Sala de Ordenha

Forte alta no preço ao produtor

No pagamento realizado em fevereiro, que remunera o leite entregue em janeiro, foi verificado o segundo mês consecutivo de alta para o produtor.

A queda na produção desde dezembro de 2018 aumentou a concorrência entre os laticínios pela matéria-prima (leite cru).

Figura 1 – Preço do leite pago ao produtor, média nacional ponderada dos 18 estados pesquisados pela Scot Consultoria, em R$/litro, sem o frete, em valores nominais

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Considerando a média nacional ponderada dos 18 estados pesquisados pela Scot Consultoria, o aumento foi de 4,1% no pagamento de fevereiro de 2019 – a maior alta desde julho do ano passado.

Na comparação com o mesmo período de 2018, o produtor está recebendo 15,3% mais neste ano em valores reais, ou 8,7% de alta descontando a inflação nos últimos 12 meses (IGP-DI).

Com relação à produção, o volume captado (média nacional) caiu 2,8% em janeiro de 2019, na comparação mensal, e, em fevereiro, a queda foi de 2,6%.

A produção de leite recuou no Brasil Central e nas regiões Sudeste, Norte e Sul. Nessas regiões, o pico de produção foi em meados de dezembro de 2018.

Somente no Nordeste do País as precipitações, em janeiro, refletiram em aumento da produção, mas as irregularidades nos volumes de chuvas em fevereiro voltaram a afetar a oferta de leite nos estados em questão, que caiu.

Para o pagamento a ser realizado em março de 2019, a maior parte dos laticínios nas regiões Sul, Sudeste e Norte apontam para alta para o produtor, no entanto, o ritmo ou a intensidade deverá ser menor que o verificado no pagamento de fevereiro.

Para aqueles laticínios que falam em manutenção no preço pago ao produtor, a questão principal está na dificuldade de evolução das cotações dos lácteos no atacado.

A expectativa é de mercado firme, e altas nos preços do leite ao produtor não estão descartadas até abril/maio, em função da queda na produção da matéria-prima (leite cru).

No entanto, a intensidade desses aumentos, daqui em diante, dependerá de como vai reagir a demanda interna, que, por ora, tem se mostrado razoável. Existe uma dificuldade dos preços evoluírem na indústria e na ponta final da cadeia.

Atacado e varejo

O mercado atacadista de produtos lácteos fechou a primeira quinzena de março com ligeira queda nos preços.

Na média de todos produtos pesquisados pela Scot Consultoria, o recuo foi de 0,6%, frente à quinzena anterior.

O leite longa vida (UHT) ficou praticamente estável no período, com queda de 0,1%. O produto fechou cotado, em média, em R$ 2,55/litro.

Desde a segunda quinzena de janeiro, os preços do produto vêm andando de lado, sem muitas alterações.

O consumo de leites fluídos mais fraco na primeira semana de março, devido ao feriado de Carnaval, contribuiu para que esse cenário de estabilidade continuasse.

No varejo, em São Paulo, a situação foi de preços mais firmes. Na média de todos os produtos pesquisados pela Scot Consultoria, o aumento nos preços foi de 0,3% nos primeiros 15 dias de março.

O UHT também ficou praticamente estável, com alta de 0,1%. O produto está cotado, em média, em R$ 3,36/litro. Em relação ao mesmo período do ano passado, a cotação do produto está 20,0% maior nas gôndolas paulistas neste ano.

Rafael Ribeiro de Lima Filho, zootecnista Scot Consultoria