Santo Capim

PLANTAS INVASORAS DA PASTAGEM (Parte 2)

Santo

Adilson de Paula Almeida Aguiar é zootecnista, investidor nas atividades de pecuária de corte e leite, professor de Forragicultura e Nutrição Animal e Consultor Associado da Consupec - Consultoria e Planejamento Pecuário Ltda.

Dando continuidade ao artigo sobre o tema “Plantas invasoras da pastagem”, agora com as consequências da presença dessas plantas na pastagem e os métodos para manejo e controle.

As plantas invasoras competem com a planta forrageira pelos fatores de crescimento, luz, dióxido de carbono, água e nutrientes, como também por espaço. Aquelas de folha larga conferem menor proteção ao solo contra o impacto de chuvas e a radiação solar, contra o pisoteio de animais e de máquinas, devido aos seus hábitos de crescimento e à morfologia de sistema radicular. Como resultado dessa competição, ocorre redução da produção de forragem e da capacidade de suporte (UA/ha), pela impossibilidade dos animais colherem a forragem que está sob e dentro das moitas de plantas invasoras, principalmente quando possuem espinhos.

Ainda ocorre diminuição do desempenho animal por causa da menor qualidade de forragem (empobrecimento da composição química, queda da digestibilidade e redução de sua disponibilidade). Diminuindo a capacidade de suporte e o desempenho individual, ocorre redução da produtividade por hectare e redução na receita da atividade.

Ao mesmo tempo, incorre aumento de custos de produção na tentativa de controlar as plantas invasoras, com frequentes casos de insucessos e de frustrações, na maioria das vezes, devido à falta de orientação técnica e à adoção de métodos inadequados.

Ainda como consequências, agora indiretas, podem acontecer ferimento dos animais (olhos, boca, pele, úbere etc.) pela presença de plantas invasoras que possuam espinhos; intoxicação e morte de animais que consomem plantas invasoras tóxicas; e aumento de ectoparasitos (berne, carrapato, moscas), que se abrigam na folhagem dessas daninhas.

O manejo das plantas invasoras é a combinação de uma forma racional de medidas preventivas com medidas de controle e erradicação. O método preventivo consiste na adoção de ações que impeçam ou minimizem a introdução e a disseminação de plantas invasoras na área, entre as quais, a compra de sementes com alta porcentagem de pureza; o jejum em animais recém-introduzidos na propriedade; e a lavagem de pneus, rodas de máquinas e veículos, bem como dos discos e engrenagens de implementos e de roupas e calçados dos trabalhadores antes da sua introdução na propriedade.

Como medidas de controle, adotam- se o método cultural, que consiste na adoção de práticas agronômicas e de manejo da pastagem desde antes da sua implantação e durante a sua condução. Basta ler as causas do aparecimento de plantas invasoras na pastagem e proceder de forma contrária àquelas causas que se estará adotando na íntegra o método de controle cultural. O controle mecânico é realizado com a utilização dos seguintes equipamentos: enxada, enxadão, foice, roçadoura, correntão, triângulo, rolo-faca, mata-broto, aração e gradagem. As ferramentas enxada, enxadão ou foice são adotados em condições de lugares que impossibilitam a mecanização, tais como regiões com relevos inclinados, solos que sofrem inundações e em pequenas áreas.

Esse método de controle tem como desvantagens a lentidão para a sua execução, a alta dependência por mão de obra – que tem ficado escassa e cara, principalmente em regiões onde outras alternativas de uso do solo têm concorrido por mão de obra e pagado melhores salários –, além das questões trabalhistas.

Todos esses aspectos encarecem e limitam a adoção daqueles métodos, além de sua eficácia ser, comprovadamente, inconsistente. Os implementos, roçadora, correntão, triângulo, rolo-faca e mata-broto são adotados em condições opostas àquelas citadas para os métodos de controle manuais. Não têm as desvantagens citadas para o controle manual, mas são menos eficazes que esse método.

A aração e a gradagem podem provocar um efeito contrário ao esperado quando as invasoras que estão presentes na área têm suas raízes e outros órgãos subterrâneos (rizomas, tubérculos etc.) cortados e repicados. As partes daqueles órgãos picados podem dar origem a novas plantas, aumentando a população invasora. Os métodos que apenas roçam a planta, na verdade, trazem um efeito contrário, pois estimulam a brotação de novas ramificações, engrossando o diâmetro da parte aérea das plantas e estimulando o desenvolvimento dos seus órgãos subterrâneos para o armazenamento de reservas orgânicas.

Na próxima edição, finalizarei esta sequência de artigos sobre o tema apresentando os métodos de seu controle com uso do fogo, o biológico e o químico. Aguardem.