Na Varanda

Fake news afetam o boi?

Na

Francisco Vila
é economista e consultor internacional [email protected]

Sócrates já ensinava que não existe “a verdade”, existe apenas a “percepção individual” que cada pessoa tem da realidade à sua volta. Ouvimos, olhamos e sentimos as mesmas coisas, mas de forma diferente. Ou seja, a transmissão de informações sempre carrega um forte viés de interpretação pessoal.

Isso vale mais para a política e os relacionamentos humanos em geral, mas ocorre, também, na comunicação sobre assuntos supostamente objetivos, como é o caso na explicação de características de insumos que usamos na produção bovina.

Entramos numa nova época, a da comunicação total e instantânea. Nesse ambiente da “pós-verdade”, 140 milhões de brasileiros se conectam, diariamente, durante cinco horas, recebendo ou repassando um total de 17 bilhões de mensagens (reforço: por dia!). Grande parte delas são fake news.

Nas gerações anteriores, informações e troca de opiniões ocorreram nos encontros dos membros da família em torno da mesa do jantar ou nos almoços de domingo. Pouco mudou de ano para ano, e, assim, houve um saudável equilíbrio entre aquilo que todos pensavam sobre os diversos assuntos. Nem telefone havia, coisa que sempre esquecemos. Hoje, fala-se menos, mas comunica-se mais. No entanto, será que, com o aumento absurdo da quantidade de informações, melhorou também a qualidade da comunicação? Dizem que não, que ela piorou. Pois as notícias úteis (e fúteis) aumentaram de tal forma que uma pessoa normal não tem mais tempo, nem foco, para ordenar esses impulsos contínuos. Vamos analisar isso com três exemplos.

A porta-voz da Casa Branca informou à imprensa que o presidente Donald Trump, em um ano e meio, criou três vezes m...

Para ler a matéria completa faça Login
Caso não seja assinante da Revista AG, clique Aqui e Assine Agora!