Sala de Ordenha

Peso da safra e quedas nos preços do leite e derivados

Depois de sete meses em alta, os preços do leite ao produtor caíram no pagamento de setembro, referente à produção entregue em agosto.

Segundo levantamento da Scot Consultoria, o produtor recebeu, em média, R$ 1,230 por litro, sem o frete, considerando a média nacional ponderada dos 18 estados pesquisados.

Os maiores valores, com bonificações por qualidade e volume, ultrapassaram os R$ 1,60 por litro nas principais regiões produtoras do País.

Com base nos preços médios, a queda foi de 1,3% em relação ao pagamento anterior.

Apesar do recuo, na comparação com o mesmo período do ano passado, o produtor está recebendo 13,2% mais neste ano (Figura 1).

Figura 1 – Cotação média nacional ponderada do leite ao produtor – em R$/litro, valores nominais

Sala

O aumento da captação e a demanda patinando na ponta final da cadeia pressionaram os preços em todos os elos da cadeia ao longo de setembro.

Segundo o Índice Scot Consultoria de Captação de Leite, em agosto, o volume captado de leite aumentou 3,7% em relação a julho deste ano. Em setembro, houve alta de 0,8% na captação de leite (média nacional).

Para o pagamento a ser realizado em novembro, com a captação em patamares mais altos em termos de volume, a totalidade das indústrias pesquisadas na região Sul do País aponta para queda.

No Brasil Central e na região Sudeste, cerca de 80% dos laticínios estimam queda para o produtor.

Somente na região Nordeste, onde a produção está em queda, a expectativa é de aumento no preço pago ao produtor, com 55% das indústrias falando em alta do leite e 45% estimando manutenção das cotações.

Mercado spot e lácteos no atacado e varejo

No fechamento do mercado spot, a pressão de baixa continuou na primeira quinzena de outubro. Lembrando que o mercado spot é o leite comercializado entre as indústrias.

Segundo levantamento da Scot Consultoria, em São Paulo e Minas Gerais, as referências ficaram em R$ 1,594 e R$ 1,588 por litro, posto na plataforma, respectivamente. Isso corresponde a uma queda de 1,4% em São Paulo e 0,7% em Minas Gerais, na comparação com a quinzena anterior.

Depois dessas quedas seguidas nos preços, a expectativa, em curto e médio prazos, é de cotações mais estáveis no mercado spot, no entanto, recuos não estão descartados, conforme o peso da safra e também da demanda na ponta final da cadeia.

No atacado, segundo levantamento da Scot Consultoria, na primeira quinzena de outubro, o preço do leite longa vida (UHT) teve queda de 2,3% no atacado frente ao final de setembro.

O produto está cotado, em média, a R$ 2,71 por litro em São Paulo.

No varejo, o UHT está cotado, em média, a R$ 3,68, queda de 1,3% nesta primeira metade de outubro em relação ao final de setembro. Na média de todos os produtos lácteos pesquisados pela Scot Consultoria no mercado varejista, a alta foi de 0,3%, no mesmo período.

O aumento de produção da matéria-prima (leite cru) nas principais bacias leiteiras do País deve continuar pressionando as cotações do produto em curto e médio prazos no atacado e no varejo.

Rafael Ribeiro de Lima Filho, zootecnista Scot Consultoria