Sobrevoando

Cartago

Toninho Carancho
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Estamos vivendo momentos de grande pressão. O produtor rural, assim como outras pessoas, está vivendo momentos de angústia e mal-estar. Está difícil de trabalhar numa boa, mais relaxado, como deveria ser normalmente, focado só no trabalho e nos problemas inerentes a ele. No Brasil de hoje, é impossível. A pressão é para você não produzir, não melhorar, não aumentar. É gente trabalhando contra nós.

Não faz muito tempo, se você era fazendeiro, tinha de se preocupar com suas vacas, touros, bezerros. Vacinar, arrumar a cerca, roçar a pastagem, trocar o gado de pasto, engordar os bois, distribuir sal, inseminar, contar o gado, apartar as novilhas, banhar, curar o umbigo, pesar, tirar nota, arrumar o trator, vender e comprar gado, pagar o diesel, pagar os funcionários, arrumar as casas, reformar o galpão, comprar semente e adubo, discutir preço com o frigorífico e mais algumas coisas. E só. Foco no trabalho.

Hoje, com a burocracia só aumentando, você não consegue mais ter o tempo para o que realmente importa. O tempo é consumido com coisas que não estão ligadas diretamente à produção e à produtividade. É o CAR, é o georreferenciamento, é o MST, é o roubo de tudo quanto é coisa, é a estrada péssima, é a escola ruim, é a falta de energia, é o trabalho escravo, são as leis trabalhistas, é a impossibilidade de você utilizar todo o potencial produtivo do seu campo. Enfim, é uma pressão que em outros países não existe. Trabalhando assim, vai perdendo a graça, vai ficando pesado, vamos cansando...

Porém, como sou um otimista, acho que chegamos ao fundo do poço nesse sentido e temos a chance de melhorar. A população, em geral, começa a dar sinais que está percebendo que o produtor rural, o fazendeiro, assim como ele da cidade, está sendo sugado pelo Governo. E quando falo Governo, digo todos os governos, a máquina do estado. Essa máquina é o sócio, que antes oculto, agora se torna mais visível e feio. Esse sócio pede muito e retorna muito pouco. Esse sócio mais atrapalha que ajuda. Esse sócio tem de diminuir a participação em nossa vidas, ficar mais leve e mais amigável. Não podemos mais nos sentir como nos tempos da Idade Média, como servos de uma corte insaciável. Corte que pode tudo, roubar, gastar e ainda nos prejudicar sem ter de prestar contas.

Está na hora de diminuir e enxugar essa máquina. Menos senadores, menos deputados, bem menos aspones, menos empresas estatais, menos papo furado, mais ação. Leis mais objetivas e com menos interpretações.

Precisamos fazer igual ao Senador Romano, Marco Porcio Catone ( 234 a 149 AC), conhecido como Cato ou Catão, que cunhou uma frase e um objetivo único “Cartago Delenda Est”, Cartago precisa ser destruída. Em todo seu discurso, ele finalizava com essa frase. Bateu tanto nessa tecla que acabou vencendo e Cartago foi destruída. Nossa Cartago é a Máquina Estatal exagerada, que nos trava, nos impede, nos tira as oportunidades, nos suga as verbas, acaba com nossas esperanças de dias melhores. Devemos acabar com ela (diminuir para um tamanho civilizado). Vou usar o termo Brasília Delenda Est, mais para ter um termo mais forte, mas por óbvio não desejo a destruição de nossa capital nacional e sim que signifique o meu desejo de um governo menor e, por sua vez, melhor.

Desculpem, mas agora sobrou um tempinho para colocar um sal para os bezerros, vou nessa.

Brasilia Delenda Est.