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Ceva Saúde Animal

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O diretor-geral da companhia, Fernando Luiz De Mori, destaca as tecnologias da empresa a favor da sanidade dos bovinos de corte e leite

“A aquisição de ambas as empresas veio a reforçar a linha de produtos para bovinos e tornar-se também um importante polo de exportação para outros países”

Revista AG – A Ceva adquiriu, em 2016, as companhias Hertape e Inova com o objetivo de entrar no mercado global de vacinas contra aftosa. Qual o impacto dessa negociação na estratégia da empresa?

Fernando Luiz De Mori – A aquisição da Hertape veio ao encontro da estratégia da Ceva de ampliar sua participação no segmento de bovinos, principalmente em vacinas, sendo também o primeiro passo da empresa para entrar no segmento de biológicos em equinos e animais de companhia. Já em relação à aquisição da Inova, adquirimos uma das maiores e mais modernas fábricas de vacina aftosa no Brasil, com potencial de atender aos mercados interno e externo. Dessa maneira, a aquisição de ambas as empresas veio a reforçar a linha de produtos para bovinos e tornar-se também um importante polo de exportação para outros países.

Revista AG – Qual o posicionamento da companhia no mercado de saúde animal?

Fernando Luiz De Mori – A visão da Ceva é que, juntos, estamos construindo uma nova referência para a criação de valor, além da saúde animal. Isso significa que somos uma empresa multicultural, voltada aos clientes e muito próxima dos seus parceiros. Valoriza sobremaneira a contribuição de cada elo da cadeia. Queremos também ser reconhecidos pela sociedade como contribuintes para melhoria da saúde global em função das soluções que temos apresentado, fruto da inovação da empresa. E por último, mas não menos importante, dizemos que isso tudo vai “além da saúde animal”, pois a população mundial crescente demandará cada vez mais alimentos, e reconhecemos o nosso importante papel como fornecedores de insumos e conhecimento na produção de alimentos.

Revista AG – Para o tratamento da tripanosomose bovina – doença de grande impacto na pecuária mundial, responsável por uma série de prejuízos econômicos –, qual o protocolo mais indicado pelos profissionais da Ceva?

Fernando Luiz De Mori – O programa de tratamento deve ser baseado no diagnóstico e no monitoramento dos animais infectados durante, pelo menos, um ano. O uso do produto de eleição, Isometamídium, droga licenciada exclusivamente pela Ceva no Brasil, é recomendado para o tratamento dessa doença. A posologia depende de cada situação e deve ser feita com critérios técnicos bem definidos. O protocolo de quatro tratamentos espaçados é o mais indicado, pois o Trypanosoma tenta driblar o quimioterápico se escondendo do sistema imune na parte intraocular, intracerebral e nas articulações. A dose também deve ser observada, para que seja mantida, durante o tratamento, quantidade suficiente circulando no organismo para matar o protozoário quando ele sai dos esconderijos, e também para impedir novas contaminações.

Revista AG – Outro problema que tira o sono dos pecuaristas são as doenças do trato respiratório dos bovinos de cria. Sendo assim, a Ceva possui alguma tecnologia para combater a pneumonia em bezerros de corte e leite?

Fernando Luiz De Mori – Primeiramente, há a necessidade de identificar a causa real da síndrome respiratória em bezerros, pois existe a tendência de classificar doenças respiratórias como uma “síndrome”, e não somente como um caso de pneumonia isolada. Surge, portanto, a necessidade de se identificar, em nível de rebanho, a real incidência dessa síndrome e combinar tratamento e prevenção. Normalmente, encontramos outros fatores relacionados ao manejo que irão diminuir a incidência em toda a propriedade, como a correta disponibilização do colostro aos recém-nascidos, por exemplo. Quanto ao tratamento de uma pneumonia, o importante é detectar um animal com a síndrome respiratória e tratá-lo de forma proativa. A rápida detecção e o tratamento imediato são mesmo recomendados. O uso de antibióticos para combater bactérias normalmente envolvidas na pneumonia de bezerros, como Pasteurella e Haemophillus, seria, só para ilustrar, de produtos à base de Tilmicosina, Tilosina ou mesmo Florfenicol. Obviamente, bactérias são comumente agentes causadores de pneumonia após uma infecção de origem viral, portanto, prevenção e vacinação devem ser revisados e implementados.

Revista AG – Que produtos que garantem o bem-estar de bovinos leiteiros são desenvolvidos pela empresa?

Fernando Luiz De Mori – Tudo o que fazemos, tanto no gado leiteiro quanto no de corte, melhorando a sanidade, impacta positivamente no bem-estar. Especificamente no bem-estar de bovinos leiteiros, cito a secagem em vacas de alta produção, que devem parar de produzir e se recuperar para a próxima lactação. Hoje, temos vacas produzindo muito leite, mas quase nada foi feito no sentido de “frear” essa alta produção. Com esse objetivo, a Ceva lançou o primeiro facilitador de secagem, o Velactis. Trata-se de um fármaco injetável que é aplicado no momento da secagem e imediatamente atuará inibindo a liberação de prolactina, “freando”, assim, a produção de leite de forma muito rápida. A vaca de alta produção sem Velactis, quando passa pelo processo de secagem, não sabe que não será ordenhada no dia seguinte, e a pressão intramamária aumenta tanto que o animal nem se deita de tanta dor. O leite vaza e facilita a entrada de agentes infecciosos causadores de mastites.