Na Varanda

O boi e as pessoas

Na

Francisco Vila
é economista e consultor internacional [email protected]

Nosso boi é o nosso orgulho. Com paixão, escolhemos a raça; pesquisando e conversando com os vizinhos, definimos os processos do manejo do solo, do pasto e do rebanho. Temos ideias claras sobre quando e como pesar os animais ao longo da sua estadia na fazenda e sobre quase todos os mais de dez elementos do processo produtivo que interagem em mais de 100 combinações possíveis. Na verdade, somos quase malabaristas do circo da produção bovina. Como resultado desse esforço, atingimos uma produtividade que é o dobro da média nacional, que oscila em torno de 5 @/ha a 7 @/ha.

Ou seja, estamos contentes, ou quase, pois observamos, nos vários eventos que frequentamos, que existem outros pecuaristas que apresentam números que equivalem ao dobro dos nossos, e, o que nos dói ainda mais, o triplo da nossa rentabilidade econômica. Se atingimos 8 @/ha ao longo dos últimos anos, e se eles ganham R$ 1.200,00 ha/ano, enquanto a média brasileira varia entre R$ 150,00 ha/ano e R$ 200,00 ha/ano, o que nos falta para alcançarmos esses resultados?

Primeiro, temos de lembrar que uma boa produtividade não leva, automaticamente, à alta performance econômica. Às vezes, caprichamos, por paixão, em detalhes físicos do boi ou da fazenda que somente representam custo adicional, sem trazer lucro. Segundo, será que sabemos de forma detalhada quanto é o nosso custo direto e indireto para podermos apurar o lucro real de cada exercício? Como tratamos as depreciações? O valor contábil do uso da terra está incluído no cálculo, ou fingimos que o custo da terra é zero? Pois poderíamos vender a nossa fazenda, aplicar parte do dinheiro no banco e, com o resto, arrendar propriedades de pessoas que...

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