Na Varanda

É o início do fim da pecuária tradicional?

Na

Francisco Vila é economista e consultor internacional [email protected]

Em 1800, o economista inglês Thomas Malthus alertou os governantes de que deveriam tomar medidas para frear o crescimento da população. Naquela altura, a terra era habitada por 1 bilhão de pessoas, das quais 800 mil passavam fome. E, conforme o cientista, não havia condições de se aumentar a oferta de alimentos nas terras cultivadas. Bem, dentro do conhecimento da época, seu alerta fazia todo o sentido. O que Malthus e seus colegas não poderiam adivinhar era como, com a espiral de progressos tecnológicos, poderíamos chegar, dentro de 200 anos, a uma população mundial de 8 bilhões, mantendo, no entanto, o mesmo número de famintos. Porém, em vez de 80% seriam apenas 10% de subnutridos, que, com uma organização um pouco melhor, poderiam já hoje ser atendidos em suas necessidades básicas para erradicar a fome de vez no mundo.

Quais, então, foram os milagres que não eram previsíveis nesse início da época industrial? Historicamente, podemos observar quatro fases. Primeiro, no século XIX, a Revolução Industrial; depois, no século XX, a modernização da agricultura; recentemente, já no século XXI, a revolução da tecnologia de informação e da comunicação; e, finalmente, o progresso, sempre um pouco mais lento, na produção de proteínas animais. Tudo, no agro, começou com a invenção do adubo, seguida pelo surgimento dos defensivos (hoje, tão injustamente questionados) e, ao mesmo tempo, a substituição da tração animal pelo trator e outras máquinas agrícolas. Por último, e muito importante para a pecuária, a aceleração nos avanços da genética.

Especificamente, na bovinocultura podemos traçar uma espiral de modernização que começou c...

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