Sobrevoando

Tempo

Toninho Carancho
[email protected]

O tempo não para, e os tempos mudam. Vi, no mês passado, um filme realmente muito bom, sensacional, daqueles que te impactam pelo visual e pela mensagem. Apesar de adorar os filmes de cowboys, esse filme me impactou muito mais pela mensagem do que pela imagem.

Filmado nos desertos de Nevada, nos EUA, pelo mestre dos faroestes John Huston e com um elenco espetacular – Marilyn Monroe, Clark Gable, Montgomery Clift e Eli Wallach –, este filme foi a grande sensação. Só esse pessoal já garantiu o sucesso do empreendimento. Aliás, como curiosidade, foi o último filme de Clark Gable – que morreu poucos dias depois da filmagem –, e a Marilyn também não fez outro, morrendo meses depois, além de ser o único longa-metragem em que os dois participaram juntos.

Mas o filme é muito mais do que o conjunto desses famosos atores, ele fala sobre a mudança dos tempos, dos tempos que não voltam mais, da nostalgia de tempos passados e da tristeza que isso implica em muitos de nós, e da dificuldade de se adaptar à modernidade.

O primeiro tema é o desajuste dos personagens e a paixão que todos sentem por Marilyn, e o segundo – e por isso escrevo aqui meus comentários – é o sentimento que ela tem em relação aos animais. Ela é uma jovem urbana, e eles, cowboys. São dois mundos que se encontram, ou melhor, colidem.

Eles montam cavalos xucros e touros, matam coelhos que estão comendo as alfaces e caçam cavalos selvagens para vender como carne para fazer ração de cachorro. Tudo parece muito brutal e insano para ela. Eles acham normal. É um conflito total, porque todos querem ficar com Marilyn, mas as atitudes deles a espantam e afastam.

Quando vi este filme, caiu a ficha para mim. Senti-me como Gable e Clift, e me coloquei na posição de Marilyn. Não sou cowboy, muito menos ator, mas sou criador de gado desde que nasci. Criei-me nesse ambiente...

Para ler a matéria completa faça Login
Caso não seja assinante da Revista AG, clique Aqui e Assine Agora!