Genética

Aumenta demanda por Brahman Vermelho

Genética

Adilson Rodrigues
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No ano em que comemora 25 anos de Brasil, a retomada do cruzamento industrial ajudou a elevar a procura pelos animais de variedade vermelha, mais eficientes na padronização da pelagem dos bezerros, algo muito apreciado pelos frigoríficos brasileiros.

“O Brahman Vermelho está crescendo no mundo inteiro. Nos julgamentos do Congresso Mundial da Raça, realizado na Colômbia, em 2018, ele respondeu por 60% do volume de animais inscritos, cerca de mil”, comprova Paulo Scatolin, presidente da Associação dos Criadores de Brahman do Brasil (ACBB), sem precisar o volume de registros, posto que o livro não distingue as duas variações.

Segundo o presidente, essa demanda está aquecida, inclusive, nos países asiáticos, principalmente Tailândia, China e Vietnã. Pelo andar da carruagem, é uma tendência brasileira também. Envolvido com a raça desde 2007, o médico-veterinário e jovem criador Alex Miyasaki, 39 anos, é um dos novos adeptos do Brahman Vermelho.

“Optei pelo Brahman pela sua velocidade de ganho em peso e habilidade materna. A variedade vermelha surgiu como um diferencial para o cruzamento industrial, ao padronizar a pelagem quando usado sobre matrizes F-1 Angus X Nelore”, explica Miyasaki, que, há três anos, optou pelo Brahman Vermelho. Além da cor, o objetivo é que sejam todos mochos.

Para tanto, Miyasaki utiliza, na Fazenda União, em Anaurilândia/MS, uma linhagem de Brahman australiano e comprou seus primeiros exemplares da Prata Agropecuária. O Brahman Vermelho é selecionado há mais de duas décadas pelo pecuarista Antônio Renato Prata, em Paranavaí/PR, e teve sua origem a partir da genética importada da Austrália e dos Estados Unidos. O rebanho é formado a partir de cruzamento absorvente de vacas tabapuã de pelagem vermelha com touros americanos da mesma pelagem e portadores de caráter mocho.


Raça Brahman comemora Jubileu de Prata

Presente em 70 países, o zebuíno sintético de origem estadunidense, gerado a partir da mescla das raças Gir, Guzerá, Nelore e Krishina Valley, completa 25 no Brasil. A primeira importação de animais vivos dos Estados Unidos foi realizada em abril de 1994. Hoje, a raça está presente em quase todo o território nacional, computando 115 animais registrados na Associação Brasileira dos Criadores de Zebu.

A raça, reconhecida pela carcaça vultosa para um exemplar zebuíno, possui papel importante, inclusive, na construção de outras raças bastante conhecidas dos brasileiros, como Brangus, Braford e Santa Gertrudis. “A maciça participação em programas de melhoramento genético de muita credibilidade, em julgamentos de morfologia e em estudos sobre a raça produziu um Brahman genuinamente brasileiro”, destaca Paulo Scatolin.

Não faltam reconhecimentos ao Brahman Brasileiro. Em janeiro de 2018, o touro CABR Mussambê 2264 foi reconhecido como o Melhor Touro Brahman do Mundo durante a FWSSR Brahman Show, realizada em Fort Worth, no estado do Texas (EUA). Já no XIX Congresso Mundial da Raça Brahman, em dezembro do mesmo ano, foi a vez do criatório mineiro Uberbrahman receber homenagem por ser considerado uma referência internacional no fornecimento de genética da raça.

E as conquistas não param aí. O Brahman nacional ganhou uma marca própria de carne. Trata-se da Brahman Beef Premium, que chegará ao mercado em 2020. Uma iniciativa também elogiada na raça é a realização de julgamentos de Brahman a campo para avaliação de touros e matrizes puros em sistema extensivo. A ABCZ comprou a ideia e passou a adotar a metodologia nos julgamentos da Expozebu.