Santo Capim

CORREÇÃO E ADUBAÇÃO DO SOLO DA PASTAGEM (Parte 1)

Santo

Adilson de Paula Almeida Aguiar é zootecnista, investidor nas atividades de pecuária de corte e leite, professor de Forragicultura e Nutrição Animal e Consultor Associado da Consupec - Consultoria e Planejamento Pecuário Ltda.

Nesta edição, completam-se dois anos desde que iniciei escrevendo os artigos na área de manejo da pastagem para a coluna Santo Capim, da Revista AG. Tudo o que foi abordado até agora eu considero dentro de um pacote que denomino de “tecnologias de processos e de baixo insumo“ – definindo: uma tecnologia de processo é aquela baseada na adoção de uma técnica ou de um procedimento técnico, tais como a escolha da espécie forrageira, o manejo do pastejo pelas alturas-alvo, a gestão da produção de forragem da propriedade, sem aumento de investimentos e de custos, enquanto uma tecnologia de baixo insumo implica em aumento de custos, mas estes são relativamente baixos e apresentam alta relação de benefício, tais como o controle de pragas e de plantas infestantes. Eu diria que a adoção daquelas tecnologias pode ser feita por qualquer tipo de produtor, pois são básicas. A adoção das mesmas possibilita um incremento no desempenho animal na ordem de 50% e na taxa de lotação de 100%, aumentando a produtividade da terra de pastagem em cerca de 200%.

Entretanto, cada vez se torna mais evidente a necessidade de se adotar tecnologias de alto insumo como base da intensificação dos sistemas de produção a pasto, incorporando as tecnologias de correção, adubação e irrigação do solo, as quais demandam altos investimentos e custos.

Para fertilidade do solo, é preciso adotar as boas práticas de manejo no uso de corretivos e fertilizantes (BPM). Os BPMs se constituem na aplicação em campo dos quatro Cs (4 Cs): aplicação da fonte de nutrientes Certa, na dose Certa, no lugar Certo e na época Certa.

Um programa de manejo da fertilidade de solos da pastagem deve contemplar as seguintes etapas: a) escolha da área que será corrigida e adubada; b) medição e mapeamento da área; c) amostragem de solo e de planta e envio das amostras ao laboratório; d) análise laboratorial; e) interpretação dos resultados de análises de solo e de planta e recomendações de correção e adubação; f) planejamento e execução do programa; g) práticas corretivas: calagem, gessagem, fosfatagem, potassagem, correção de micronutrientes e correção da matéria orgânica; h) práticas de adubação: com cálcio, magnésio, fósforo, potássio, enxofre, micronutrientes e nitrogênio; i) tipos de adubação: química, orgânica e organomineral; j) métodos de aplicação: manual, tração animal, tratorizado, aéreo, foliar e fertirrigação; k) avaliação dos resultados: resposta técnica e econômica; e l) avaliação de impacto ambiental.

Para se iniciar um trabalho de manejo da fertilidade do solo, precisa-se, primeiro, conhecer os métodos pelos quais se pode avaliar a fertilidade do solo. Esses métodos são a análise química e física do solo, a diagnose visual de deficiências minerais nas plantas e a análise química da planta.

Os programas de análises de solo e de plantas são utilizados com o objetivo de fornecer um guia para o manejo adequado da fertilidade do solo e da nutrição mineral das plantas. Esses programas fundamentam-se em pesquisas, relacionando as propriedades químicas dos solos e/ou o estado nutricional das plantas com a produtividade vegetal. Assim, bons programas nessa área dependem da existência de amplos resultados de pesquisa.

Levantamentos sobre o consumo de fertilizantes e o uso de ferramentas de análise de solo e folhas por produtores agrícolas permitiram concluir que há ausência de tecnologia e de acompanhamento técnico no que se refere ao manejo da fertilidade do solo e da nutrição mineral de plantas: a) mais de 50% dos produtores baseiam-se na própria experiência para a prática da adubação e não possuem um programa adequado de acompanhamento da fertilidade do solo; b) a correção do solo pela aplicação do calcário é feita pela maioria dos produtores, mas sem critérios de dosagem e de frequência; c) uma pequena parte dos produtores conhece os efeitos da aplicação de gesso agrícola como condicionador do ambiente radicular de subsuperfície; d) cerca de 80% dos entrevistados possuem o hábito de solicitar análise de solo, mas 72% não estão aptos para interpretar os resultados; e) a análise de tecido vegetal é uma ferramenta pouco utilizada pelos produtores para avaliar a necessidade de ajustes no programa de adubação; f) mais de 90% dos entrevistados entendem que o uso inadequado de fertilizantes deve causar algum impacto ambiental; e g) 90% dos participantes admitiram necessitar de orientação para melhorar suas atividades agrícolas.

Na próxima edição, darei continuidade na abordagem deste tema.