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Escolha

Azevém BRS Integração é destinada a produtores que adotam sistemas de integração lavoura-pecuária

Andréa Mittelmann, Carlos Eduardo da Silva Pedroso e Fernanda Bortolini*

O azevém (Lolium multiflorum) é uma espécie gramínea de inverno com alta produção de forragem, grande resistência ao pastejo e excelente capacidade de rebrote. A forragem produzida é de alta qualidade nutritiva devido, principalmente, a uma alta digestibilidade da matéria seca. Essa qualidade superior é fundamental para animais com elevadas necessidades nutricionais, como bovinos de leite.

A espécie é considerada bastante rústica, pois adapta-se a diferentes tipos de solo e é pouco exigente em relação ao pH mas, por outro lado, responde muito bem ao aumento dos níveis de adubação. Uma vez estabelecida, tolera tanto períodos de seca como de excesso hídrico.

Quanto à utilização, também é bastante flexível: permite consórcios com diversas espécies de inverno e pode ser semeada sobre áreas com pastagens de verão, sejam elas nativas, como no Bioma Pampa, contribuindo para sua preservação, ou cultivadas.

Por todas essas características, o azevém é amplamente utilizado na Região Sul do Brasil.

MELHORAMENTO

Apesar da importância da espécie, por muito tempo o Brasil dependeu de sementes sem procedência genética, ou da importação. O Programa de Melhoramento de Azevém da Embrapa iniciou em 2002 e em 2007 lançou sua primeira cultivar, BRS Ponteio, a qual visava atender principalmente à demanda por cultivares que permitissem maior período de utilização. A cultivar teve grande aceitação e possui hoje uma excelente fatia do mercado, representando mais de 60% das sementes de azevém produzidas no Brasil. Entretanto, o Programa de Melhoramento passou a receber outras demandas.

CULTIVAR

O azevém é uma espécie bastante recomendada para a utilização em sistemas de integração, por suas qualidades forrageiras e capacidade de deixar palhada no sistema. Nas rotações com o arroz, é a forrageira preferencial, pois adapta-se a solos mais úmidos. E por sua tolerância ao sombreamento, é recomendado também para sistemas que incluem o componente arbóreo, ou seja, sistemas de integração lavoura -pecuária-floresta.

A cultivar BRS Integração foi desenvolvida para atender a uma demanda crescente, vinda dos produtores que adotam sistemas de integração lavoura-pecuária em toda a Região Sul do Brasil. A cultivar apresenta ciclo produtivo precoce, o que permite a colheita de sementes ou ressemeadura natural e a integração com culturas anuais de estação quente.

Escolha

Segundo Andréa, a produtividade média é 7,1 toneladas de matéria seca de forragem por hectare

A cultura de verão predominante na região é a soja, cuja época preferencial de cultivo inicia em 20 de outubro. Dependendo do número de desfolhas, o final do ciclo da BRS Integração pode ocorrer de meados de outubro a início de dezembro. A conclusão natural do ciclo pode reduzir o uso de dessecantes, evitando o desenvolvimento de resistência e, principalmente, permite o restabelecimento da pastagem no ano seguinte, com base nas sementes de azevém que caem ao solo, em um processo denominado ressemeadura natural.

Essa cultivar foi desenvolvida pelo Programa de Melhoramento de Azevém da Embrapa, no âmbito da parceria da Embrapa com a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e a Associação Sul-Brasileira para o Fomento e a Pesquisa de Forrageiras (Sulpasto). Sua inscrição junto ao Registro Nacional de Cultivares foi obtida em 10/10/2013 (nº registro 30941), e a proteção no Sistema Nacional de Proteção de Cultivares, em 08/08/2016 (certificado nº 20160163). Os centros de pesquisa da Embrapa envolvidos no desenvolvimento da cultivar foram a Embrapa Gado de Leite, Embrapa Clima Temperado, Embrapa Pecuária Sul e Embrapa Trigo, além da Embrapa Produtos e Mercado.

CARACTERÍSTICAS

– Rápido estabelecimento, estando pronta para utilização em pastejo após cerca de 50 dias da semeadura, desde que adequadamente adubada. Recomenda- se uma adubação de base conforme análise de solo, e parcelamento do nitrogênio a ser aplicado em cobertura, sendo ao menos 40 kg/N/ha no início do perfilhamento.

– Excelente capacidade de rebrote. Essa cultivar apresenta melhor resposta ao pastejo, comparada às demais cultivares disponíveis no mercado.

– Alta proporção de perfilhos originados abaixo do nível do solo, mesmo ao final do ciclo.

– Alta produtividade de forragem e de sementes.

– Melhor tolerância ao acamamento comparada às demais cultivares de azevém.

– Apresenta ciclo mais curto que as demais cultivares disponíveis no mercado, característica que deu origem ao seu nome, BRS Integração por favorecer a integração da pecuária com a lavoura.

– A cultivar BRS Integração apresenta porte ereto, o que facilita, especialmente, a colheita mecânica de forragem. Desse modo a mesma pode ser destinada tanto ao pastejo como à conservação.

MANEJO

A BRS Integração possui folhas grandes e forma de crescimento do colmo ereta. Em consequência dessas características, a planta atinge o máximo acúmulo de folhas vivas com maiores alturas do que as normalmente verificadas para as demais cultivares de azevém anual. Por essa razão, recomendam-se para a cultivar BRS Integração maiores alturas de desfolha, comparadas às demais cultivares.

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A multiplicação e comercialização da variedade são de responsabilidade da Sulpasto

A cultivar deve ser manejada com alturas máximas entre 25 e 30 cm e alturas mínimas entre 5 e 8 cm. A alta proporção de perfilhos que surgem abaixo da primeira folha, abaixo do nível do solo, atribuem a essa cultivar elevada tolerância a desfolhas intensas, propiciando alta produtividade de forragem de elevado valor nutricional.

Essa grande capacidade de rebrote também faz com que, embora sendo de ciclo precoce para a produção de sementes, haja uma flexibilidade de manejo. Caso haja interesse em seguir produzindo forragem por maior período, é possível executar até cinco desfolhas, o que pode estender o ciclo até início de dezembro.

Estudos realizados pela Embrapa juntamente com a Universidade Federal de Pelotas (UFPel), verificaram que essa cultivar, manejada entre alturas de 28 (prédesfolha) e 7 cm (pós-desfolha), apresentou teor de proteína bruta médio de 18% e produtividade de 7.358 kg de MS/ha. Portanto, manejar essa cultivar com alturas entre 25 e 30 cm com rebaixamentos bastante intensos propicia alta produtividade de forragem de elevado valor nutricional.

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PRODUTIVIDADE

Apesar do ciclo mais curto, a BRS Integração não fica devendo em produtividade. Na média dos ambientes em que foi avaliada, produziu 5% a mais de forragem que a cultivar BRS Ponteio. A produtividade média foi de 7,1 toneladas de matéria seca de forragem por hectare (t de MS/ha), e a máxima de 10,4 t de MS/ha. Nas avaliações realizadas no estado do Paraná pela Fundação ABC, em alguns ambientes atingiu o primeiro lugar no ranking de produtividade, superando um grande número de cultivares importadas, inclusive tetraploides.

SEMENTES

A multiplicação e comercialização da variedade são de responsabilidade da Sulpasto. As sementes da BRS Integração deverão ser disponibilizadas a partir de dezembro de 2017, para plantio na próxima safra de inverno, entre os meses de março e abril.

*Andréa, Carlos Eduardo e Fernanda são pesquisadores da Embrapa Clima Temperado