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Negócios firmes e em alta

A boa notícia do mês é a recuperação do mercado do boi gordo em praticamente todo o País. O valor de referência da arroba do boi gordo para o estado de São Paulo, quando do fechamento desta coluna, era de R$ 152,00, segundo dados da Scot Consultoria. Nesse patamar, o pecuarista já sente um belo refresco no bolso, após alguns anos de retração. Esse salto já era esperado, embora tenha acontecido um pouquinho antes do previsto. É o ciclo pecuário dando as caras mais uma vez.

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Por outro lado, alguns problemas recorrentes ainda insistem em prejudicar o agronegócio. A greve dos caminhoneiros parece não ter fim. Ainda tramita no Supremo Tribunal Federal a questão da constitucionalidade ou não do tabelamento dos fretes, o que, segundo o Caderno Agro do jornal O Estado de São Paulo, pode gerar prejuízos bilionários ao agronegócio. Parece que o País não aprendeu nada com o desastroso tabelamento de preços de anos atrás...

O Brasil está atrás de novos mercados para exportar a carne vermelha. Esse ponto é extremamente positivo, e o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) vem fazendo um bom trabalho nesse sentido. Missões brasileiras têm sido enviadas a países como e Egito, por exemplo, na tentativa de recuperar o mercado, que foi prejudicado, no ano passado, pelo episódio da carne fraca.

A Turquia também é um mercado importante para o Brasil, nesse caso, pela importação de gado vivo. O volume exportado, dessa forma, pelo Brasil não é muito significativo se comparado ao mercado de carnes in natura ou embutidos, mas representa uma boa renda para aqueles produtores de regiões onde existem poucos frigoríficos. No entanto, por problemas econômicos, a Turquia reduziu a importação de gado em pé, o que pode afetar o volume de exportação deste produto que foi previsto no início do ano. A verdade é que o pecuarista deve estar sempre atento a todas as oportunidades.

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Evolução do preço da arroba do boi gordo por UF - 16/08 a 14/09/2018

No quadro Boi Gordo no Mundo, podemos ver os valores em dólares norte-americanos nos quatro principais países exportadores exportadores de carne bovina, no período de 16/08 a 14/09/2018.

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Média do preço da desmama de 16/08 a 14/09/2018 Macho Nelore - 8 meses - 165 kg

Nesse período, a arroba do boi gordo no Brasil sofreu uma redução de 5,2%, passando de US$ 37,99 para os atuais US$ 36,01. Com isso, a competitividade do produto brasileiro no mercado internacional ganhou novo fôlego. Enquanto isso, na Argentina, o aumento do boi gordo foi de 2,07%. Os Estados Unidos e a Austrália também apresentaram queda. No caso do país norte-americano, essa queda foi de 0,84%. Já para os australianos, a queda foi bem mais acentuada, da ordem de 11%. À exceção da Argentina, a queda foi generalizada, mostrando certa tendência de desvalorização da carne bovina no mercado internacional. É apenas mais um fator a ser considerado pelos produtores no seu já extenso rol de problemas inerentes à produção.

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Relação de troca média - 16/08 a 14/09/2018

No gráfico da Evolução do preço da arroba do boi gordo por UF (Unidade da Federação), observa-se a variação dos preços a prazo no mercado interno, entre os dias 16/08 e 14/09/2018.

Exatamente como ocorreu no período anteriormente analisado (16/07 a 15/08/2018), o valor da arroba do boi gordo a prazo em todas as praças pesquisadas (menos uma) aumentou em 2,44%. A exceção, de novo, foi o estado do Rio Grande do Sul, que apresentou nova queda, dessa vez, de 5,47%. Esse quadro é normal, pois as chuvas, embora tenham sido generosas em algumas regiões, mantiveram- se dentro da expectativa. Com isso, os pastos ainda estão fora de suas melhores condições, e a oferta de boi gordo limita-se aos confinamentos. Para minimizar esse problema, cabe aos pecuaristas a correta manutenção das pastagens, através das operações de calagem e gessagem, principalmente. Isso faz com que haja um maior crescimento das raízes, tornando a seca menos prejudicial para as plantas.

