Santo Capim

Correção e Adubação da Pastagem (Parte 2)

Santo

Adilson de Paula Almeida Aguiar é zootecnista, investidor nas atividades de pecuária de corte e leite, professor de Forragicultura e Nutrição Animal e Consultor Associado da Consupec - Consultoria e Planejamento Pecuário Ltda.

A maior parte do rebanho bovino brasileiro encontra-se em pastagens implantadas em solos ácidos, pobres em fósforo, cálcio, magnésio, zinco, enxofre, nitrogênio, potássio, cobre, boro, matéria orgânica e com níveis tóxicos de alumínio e manganês. Nestas condições a produção de forragem estimada seria suficiente apenas para suportar taxas de lotação animal entre 0,41 e 0,48 UA/ha/ano.

Aquela baixa lotação animal caracteriza um grande desperdício de recursos climáticos tão favoráveis desta região, tais como: índices pluviométricos entre 1.200 e 2.000 mm/ ano, temperaturas médias acima de 22ºC e alta intensidade luminosa; solos planos e profundos; potencial de produção das plantas forrageiras tropicais; e determina que, naquelas condições, a produção animal em pasto seja uma das piores alternativas de uso da terra quando comparada com outras atividades.

Quando aqueles recursos ambientais são explorados com eficiência, podem-se estabelecer altas produtividades em sistemas de pastagens, com lotação animal entre 2 a 20 UA/ ha, durante a primavera-verão; produtividade da ordem de 300 a 3.600 kg/ha/ano de peso vivo (150 a 1.800 kg de carcaça/ha/ano); e produção de leite entre 5.000 a 60.000 kg/ha/ano. Com esses níveis de produtividade animal, os sistemas de produção de leite e carne em pasto passam a ser muito competitivos com outras alternativas de uso da terra. As causas que levam àquelas baixas produtividades são muitas. Umas das mais citadas nos trabalhos sobre produção animal em pasto é a influência da baixa fertilidade dos solos de pastagens.

Por outro lado, nos últimos 15 anos, tem aumentado, consideravelmente, o número de produtores que tem intensificado a produção em pastagem fazendo uso de fertilizantes. Nesse contexto, as preocupações já devem ser outras, tais como: manejo incorreto do pastejo e baixo desempenho animal reduzindo os efeitos benéficos da adubação, escolha inadequada das fontes de fertilizantes, erros no manejo de aplicação dos corretivos e fertilizantes e riscos de contaminação do meio ambiente.

Considerando a crescente demanda da sociedade por alimentos, fibras e combustível, o intenso estresse financeiro global e as crescentes preocupações sobre os impactos na qualidade da água e do ar, a melhoria simultânea da produtividade e da eficiência na utilização dos recursos, incluindo a eficiência de utilização de nutrientes, é imprescindível que a agricultura e a pecuária adotem boas práticas de manejo no uso de corretivos e fertilizantes (BPM). BPM podem ser definidas como ações aplicadas aos recursos, que tenham sido validadas pela pesquisa, para proporcionar a melhor combinação entre desempenho econômico, social e ambiental. Para o manejo da fertilidade do solo, BPMs se constituem na aplicação em campo dos quatro cês (4 Cs): aplicação da fonte de nutrientes Certa, na dose Certa, no lugar Certo e na época Certa.

Um programa de manejo da fertilidade de solos da pastagem, deve contemplar as seguintes etapas: a) escolha da área que será corrigida e adubada; b) medição e mapeamento da área; c) amostragem de solo e de planta e envio das amostras ao laboratório; d) análise laboratorial; e) interpretação dos resultados de análises de solo e de planta e recomendações de correção e adubação; f) planejamento e execução do programa; g) práticas corretivas: calagem, gessagem, fosfatagem, potassagem, correção de micronutrientes, correção da matéria orgânica; h) práticas de adubação: com cálcio, magnésio, fósforo, potássio, enxofre, micronutrientes, nitrogênio; i) tipos de adubação: química, orgânica, organomineral; j) métodos de aplicação: manual, tração animal, tratorizado, aéreo, foliar, fertirrigação; k) avaliação dos resultados: resposta técnica e econômica; l) avaliação de impacto ambiental.

Para se iniciar um trabalho de manejo da fertilidade do solo, precisa-se primeiro conhecer os métodos pelos quais se pode avaliar a fertilidade de um solo. Esses métodos são a análise química e física do solo, a diagnose visual de deficiências minerais nas plantas e a análise química da planta. O método de análise química e física do solo.

Os programas de análises de solo e de plantas são utilizados com o objetivo de fornecer um guia para o manejo adequado da fertilidade do solo e da nutrição mineral das plantas. Esses programas fundamentam-se em pesquisas relacionando as propriedades químicas dos solos e/ou o estado nutricional das plantas com a produtividade vegetal. Assim, bons programas nessa área dependem da existência de amplos resultados de pesquisa.