Caprinovinocultura

TRABALHO DEDICADO À GENÉTICA

Fazenda Portão Vermelho, em Castro/PR, é referência em animais de qualidade, resultado de mais de três décadas de atenção ao melhoramento do rebanho

Denise Saueressig
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O investimento em animais de excelência genética é a prioridade do criador Taeke Greidanus há mais de 30 anos na Fazenda Portão Vermelho, em Castro/PR. A decisão de trabalhar com a ovinocultura foi tomada em 1985, quando ele era produtor de grãos e também dono de uma revenda de máquinas agrícolas. “A inflação no Brasil estava em 45% ao mês, e percebi que seria muito difícil conseguir manter os negócios diante da situação da economia. Então resolvi mudar de rumo e passei a me dedicar, aos poucos, ao rebanho”, conta.

Alguns animais foram adquiridos no Rio Grande do Sul, e a primeira importação, em 1990, foi de animais da raça Texel oriundos da Holanda. Em 2000, foi a vez de trazer ovinos Dorper da África do Sul. “Ao longo dos anos, buscamos o aprimoramento constante do plantel de cada raça e participamos de uma série de exposições”, relata Greidanus.

Nessas mais de três décadas de história, muitos prêmios foram conquistados pelo criatório em eventos realizados em diferentes regiões do País. Hoje, no entanto, o produtor diz que prefere eleger exposições mais próximas de casa, já que a participação envolve altos custos com deslocamento.

Para viajar muitos quilômetros por estradas nem sempre em boas condições, Greidanus adaptou um ônibus para o transporte dos animais. “Construímos as baias, e o ambiente é arejado, proporcionando mais conforto e bem-estar”, detalha. Ainda que a ida às feiras tenha diminuído de frequência, o veículo continua como meio de transporte, tanto para os eventos quanto para as propriedades de destino dos animais vendidos.

A comercialização é realizada principalmente por canais via internet e diretamente na fazenda. Em torno de 90% dos negócios são representados pela venda de genética, enquanto o restante constitui a parcela de animais que seguem para o abate na cooperativa Castrolanda.

Foco nos puros

Atualmente, o rebanho da fazenda tem entre 1,5 mil e 2 mil animais, número que é variável de acordo com a época do ano, devido aos nascimentos. Os cruzamentos são realizados apenas entre indivíduos da mesma raça. Greidanus diz que chegou a trabalhar com cruzamentos entre Texel e Dorper, mas concluiu que a estratégia tem mais benefícios quando é adotada por criadores que almejam ganho de peso para a produção de carne. “O nosso foco é a venda de ovinos puros e em grandes quantidades para diminuir custos. O registro de animais exige a visita de técnicos, e todo esse processo representa investimentos altos”, argumenta.

O produtor calcula que comercializa em torno de 400 reprodutores por ano. O manejo na fazenda é feito com inseminação artificial e também com monta natural. “Já chegamos a trabalhar com a inseminação de 600 fêmeas em três dias. É um sistema para grandes números e que nem sempre você acerta. Com a cobertura natural, conseguimos um número maior de nascimento de cordeiros, mas é claro que são fundamentais a boa administração e o acompanhamento do processo”, acrescenta.

Greidanus não sabe a conta exata, mas garante que tem descendentes do seu rebanho espalhados por todas as regiões do Brasil. Nos últimos anos, um dos destaques têm sido a venda de animais para propriedades no Centro-Oeste, especialmente no Mato Grosso e no Mato Grosso do Sul, estados em que os criadores utilizam reprodutores Texel para cruzamento com matrizes Santa Inês.

Criador Taeke Greidanus: importação de ovinos da Holanda e da África do Sul iniciou processo de aprimoramento do plantel

Cuidado sanitário

Da área total de 128 hectares da Fazenda Portão Vermelho, 90 hectares são ocupados pelo rebanho. Outros 21 hectares são utilizados para o cultivo de milho para silagem em um ano, e soja ou feijão no ano seguinte. No pasto, é adotado um esquema rotacionado com limpeza semanal. Como alternativas para ajudar a combater a verminose, o produtor utiliza soluções de homeopatia e monitoramento constante. “Nossos funcionários visitam o campo uma vez pela manhã e outra vez pela tarde para identificar possíveis problemas sanitários com algum animal. Aplicamos todas as vacinas conforme o calendário e evitamos o uso excessivo de vermífugos para não termos gastos desnecessários e combatermos a resistência a esses medicamentos”, observa o produtor.

Com o objetivo de oferecer maior conforto para os animais, ônibus foi adaptado para o transporte da fazenda até as exposições

Os machos permanecem no campo até os quatro meses de vida, quando seguem para uma estrutura de confinamento. O manejo das matrizes é organizado de acordo com as necessidades nutricionais. Fêmeas em fase final de gestação seguem para um piquete com pastagem de melhor qualidade. “Todo o processo também segue os princípios do bem-estar animal, inclusive o confinamento, que é espaçoso. Acredito que animais saudáveis e mantidos em condições adequadas produzem uma carne mais saborosa”, sustenta.

Desafios da cadeia

O holandês Taeke Greidanus tem 83 anos e chegou ao Brasil em 1953. Nesses mais de 30 anos de experiência como criador, ele conclui que a ovinocultura é uma atividade para quem gosta, e não para quem acha que vai ganhar muito dinheiro. “É uma pecuária em que ainda temos muito a aprender e expandir conhecimentos. A maior parte dos veterinários brasileiros tem o estudo mais aprimorado para o gado. Claro que existem iniciativas interessantes nas universidades, mas, na prática, é necessário saber muito mais, assim como investir em mão de obra específica para o segmento”, destaca.

Outro desafio, na sua opinião, é a pouca quantidade de unidades frigoríficas para ovinos no País. “Hoje, sabemos que mais de 90% dos ovinos são abatidos sem assistência. O ideal seria contarmos com um maior número de pequenas indústrias em diferentes regiões, para que não fosse preciso viajar centenas de quilômetros para transportar os animais”, avalia. Para o produtor, essa pode representar uma das estratégias para a maior organização da cadeia no Brasil.