Considerando-se os nove estados avaliados (incluindo o Rio Grande do Sul), a alta média no valor da arroba do boi gordo foi de 1,51%, exatamente a mesma registrada no período anterior. No Rio Grande do Sul, o valor da arroba passou de R$ 141,00, no início do período, para R$ 132,00 no final. Nos demais estados, a situação de valorização geral é de 2,11% em São Paulo; 2,98% em Minas Gerais; 2,37% em Goiás; 4,02% no Mato Grosso do Sul; 1,59% no Mato Grosso; 3,87% no Pará; 1,81% no Paraná; e 0,93% em Santa Catarina.

O gráfico Média do preço da desmama, a seguir, mostra os valores pagos pela reposição da categoria no período de 16/08 a 14/09/2018.

O Rio Grande do Sul apresentou uma pequena alta no valor da desmama de macho com oito meses, passando de R$ 980,00 para R$ 989,05 por cabeça. No entanto, continua sendo onde se pratica o menor preço nessa categoria. O único estado que apresentou queda no valor do bezerro de desmama foi o Mato Grosso, onde a cabeça passou de R$ 1.152,17 para R$ 1.119,52, baixa de 2,83%.

A média geral do valor da desmama de Nelore de oito arrobas de peso vivo nos oito estados avaliados foi de R$ 1.099,58, alta de 0,75% em relação ao período anterior

Nos sete estados avaliados onde houve alta no valor da desmama, os índices de valorização foram os seguintes: São Paulo, 1,99%; Minas Gerais, 1,05%; Goiás, 0,06%; Mato Grosso do Sul, 3,57%; Pará, 0,41%; Paraná, 0,88%; e Rio Grande do Sul, 0,92%.

No gráfico Relação de troca média, observa-se a relação de troca entre as categorias de desmama e boi magro com o boi gordo de 16 arrobas, no período entre 16/08 e 14/09/2018.

A valorização da arroba do boi gordo foi maior do que a valorização da desmama na maioria dos estados analisados, o que fez a balança pender para o lado do invernista mais uma vez. Foi uma repetição do cenário observado no último mês, ou seja, bezerros mais baratos frente ao boi terminado. Como sempre, existe exceção. No Rio Grande do Sul, devido à forte queda no valor da arroba do boi gordo, a relação de troca que era de 2,37 no período anterior passou, agora, para 2,22. No Mato Grosso do Sul não houve alteração nessa taxa, mantendo-se a relação em 1,90.

Nos demais estados, a relação de troca se comportou da seguinte forma: 2,02 para São Paulo; 2,13 para Minas Gerais; 1,90 em Goiás; 1,88 no Mato Grosso; 2,13 no Pará; e 2,11 no Paraná.

A relação de troca boi magro/boi gordo comportou-se de forma ligeiramente diferente. Cinco estados apresentaram taxa mais favorável ao invernista quando comparado ao período anterior: Minas Gerais (1,30), Goiás (1,18), Mato Grosso do Sul (1,26), Mato Grosso (1,23) e Paraná (1,17). Já nos outros três estados avaliados, o boi magro se viu valorizado: em São Paulo, a relação de troca recuou de 1,25 para 1,24; no Pará, de 1,32 para 1,31; e, no estado gaúcho, de 1,37 para 1,29, na alta mais significativa para essa categoria.

Como comentado no mês passado, a intensificação da produção pecuária vem aumentando bastante no País. Os produtores estão cada vez mais conscientes da importância de se produzir com sustentabilidade. Quando se produz mais em menos espaço e com mais qualidade, e recebendo mais por isso, não há como segurar a pecuária no Brasil. Que a próxima administração deste País olhe com carinho para o nosso setor.

Mas esse cuidado não pode ser apenas das autoridades. Cada produtor deve cuidar muito bem do seu negócio, independentemente do cenário político-econômico do País. Na realidade, não importa o valor da arroba (claro, quanto mais alto, melhor!), mas sim a rentabilidade do sistema. É aí que entra uma gestão qualificada, profissional, que vai gerir o negócio de ponta a ponta, analisando os custos e projetando receitas.

Antony Sewell
Boviplan Consultoria