Sobrevoando

BEA

Toninho Carancho
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Estava pensando no título da coluna deste mês, e o ideal seria “Bem- -Estar Animal”. Mas, como os títulos que eu faço são sempre somente uma palavra – porque prefiro assim e não quero abrir mão –, tive que inventar a BEA. Talvez até ajude a chamar mais a atenção. Ficou meio parecido com a BIA, do Bradesco, mas não foi essa a intenção. Mas vamos ao que interessa, que, certamente, não é essa conversa fiada.

Estive sobrevoando por um evento em Ribeirão Preto dedicado ao confinamento e às suas nuances, que são muitas. Excelente evento, com palestrantes muito renomados e competentes em suas respectivas áreas, local magnífico, confortável, dentro de um shopping center com alto Bem-Estar Humano. Sensacional, é assim que tem que ser, tudo muito confortável e com alto nível de informação.

Sempre quatro palestras por turno, intermediadas por um coffee break, e, no final, uma mesa-redonda com os palestrantes do dia.

Numa dessas mesas-redondas – foram três –, o palestrante Dr. Mateus J. R. Paranhos da Costa, do Grupo ETCO/Unesp, de Jaboticabal/ SP, que tinha proferido a palestra “Práticas de manejo pré-abate e seus impactos no peso da carcaça e qualidade de carne”, foi bastante incisivo na sua posição de defesa do Bem-Estar Animal, tanto que deixou um certo mal-estar humano em alguns dos presentes. Achei interessante o posicionamento dele, que é muito conhecido e respeitado no meio pecuário e que nada tem a ver com posicionamentos desse pessoal radical que não come carne e que pretensamente é defensor dos animais. Nada disso. Foi um posicionamento de alto nível, dizendo com todas as letras que os pecuaristas, em geral, e os confinadores, em especial, devem cuidar muito da questão do BEA por vários motivos. Primeiro porque quem cria gado é por que gosta de animais, e quem gosta cuida. Segundo porque, no final das contas, possivelmente, teremos lucro ao fazer isso, e, em terceiro, porque estamos sendo monitorados, vigiados e espionados por gente que quer o fim da criação de gado e dos confinamentos. Não vou entrar em minúcias aqui, porque o espaço é curto e temos que tratar desses assuntos em casa, mas achei muito interessante o seu enfoque e a sua preocupação.

Lembro sempre de um comercial de TV que via nos EUA, na década de 1990, em que aparecia uma vaca holandesa passando frio, numa nevasca, e, depois, aparecia outra vaca numa pastagem bem verdinha, num dia de sol, e o texto dizia algo como “As vacas da Califórnia são mais felizes e, por isso, produzem o melhor leite”, anúncio bancado pelos produtores daquele estado já demonstrando a preocupação com o público consumidor, quase que na totalidade urbano. Parece-me que é essa preocupação e esse cuidado que precisamos ter cada vez mais. Nesse tipo de tratamento com alto BEA – mesmo que nos custe alguns gramas de ganho por dia ou que incida em alguns custos adicionais –, esses procedimentos irão nos garantir ou, no mínimo, auxiliar na venda de carne por muitos anos. Em tempos de veganos, vegetarianos, assuntos politicamente incorretos e mídias sociais de todas as tendências, temos que ficar espertos. Parabéns, Dr. Paranhos. Você está certo.

Fui! Vou fazer a minha parte, tenho que cuidar das vacas e fazer uns cafunés na bezerrada.