não saíram do papel, o que causa as incertezas vividas. Cabe aos produtores agirem com cautela e bom senso.

O quadro Boi Gordo no Mundo apresenta os valores da arroba nos quatro principais países exportadores de carne bovina, entre os dias 18 de março e 15 de abril de 2019, expressos em dólares americanos.

A avaliação neste mês volta a considerar 21 dias úteis, padrão de dias no período, uma vez que não inclui os feriados da Semana Santa. Comparando-se os preços com o período anterior, verifica-se uma tendência de manutenção de valores para Brasil (alta de 0,21%, sendo cotada a US$ 40,74) e Estados Unidos da América (alta de 0,94%, com cotação de US$ 67,11). Contrariando o ocorrido anteriormente, a Argentina apresentou uma baixa de 5,01% no valor da arroba, passando de US$ 43,47 para US$ 41,29. Este fato fez com que a Argentina fosse mais competitiva no mercado internacional neste período do que no anterior; no entanto, ainda menos que o Brasil. Já a maior queda neste mercado foi verificada na Austrália, que perdeu 9,57% no valor do seu produto (passou de US$ 55,25 para US$ 49,96 a arroba). Fatores climáticos ajudam a explicar este fato, que fez com que a carne australiana se aproximasse um pouco do patamar de preços praticados por Brasil e Argentina. Com isso, a carne americana, de longe, continua sendo a mais valorizada no mercado internacional. A carne brasileira segue sendo a mais barata entre os países avaliados; porém, seguida mais de perto por Argentina e Austrália. O foco brasileiro deve ser sempre a conquista de novos mercados e, para isso, sem dúvida, o preço do produto é um fator importante.

O gráfico Evolução do preço da arroba do boi gordo por UF (Unidade da Federação) mostra a variação dos preços da arroba a prazo no mercado interno, no período compreendido entre os dias 18/03 e 15/04/19.

No período analisado, entre os dias 18/03 e 15/04/19, e considerando a média de nove dos principais estados produtores de carne bovina do País, a média da valorização da arroba do boi gordo a prazo foi de 1,05%, confirmando, se não uma tendência de estabilização de preços, uma alta pouco representativa, o que é uma característica desta época do ano. A expectativa para os próximos meses é de alta (será?). Neste período, os mesmos dois estados que registraram queda no valor da arroba do boi gordo no período anterior repetiram a dose: Santa Catarina e Rio Grande do Sul (0,62 e 0,20%, respectivamente); nos outros sete tivemos alta, sendo que a maior delas ocorreu no Pará (valorização de 3,30%, passando de R$ 136,10 para R$ 140,59).

Nos outros estados a situação mostrou- -se da seguinte forma: em São Paulo a valorização da arroba do boi gordo a prazo foi de 2,38%; em Minas Gerais foi de 0,87%; em Goiás 1,31%; no Mato Grosso do Sul 1,61%; no Mato Grosso 0,68% e no Paraná 0,15%. A média dos nove estados avaliados no período foi de R$ 147,67 por arroba comercializada, sendo que em São Paulo foi praticado o preço mais alto, de R$ 157,24.

O gráfico Média do preço da desmama, que representa os animais machos da raça Nelore com oito meses de idade e 165 kg de peso vivo, mostra os valores pagos pela reposição da categoria no período de 18/03 a 15/04/19.

Entre os dias 18 de março e 15 de abril, período avaliado para o resumo desta coluna, foi verificada uma valorização da desmama, o que confirma mais uma vez a tendência de alta desta categoria no mercado interno. A alta, desta vez, foi de 1,40%, ainda maior do que no período anterior. Apenas um estado avaliado apresentou queda: Mato Grosso (é a exceção à regra do ciclo de alta que estamos vivenciando). São Paulo continua sendo o estado onde a desmama é mais valorizada no País. Neste período a unidade desta categoria foi negociada, em média, a R$ 1.265,24 (valorização de 0,89%). A maior alta ocorreu no Rio Grande do Sul (2,88%), mas é lá que a categoria é menos valorizada, quando comparada ao restante das praças, tendo sido cotada, em média, a R$ 1.070,00 por cabeça.

A média geral da categoria nos oito estados avaliados foi de R$ 1.215,36 por cabeça. A situação por estado ficou assim definida: São Paulo com alta de 0,89%; Minas Gerais com 1,89%; Goiás 2,02%, Mato Grosso do Sul 2,23%; Mato Grosso com queda de 1,02%; Pará, alta de 0,09%; Paraná 1,38% e Rio Grande do Sul 2,88%.

O último gráfico desta coluna, Relação de Troca Média, apresenta a relação de troca entre as categorias de desmama e boi magro com o boi gordo de 16 arrobas, no período compreendido entre os dias 18 de março e 15 de abril de 2019.

Evolução do preço da arroba do boi gordo por UF - 18/03/2019 a 14/04/2019

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A relação de troca entre desmama e boi gordo manteve-se absolutamente estável no período atual. Tanto no período anterior como agora o invernista pôde adquirir 1,94 cabeça de desmama com uma cabeça de boi gordo. Este índice ficou equilibrado entre os estados avaliados: em três deles a relação subiu (São Paulo, Mato Grosso e Pará) e em cinco caiu (Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso do Sul, Paraná e Rio Grande do Sul). A maior queda, favorável aos criadores ocorreu no estado do Rio Grande do Sul, passando de 2,29 para 2,21 (maior relação de troca no País). A maior alta, por outro lado, aconteceu no Pará, onde o invernista passou a adquirir 1,86 cabeça de desmama com um boi gordo contra apenas 1,82 no período anterior.

Nos demais estados a média da relação de troca desmama/boi gordo ficou assim: 1,99 em São Paulo, 1,94 em Minas Gerais, 1,86 em Goiás e no Mato Grosso do Sul 1,82 no Mato Grosso e 1,96 no Paraná.

Média do preço da desmama de 18/03/2019 a 14/04/2019 Macho Nelore - 8 meses - 165 kg

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Na categoria de boi magro houve uma alteração desprezível de 0,01 ponto percentual a favor do invernista (ou seja, praticamente nada!), mantendo-se uma estabilidade na relação de troca na média das regiões. Esta relação passou agora a 1,25 na média, contra 1,24 do período anterior. Em quatro estados a relação caiu (Minas Gerais, Mato Grosso, Paraná e Rio Grande do Sul), em três ela subiu (São Paulo, Mato Grosso do Sul e Pará) e em um se manteve estável (Goiás), confirmando a equilíbrio destes índices neste período. A relação de troca em todos os estados foi a seguinte: São Paulo 1,24, Minas Gerais 1,26, Goiás 1,18, Mato Grosso do Sul 1,20, Mato Grosso 1,22, Pará 1,31, Paraná 1,29 e Rio Grande do Sul 1,26.

Relação de troca média - 18/03/2019 a 14/04/2019

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O que mais reforçamos ao escrever esta coluna é a necessidade de gerir os dados das propriedades de forma profissional. Para que possamos entender em que patamar estamos dentro do setor de pecuária de corte, tópico alvo destes comentários, precisamos conhecer a fundo os índices do nosso negócio. Gerar dados é relativamente simples, analisá-los e transformá-los em uma ferramenta poderosa de controle é mais complexo. Isso exige gestão eficiente.

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Antony Sewell
Boviplan Consultoria